Pular para o conteúdo
Pente FinoBuscar

Esquerda e direita no Brasil: de onde vêm os rótulos, como a ciência política mede e onde ficam PT e PL

O que significam 'esquerda' e 'direita', o PT é comunista, o bolsonarismo é fascista, e onde a pesquisa acadêmica posiciona cada partido?

11/09/1789 → 21/10/2026

Resposta curta
  1. 1.'Esquerda' e 'direita' nasceram da posição dos assentos na Assembleia francesa em 1789 e hoje se referem, grosso modo, a mais ou menos Estado na economia e a igualdade/mudança versus ordem/tradição; a régua acadêmica mais longa para o Brasil (Brazilian Legislative Survey, 1990-2021) posiciona o PT em -0,69 (esquerda, não extrema), o PL em +0,49 (direita, mesma faixa de PP e Republicanos) e Bolsonaro em +0,87 (presidente mais à direita da era democrática); duas outras réguas independentes, o survey de especialistas PREPPS (2018-19, escala 1 a 20: PT 5,04, PL/PR 17,05, Bolsonaro 19,26) e o V-Party/V-Dem (2018, posição econômica 0 a 6: PT 1,39, PL 4,44, PSL 5,37), dão praticamente a mesma ordem.
  2. 2.Pela definição de Marx, 'comunismo' exige a supressão da propriedade privada (burguesa) e o crédito centralizado em banco estatal monopolista; o traço constitucional comum a Cuba e China não é a abolição literal de toda propriedade privada (a China declara 'inviolável' a propriedade privada legal, art. 13; Cuba reconhece a propriedade privada 'complementar'), mas a propriedade pública dos meios de produção como base do sistema e a direção do Partido Comunista inscrita na Constituição; o Brasil não tem nenhum dos dois: o PT governa com propriedade privada, recorde de concessões, Banco Central autônomo, carga tributária de nível OCDE (33,7% do PIB) e eleições competitivas; suas políticas sociais são, na definição acadêmica, 'elementos socialistas' de um híbrido capitalista, o padrão social-democrata. Checagens classificam como falsas as peças que dizem que Lula 'assumiu ser comunista'.
  3. 3.O bolsonarismo é classificado pela literatura como 'direita radical populista' (nativismo, autoritarismo, populismo); 'fascista' é tese acadêmica minoritária e contestada, e peças que o associam ao nazismo foram checadas como falsas; a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe (2025) é o fato que desloca o núcleo bolsonarista para a 'direita extrema' de Mudde (rejeição da regra da maioria), mas o PL como partido disputa eleições e tem a maior bancada do Congresso.

Quem é quem

Toque numa pessoa na linha do tempo para ver só o que ela fez.

  • Foto de Luiz Inácio Lula da Silva
    Luiz Inácio Lula da Silva
    Presidente (PT); autor da Carta ao Povo Brasileiro (2002); alvo da acusação de 'comunista'.
    Partido atual: PT
  • Foto de Jair Bolsonaro
    Jair Bolsonaro
    Ex-presidente; medido em +0,87 na BLS (presidente mais à direita da era democrática); condenado por tentativa de golpe em 2025; alvo do rótulo 'fascista'.
    Partido atual: PL
  • Foto de Flávio Bolsonaro
    Flávio Bolsonaro
    Candidato do PL em 2026; agenda liberal na economia e conservadora/punitivista em segurança e costumes.
    Partido atual: PL
  • Karl Marx e Friedrich Engels
    Autores do Manifesto do Partido Comunista (1848), referência para o teste do rótulo 'comunista'.
  • Cas Mudde
    Cientista político; distingue 'direita radical' (aceita a regra da maioria) de 'direita extrema' (rejeita).
  • Robert Paxton
    Historiador; autor de 'The Anatomy of Fascism' (2004), uma das definições-padrão de fascismo.
  • Cesar Zucco e Timothy Power
    Autores da Brazilian Legislative Survey (BLS), régua de posições partidárias usada aqui.
  • Camila Rocha
    Cientista política (USP); estuda a 'nova direita' e estima o núcleo duro do bolsonarismo em 12-15% do eleitorado.
  • Luiz Carlos Prestes
    Líder da Intentona de 1935, 'mito fundador da ameaça comunista' no Brasil.
  • Lilia Schwarcz
    Historiadora e antropóloga; classifica o bolsonarismo como 'movimento retrógrado, de extrema direita, populista e tecnocrata' (2021), sem usar 'fascismo' nas falas localizadas.
  • Esther Solano
    Socióloga (Unifesp); descreveu o movimento como 'espécie de pinochetismo' (2018) e organizou 'O ódio como política'.
  • Valdemar Costa Neto
    Presidente do PL desde 2000; conduziu o partido do Centrão ao bolsonarismo (filiação de Bolsonaro em 30/11/2021).
    Partido atual: PL

