Pular para o conteúdo
Pente FinoBuscar

Orçamento secreto e emendas parlamentares (2020–2026)

2020 → em andamento

Em poucas palavras
  1. 1.As emendas de relator (RP9, o 'orçamento secreto') somaram cerca de R$ 16 bi em 2021 e valor similar em 2022, distribuídas sem identificação pública do parlamentar que as indicou. O STF (ADPF 854, Rosa Weber) formou maioria pela inconstitucionalidade em 15/12/2022.
  2. 2.Flávio Dino, relator desde fev/2024, suspendeu emendas em ago/2024, impôs rastreabilidade, bloqueou empenhos, proibiu repasses a ONGs de parentes (jan/2026) e saques em dinheiro (mar/2026), e em jul/2026 bloqueou R$ 119 mi ligados a Valdemar Costa Neto (PL) e R$ 6,1 mi a Eduardo Cunha (Republicanos), intimando os presidentes de 21 partidos.
  3. 3.Em 17/03/2026 veio a primeira condenação por desvio de emendas no STF: por 4 a 0, a 1ª Turma condenou Josimar Maranhãozinho (PL-MA, 6 anos e 5 meses), Pastor Gil (PL-MA, 5 anos e 6 meses) e Bosco Costa (suplente, PL-SE, 5 anos), todos em regime semiaberto e sem prisão imediata, por corrupção passiva. Um despacho de jun/2025 lista outros 6 acusados no processo; o resultado individual deles não foi confirmado. O STF tinha 'mais de 80 investigações envolvendo parlamentares'. Em 25/06/2026 a PF fez buscas contra Maranhãozinho por ordem de Flávio Dino.
  4. 4.Execução das emendas (IFI/Siop): R$ 36,3 bi pagos em 2023 e recorde nominal de R$ 31,54 bi pagos em 2025 (67% dos R$ 47,1 bi empenhados); para 2020–2022 a IFI só publica percentuais do PIB (~0,7% em 2020 e 2021; 0,4% em 2022).
  5. 5.O tema é o que mais distribui investigados entre partidos (PL, PDT, União, PT, PSB, PSD, MDB, Podemos, Republicanos, PP); ver também operacao-overclean e juscelino-filho.

Onde cada pessoa está no processo

Cada pessoa sobe a escada até onde o processo chegou. Toque num degrau para ver quem está nele.

Saídas do processo

Pessoas citadas e situação na Justiça
PessoaPartido na épocaSituaçãoTribunalDataDocumento
Josimar Maranhãozinho
deputado federal
PL-MACondenado em 1ª instância
Condenado pela 1ª Turma do STF em 17/03/2026 por corrupção passiva, por unanimidade (4x0), em regime semiaberto; sem prisão imediata (cabem recursos). Trânsito em julgado não confirmado nas notas (classificado como condenado-1a por convenção). Denunciado em 17/09/2024; réu em 11/03/2025; julgamento em 10–11/03/2026. Primeira condenação por desvio de emendas do orçamento secreto. Em 25/06/2026 a PF cumpriu buscas em endereços dele por ordem de Flávio Dino.
corrupção passiva (propina para liberar ~R$ 6 mi em emendas de saúde a São José de Ribamar/MA); denunciado também por organização criminosa
STF, 1ª Turma17/03/2026ver
Pastor Gil
deputado federal
PL-MACondenado em 1ª instância
Condenado pela 1ª Turma do STF em 17/03/2026 por corrupção passiva, por unanimidade (4x0), em regime semiaberto; sem prisão imediata (cabem recursos). Trânsito em julgado não confirmado nas notas (classificado como condenado-1a por convenção).
corrupção passiva
STF, 1ª Turma17/03/2026ver
Bosco Costa
deputado federal (suplente)
PL-SECondenado em 1ª instância
Condenado pela 1ª Turma do STF em 17/03/2026 por corrupção passiva, por unanimidade (4x0), em regime semiaberto; sem prisão imediata (cabem recursos). Trânsito em julgado não confirmado nas notas (classificado como condenado-1a por convenção).
corrupção passiva
STF, 1ª Turma17/03/2026ver
Adones Gomes Martins, Abraão Nunes Martins Neto, Antonio José Silva Rocha, João Batista de Magalhães, Gildenemir de Lima Sousa e Thalles Andrade Costa
outros acusados na ação penal do caso Maranhãozinho
não informado nas notasRéu
Constam como acusados em despacho do processo (13/06/2025, audiências de testemunhas). O resultado individual em 17/03/2026 não foi confirmado: a Wikipédia registra 'outros 4 acusados condenados', sem nomes.
não detalhado nas notas
STF, 1ª Turma—ver
Valdemar Costa Neto
presidente nacional do PL
PLInvestigado
Bens bloqueados em R$ 119 mi (12–15/07/2026); 33% de suas emendas foram pedidas pela liderança do PL (Transparência Brasil). Condenado definitivamente no mensalão (ver mensalao).
não detalhado nas notas ('emendas de liderança')
STF (Flávio Dino)—ver
Eduardo Cunha
ex-presidente da Câmara; candidato a deputado federal por MG em 2026 (registro indeferido pelo TRE-MG em 03/09/2026; 32.075 votos anulados; recurso no TSE pendente)
Republicanos-MGInvestigado
Bens bloqueados em R$ 6,1 mi (jul/2026); 96% de suas emendas foram pedidas pela liderança do Republicanos. Histórico na Lava Jato: ver lava-jato-petrolao.
não detalhado nas notas ('emendas de liderança')
STF (Flávio Dino)—ver
Mario Frias
deputado federal; ex-secretário de Cultura
PL-SPInvestigado
Alvo da PF em 10/09/2026, com Karina Gama; 7 armas apreendidas.
suposto desvio de emendas (Operação Make Up, 10/09/2026)
STF—ver
Davi Alcolumbre
senador; presidente do Senado
DEM (então); hoje União BrasilNão investigado
Apontado entre os mais beneficiados pelo orçamento secreto (amostra O Globo). Não há nas notas registro de investigação sobre isso.
—
——ver
Ciro Nogueira
senador
PP-PINão investigado
Apontado entre os mais beneficiados pelo orçamento secreto (amostra O Globo). Investigado em outro caso (ver banco-master).
—
——ver
Arthur Lira
deputado federal; ex-presidente da Câmara
PP-ALNão investigado
Apontado entre os mais beneficiados pelo orçamento secreto (amostra O Globo). Não há nas notas registro de investigação sobre isso.
—
——ver
Fernando Bezerra Coelho
senador (então)
MDB-PENão investigado
Apontado entre os mais beneficiados pelo orçamento secreto (amostra O Globo). Não há nas notas registro de investigação sobre isso.
—
——ver
Domingos Neto
deputado federal
PSD-CENão investigado
Apontado entre os mais beneficiados pelo orçamento secreto (amostra O Globo). Não há nas notas registro de investigação sobre isso.
—
——ver
Márcio Bittar
senador; relator-geral do Orçamento 2021
PSL-ACNão investigado
Relator-geral do Orçamento de 2021, ano em que as emendas de relator somaram ~R$ 16 bi. Não há nas notas registro de investigação.
—
——ver