Linha do tempo

Toque numa pessoa para ver o que ela fez
Fatojun/1789· 1789: a origem dos termos

O Terceiro Estado se proclama Assembleia Nacional após ser impedido de reunir-se pelo rei; a divisão em lados é posterior.

Ver a fonte
Ver todos os eventos em lista
  1. jun/1789 — O Terceiro Estado se proclama Assembleia Nacional após ser impedido de reunir-se pelo rei; a divisão em lados é posterior. fonte
  2. 11/09/1789 — Debate sobre o veto real: defensores do veto absoluto à direita do presidente da Assembleia; limitadores do poder real à esquerda. fonte
  3. 1848 — Manifesto do Partido Comunista, cap. II. “O que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa.” (Marx e Engels) fonte
  4. 1848 — Manifesto do Partido Comunista, cap. II: a fórmula única. “Neste sentido, os comunistas podem condensar a sua teoria numa única expressão: supressão [Aufhebung] da propriedade privada.” (Marx e Engels) fonte
  5. 1848 — Manifesto, cap. II: entre as 10 medidas, a centralização do crédito. “centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo” (Marx e Engels) fonte
  6. mar/1922 — Fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB), com Astrojildo Pereira entre os fundadores. fonte
  7. nov/1935 — Intentona Comunista liderada por Prestes; torna-se o 'mito fundador da ameaça comunista'; Prestes fica preso por nove anos. fonte
  8. nov/1937 — Sob pretexto do Plano Cohen (complô comunista), instaura-se o Estado Novo. fonte
  9. 1947 — Registro do PCB e mandato de Prestes cassados; partido ilegal até 1985; serviu de pretexto para o golpe de 1964. fonte
  10. 1980 — Fundação do PT (TSE nº 13). fonte
  11. 25/06/1985 — Fundação do PL original por Álvaro Valle. fonte
  12. 1989 — Frente Brasil Popular (PT, PCdoB e PSB); PCdoB aliado do PT no plano federal desde então. fonte
  13. 25/04/1995 — Umberto Eco, conferência 'Ur-Fascism' (Columbia; publicada na NYRB em 22/06/1995): 14 traços; basta um para o fascismo 'coagular'. fonte
  14. 15/03/1999 — Emenda à Constituição da China: 'no estágio primário do socialismo' a 'propriedade pública é o pilar e diversas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente' (art. 6: propriedade pública socialista dos meios de produção como base). fonte
  15. 2002 — Coligação de Lula em 2002 (e em 2006) inclui o PL, partido do vice José Alencar, ao lado de PT, PCdoB e PCB (lista de partidos do Manifesto Project). fonte
  16. 22/06/2002 — Carta ao Povo Brasileiro. “Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país” (Lula (Carta ao Povo Brasileiro)) fonte
  17. 2004 — Robert Paxton, 'The Anatomy of Fascism' (p. 218): definição de fascismo, em transcrição didática do OER Project; a mesma frase é citada por Ruth Ben-Ghiat (HNN, 07/12/2022), que registra que o 6 de janeiro de 2021 'changed Paxton's mind' sobre aplicar o termo a Trump. “Fascism is a form of political behavior marked by obsessive preoccupation with community decline, humiliation, or victimhood and by compensatory cults of unity, energy, and purity, in which a mass-based party of committed nationalist militants, working in uneasy but effective collaboration with traditional elites, abandons democratic liberties and pursues with redemptive violence and without ethical or legal restraints, with the goals of internal cleansing and external expansion” (Robert Paxton) fonte
  18. 2004 — Fundação do PSOL, cisão do PT 'em protesto contra a moderação do PT durante o primeiro governo Lula'. fonte
  19. 26/10/2006 — Fusão PL + PRONA cria o Partido da República. fonte
  20. 2009 — Constituição da Venezuela (1999, rev. 2009), art. 115: garantia do direito de propriedade; expropriação só por utilidade pública, sentença e indenização justa. “The right of property is guaranteed” (Constituição da Venezuela, art. 115) fonte
  21. 2018 — Constituição da China (1982, rev. 2018), art. 1: liderança do Partido Comunista. “The leadership of the Communist Party of China is the defining feature of socialism with Chinese characteristics” (Constituição da China, art. 1) fonte
  22. 2018 — Constituição da China, art. 13: a propriedade privada legal é protegida (nuance ao teste 'abolição da propriedade privada'). “Citizens' lawful private property is inviolable” (Constituição da China, art. 13) fonte
  23. 2018 — V-Party 2018, posição econômica (0 a 6): PT 1,39; PSB 1,84; PDT 1,92; MDB 3,66; PSD 4,18; PSDB 4,20; PR/PL 4,44; Republicanos 4,52; DEM 4,59; PP 4,79; PSL 5,37 (valores extraídos do dataset via pacote oficial vdemdata). fonte
  24. 2018 — V-Party 2018, dimensão democrática: PSL com antipluralismo 0,95 (de 1), pluralismo 1,89 e rejeição da violência 1,92 (de 4); PT com antipluralismo 0,03, pluralismo 3,90 e índice de populismo 0,78 (o maior do sistema); PR/PL com antipluralismo 0,17. fonte
  25. 2018 — V-Party 2018: PSL com antipluralismo 0,95 (o maior do sistema) e rejeição da violência 1,92 de 4; PR/PL 0,17. fonte
  26. 04/10/2018 — Esther Solano (IHU/Unisinos) explica por que ex-eleitores de Lula votaram em Bolsonaro (personalismo, busca de 'líder forte'); em 04/11/2018 descreve o movimento como 'espécie de pinochetismo' (Vermelho). fonte
  27. 2019 — Constituição de Cuba (2019), art. 18: sistema econômico socialista baseado na propriedade de todo o povo. “The Republic of Cuba is governed by a socialist economic system based on ownership by all people of the fundamental means of production” (Constituição de Cuba, art. 18) fonte
  28. 2019 — Cas Mudde, 'The Far Right Today': distinção entre direita extrema (rejeita a regra da maioria) e direita radical (aceita, mas se opõe à democracia liberal nos direitos das minorias e na separação de poderes), p. 19. fonte
  29. 2019 — Emilio Gentile: 'um equívoco tratar figuras políticas de extrema-direita como Donald Trump e Jair Bolsonaro como fascistas'. fonte
  30. 2019 — Esther Solano, working paper 'La Bolsonarización de Brasil' (IELAT). fonte
  31. 24/02/2019 — Constituição de Cuba aprovada em referendo (86,85%): sistema econômico socialista baseado na propriedade de todo o povo sobre os meios fundamentais de produção; Partido Comunista como 'força dirigente superior da sociedade e do Estado'. fonte
  32. 07/05/2019 — TSE aprova a volta do nome Partido Liberal. fonte
  33. 2020 — Manifesto Project Dataset: South America (versão 2020b): 28 eleições, 64 partidos, 104 manifestos; a lista de partidos registra o PL nas coligações de Lula em 2002 e 2006. fonte