Mostrando 13 de 13. Passe o dedo ou o mouse na situação para ver o que ela significa.

Por partido

Contagem por partido em cada etapa. Traço = número ainda não verificado.

Partido (na época)CitadosDenunciadosCondenados 1ª instânciaCondenação definitivaCondenações anuladas
PL
fonte
—dado ainda não verificado33—dado ainda não verificado0
Republicanos
fonte
—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado
União Brasil
fonte
—dado ainda não verificado1—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado
PP
fonte
—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado
MDB
fonte
—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado
PSD
fonte
—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado
PSL
fonte
—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado
PT
fonte
—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado—dado ainda não verificado

Linha do tempo

Fatodez/2021

Rosa Weber suspende as emendas de relator e depois as libera com exigência de transparência.

Ver a fonte
Ver todos os eventos em lista
  1. dez/2021 — Rosa Weber suspende as emendas de relator e depois as libera com exigência de transparência. fonte
  2. out/2022 — Operação Quebra Ossos (emendas/Codevasf, MA). fonte
  3. 15/12/2022 — STF forma maioria pela inconstitucionalidade do orçamento secreto (ADPF 854; voto de Lewandowski). fonte
  4. fev/2024 — Flávio Dino herda a ADPF 854; em abr/2024 pede informações sobre emendas Pix. fonte
  5. ago/2024 — Dino suspende as emendas impositivas (plenário confirma); nov/2024: LC 210 e retomada parcial; dez/2024: bloqueio de milhares de empenhos de emendas de comissão. fonte
  6. 17/09/2024 — PGR denuncia Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa; réus em 11/03/2025. fonte
  7. fev/2025 — Dino homologa plano de trabalho; ago/2025: TCU identifica planos não cadastrados e envia à PF; set/2025: suspende emendas Pix a 9 municípios após CGU; out/2025: estende rastreabilidade a estados e municípios. fonte
  8. dez/2025 — Dino suspende o art. 10 do PL 128/2025, que liberaria RP9 (impacto ~R$ 3 bi até 2026). fonte
  9. jan/2026 — Dino proíbe repasses a ONGs de parentes de parlamentares; mar/2026: proíbe saque em dinheiro. fonte
  10. 17/03/2026 — 1ª Turma condena por 4x0 Maranhãozinho (6a5m), Pastor Gil (5a6m) e Bosco Costa (5a), todos em semiaberto e sem prisão imediata, por corrupção passiva — primeira condenação por desvio de emendas do orçamento secreto. fonte
  11. 25/06/2026 — PF faz buscas em endereços de Maranhãozinho, já condenado, por ordem de Flávio Dino. fonte
  12. 15/07/2026 — Dino bloqueia R$ 119 mi (Valdemar Costa Neto) e R$ 6,1 mi (Eduardo Cunha) e intima presidentes de 21 partidos; AGU deve notificar municípios. fonte
  13. set/2026 — Dino determina identificador único para emendas (proposta até 30/11/2026); Operação Make Up contra Mario Frias (10/09). fonte