  34. mai/2020 — Aos Fatos: falso que apoiadores de Bolsonaro fizeram saudação nazista no Alvorada (gesto religioso). fonte
  35. 26/06/2020 — Oito acadêmicos ligados à USP publicam 'Por que assistimos a uma volta do fascismo à brasileira'; PUC-SP mantém projeto 'Bolsonarismo: o novo fascismo brasileiro'; Observatório da Extrema Direita (Casarões, Magalhães, Caldeira Neto) pede cautela. fonte
  36. 2021 — BLS 2021: PT -0,691; PSOL -0,874; PCdoB -0,822; PL +0,493; PP +0,510; Republicanos +0,550; Novo +0,711; PSL +0,803; MDB +0,137; PSDB +0,157. fonte
  37. 2021 — Presidentes (Tabela C2): Lula I-II -0,41; Dilma II -0,50; Temer 0,55; Bolsonaro 0,87. fonte
  38. 07/02/2021 — PREPPS Latam V2 publicado no Harvard Dataverse (surveys de especialistas no outono de 2018 e meados de 2019; questionário em português no Brasil): PT 5,04; PR (atual PL) 17,05; Bolsonaro 19,26; PSOL 1,66 (escala 1 a 20). “Please locate each party on a general left-right dimension, taking all aspects of party policy into account. Left (1) Right (20)” (Questionário PREPPS) fonte
  39. 22/02/2021 — Lilia Schwarcz, em debate na Agência Pública, sobre o bolsonarismo. “O bolsonarismo é um movimento retrógrado, de extrema direita, populista e tecnocrata” (Lilia Schwarcz) fonte
  40. 16/08/2021 — Camila Rocha: 'casamento entre nova direita e bolsonarismo sempre foi frágil'; núcleo duro de 12-15% do eleitorado. fonte
  41. 30/11/2021 — Jair Bolsonaro filia-se ao PL. fonte
  42. 2022 — Tarouco, 'Esquerda, direita e eleições presidenciais no Brasil' (Estudos Avançados 36(106)): 23 programas de 1994 a 2018; polarização máxima em 2018; a RILE não é usada. “O MP também calcula a escala RILE, da dimensão esquerda-direita, que não foi incorporada na presente análise por já ter sido questionada em outros trabalhos” (Gabriela Tarouco (nota 3)) fonte
  43. 2022 — PT, PCdoB e PV formam a federação Brasil da Esperança. fonte
  44. fev/2022 — V-Party v2 (V-Dem): definição da variável de posição econômica (codebook, 3.2.13, v2pariglef). “Parties on the economic left want government to play an active role in the economy. This includes higher taxes, more regulation and government spending and a more generous welfare state. Parties on the economic right emphasize a reduced economic role for government: privatization, lower taxes, less regulation, less government spending, and a leaner welfare state.” (Codebook V-Party v2) fonte
  45. fev/2022 — Aos Fatos: falso vídeo que atribui a Bolsonaro ter se alistado em exército nazista (CQC, 2012, editado). fonte
  46. 21/07/2022 — Comprova: enganoso que Lula quer implantar o comunismo chinês no Brasil. fonte
  47. 2023 — Zanotti, Rama & Tanscheit (Opinião Pública): o voto em Bolsonaro em 2018 se explica por queixas culturais-ideológicas (segurança, religião, antipetismo, baixo apego à democracia), não econômicas; renda mais alta associou-se ao voto em Bolsonaro. fonte
  48. 2023 — Zanotti, Rama & Tanscheit: Bolsonaro como líder da direita radical populista; antipetismo como principal variável do voto em 2018. fonte
  49. 16/05/2023 — Petrobras anuncia o fim da paridade de importação (PPI, vigente desde 2016). fonte
  50. 29/07/2023 — Lula, na abertura do Foro de São Paulo, diz que ser chamado de comunista não o ofende, mas ser chamado de nazista ou terrorista sim (paráfrase). fonte
  51. 07/08/2023 — SEP, verbete 'Libertarianism' (revisão de 07/08/2023): a liberdade individual como valor supremo; Estado mínimo de Nozick. “Libertarians take individual freedom as the paramount political value” (Stanford Encyclopedia of Philosophy) fonte
  52. 22/09/2023 — Lula, em reunião com Li Xi (PC Chinês), diz que o PT tem 'fortes laços' com o PCCh, em contexto de relações comerciais. fonte
  53. 2024 — OCDE/CEPAL/BID/CIAT (Revenue Statistics in Latin America and the Caribbean 2026): carga tributária total do Brasil de 33,7% do PIB em 2024, a maior da região; média OCDE 34,1%; média ALC 21,7%. “In 2024, tax-to-GDP ratios in the LAC region ranged from 9.2% in Guyana to 33.7% in Brazil” (OCDE/CEPAL/BID/CIAT) fonte
  54. 2024 — Banco Mundial: Gini do Brasil 50,3 (2024) contra Suécia 29,3, Dinamarca 29,9, França 31,8, Alemanha 33,7 (2022), Uruguai 40,0 e Chile 43,0; consumo final do governo geral do Brasil 18,8% do PIB (Suécia 26,6; França 24,2; Cuba 24,8). fonte
  55. jan/2024 — Publicação de Zucco & Power, 'The Ideology of Brazilian Parties and Presidents' (LAPS, DOI 10.1017/lap.2023.24): nove ondas da BLS, 1990-2021. fonte
  56. 03/08/2024 — Especialistas (CNN Brasil) classificam a Venezuela de Maduro como extrema esquerda autoritária/'autoritarismo competitivo'; nenhum a chama de comunista. fonte
  57. 30/09/2024 — Aos Fatos: falso que Lula 'assumiu ser comunista'. fonte
  58. dez/2024 — Latinobarómetro 2024: Brasil entre os países com autoposicionamento médio acima de 5,0 (0 = esquerda, 10 = direita); El Salvador 6,8; México 4,4. fonte
  59. 18/07/2025 — SEP, verbete 'Conservatism' (revisão de 18/07/2025), §1.3: conservadorismo não é reação. “It is reaction and not conservatism that is inherently authoritarian” (Stanford Encyclopedia of Philosophy) fonte
  60. 12/08/2025 — Levitsky, no Senado, elogia o STF pela resposta ao 8 de janeiro. fonte
  61. 11/09/2025 — 1ª Turma do STF condena Bolsonaro (4x1) a 27 anos e 3 meses por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado e danos; trânsito em julgado em 25/11/2025. fonte
  62. 25/12/2025 — Datafolha (2-4/12/2025, 2.002 entrevistas, margem de 2 p.p., autodeclaração em escala 1 a 7): direita 35%, centro-direita 11%, esquerda 22%, centro-esquerda 7%, 8% não souberam; 22% dos que se dizem de direita votaram em Lula em 2022 e 9% dos de esquerda votaram em Bolsonaro. fonte
  63. 26/12/2025 — Lula sanciona isenção de IR até R$ 5 mil, imposto mínimo de até 10% acima de R$ 600 mil/ano e 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil/mês (vigência 2026). Obs.: outra nota do projeto registra a sanção em 26/11/2025 (Lei 15.270/2025). fonte
  64. 27/12/2025 — Galípolo completa um ano no BC 'com uma postura ainda mais ortodoxa do que a de seu antecessor'. fonte
  65. 2026 — Itaú lucra R$ 46,8 bi em 2025, 'o maior resultado da história de um banco brasileiro'. fonte
  66. 2026 — Flávio diz que manterá como referência a política econômica liberal de Paulo Guedes: desburocratização, iniciativa privada, redução do Estado. fonte
  67. 02/01/2026 — Ibovespa fecha 2025 em 161.125,37 pontos (+33,95%, 32 recordes). fonte