O que dizem os dois lados

Acusação

O STF (Rosa Weber, Dino), a Transparência Brasil e a Agência Pública sustentam que o orçamento secreto distribuiu bilhões sem identificar quem indicou, favorecendo aliados do governo Bolsonaro e do Centrão (Alcolumbre, Ciro Nogueira, Lira), e que a falta de rastreabilidade permitiu desvios como o caso Maranhãozinho e os investigados na Overclean.

Defesa

O Congresso defende as emendas como instrumento legítimo de alocação de recursos pelos parlamentares eleitos; em 2022 um PL para manter o mecanismo contou com apoio do PT; os parlamentares com bens bloqueados (Valdemar, Cunha) não foram denunciados, e ser beneficiário de emendas não é indício de crime. As notas não registram as teses de defesa dos condenados do caso Maranhãozinho.

Como está hoje

Orçamento secreto (RP9) declarado inconstitucional (dez/2022); emendas sob regime de rastreabilidade imposto pelo STF (Dino) desde 2024. Primeira condenação por desvio de emendas em 17/03/2026 (3 deputados do PL, 4x0, semiaberto, sem prisão imediata), pelo STF, sem trânsito confirmado; resultado individual dos outros 6 acusados não confirmado. Investigações em curso sobre Valdemar Costa Neto (PL), Eduardo Cunha (Republicanos) e Mario Frias (PL); mais de 80 investigações envolvendo parlamentares no STF. Condenações até agora concentradas no PL-MA.

Fontes

  1. 1
    Wikipédia pt, Orçamento secreto (índice)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
    Wikipédia pt, Josimar Maranhãozinho (índice)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  6. 6
  7. 7
  8. 8
  9. 9
  10. 10
    Wikipédia pt, Juscelino Filho (índice)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  11. 11
  12. 12
    Wikipédia pt, Eduardo Bolsonaro (índice)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  13. 13
  14. 14
  15. 15
Ver nota bruta no GitHub

Como ler este caso

  • citado: nome aparece em delação, planilha, relatório de CPI ou reportagem, sem ato formal de investigação.
  • investigado: alvo de inquérito, busca, prisão temporária/preventiva ou indiciamento pela PF (indiciamento não é denúncia).
  • denunciado: PGR/MPF ofereceu denúncia; réu: a denúncia foi recebida pelo tribunal.
  • condenado-1a / condenado-2a: decisão de mérito ainda sujeita a recurso. Para condenações pelo STF em instância única sem trânsito em julgado confirmado nas notas, usa-se condenado-1a com explicação em status_atual.
  • condenado-definitivo: trânsito em julgado confirmado nas notas; cumprindo-pena / pena-cumprida quando as notas informam a execução.
  • anulada: condenação ou provas anuladas por nulidade (competência, parcialidade, prova ilícita), sem exame de mérito; absolvido: decisão de mérito favorável; arquivado: inquérito/denúncia encerrada sem mérito; prescrito: punibilidade extinta pelo tempo.
  • Pedido de indiciamento por CPI/CPMI não é indiciamento policial nem denúncia: é recomendação ao Ministério Público.
O que ainda não conseguimos confirmar7abrir

Isto é transparência, não erro: são pontos que a pesquisa procurou e ainda não achou em fonte primária.

  • Valores pagos em R$ para 2020, 2021 e 2022 não obtidos em fonte primária (o painel Siga Brasil não é acessível ao leitor automatizado; a IFI publica só % do PIB); reserva de R$ 61 bi na LDO 2026 vem de trecho indexado sem URL.
  • Número exato de inquéritos sobre emendas no STF não obtido (só 'mais de 80 investigações envolvendo parlamentares').
  • Desfecho individual e partidos dos 6 outros acusados do caso Maranhãozinho não confirmados (a Wikipédia fala em 4 condenados, sem nomes).
  • Relatoria da ação penal do caso Maranhãozinho não explicitada nas notas (Dino marcou o julgamento e ordenou as buscas de jun/2026; despacho de jun/2025 é de Zanin).
  • Trânsito em julgado das condenações de 17/03/2026 não confirmado.
  • Não localizadas denúncias da PGR decorrentes da Operação Overclean.
  • Teses de defesa dos condenados do caso Maranhãozinho não constam nas notas.