  68. 18/01/2026 — Lula 3 fecha 2025 com 50 leilões federais (26 portos, 22 rodovias, 2 aeroportos), contra 45 de Bolsonaro e 26 de FHC; 84% do investimento em infraestrutura privado. fonte
  69. 25/02/2026 — SEP, verbete 'Liberalism' (Courtland, Gaus & Schmidtz; revisão de 25/02/2026), §2.1: liberdade e propriedade no liberalismo clássico; §2.2: o liberalismo 'novo' ('welfare state', 'social justice') contesta essa ligação. “For classical liberals — 'old' liberals — liberty and private property are intimately related” (Stanford Encyclopedia of Philosophy) fonte
  70. 26/04/2026 — 8º Congresso do PT: manifesto define 'horizonte programático o socialismo democrático', com 'acenos ao centro'. “horizonte programático o socialismo democrático” (Manifesto do 8º Congresso do PT) fonte
  71. jul/2026 — Lupa publica 'Anatomia da desinformação eleitoral' (1º semestre de 2026); RSF registra deepfakes com falso Jornal Nacional anunciando Flávio presidente. fonte
  72. 03/07/2026 — Datafolha (jun/2026, registro TSE BR-09956/2026; índice de valores, não pergunta direta): direita 44% (15% + 29% centro-direita), esquerda 39% (13% + 26% centro-esquerda), centro 17%; eixo econômico isolado: 46% esquerda, 28% direita, 26% centro. fonte
  73. ago/2026 — Flávio: o Bolsa Família 'é direito adquirido do povo brasileiro', mas não deve ser 'o fim da estrada'. “é direito adquirido do povo brasileiro” (Flávio Bolsonaro) fonte
  74. ago/2026 — Flávio Bolsonaro, em evento na Fiesp, diz que o pai é o 'último obstáculo' contra uma ditadura (literal conforme imprensa). “último obstáculo” (Flávio Bolsonaro) fonte
  75. 01/08/2026 — Flávio Bolsonaro, na convenção do PL-SC, chama Lula de 'projeto de ditador', diz que vai 'demiti-lo' em outubro e que o Brasil 'não vive mais em uma democracia plena' (literal conforme imprensa). “projeto de ditador” (Flávio Bolsonaro) fonte
  76. 07/08/2026 — PT registra no TSE o programa de Lula 'Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo' (84 páginas, 13 diretrizes; coligação 'Brasil Pronto Pra Mais'); registro no sistema em 08/08/2026 segundo outra fonte; destaques: redução da jornada de trabalho, Ministério da Segurança Pública, educação em tempo integral. fonte
  77. 13/08/2026 — Flávio registra no TSE o plano 'Para o Brasil Vencer o Atraso' (76 páginas, 9 eixos). fonte
  78. out/2026 — PL tem 121 deputados e 29 senadores (Reuters, via Wikipedia). fonte
  79. 02/10/2026 — Informe Latinobarómetro 2026: Brasil entre os 4 'gobiernos de izquierda' (México, Brasil, Guatemala, Uruguai), separado das 'dictaduras' (El Salvador, Venezuela, Nicarágua) e dos 4 'gobiernos de extrema derecha' (Colômbia, Chile, Peru, Argentina); apoio à democracia no Brasil: 41%. “cuando se ideologiza la calificación de una democracia, se daña la [democracia]” (Informe Latinobarómetro 2026) fonte
  80. data não verificada — SEP (verbete 'Socialism'): socialismo exige controle social e democrático dos meios de produção; o Estado de bem-estar é híbrido capitalista com 'alguns elementos socialistas'. fonte
  81. data não verificada — Lula sobre a autonomia do BC. “Se eu tivesse voto, eu era contra. Mas tá aí, vai ficar” (Lula) fonte
  82. data não verificada — José Dirceu (PT) diz que Flávio 'é golpista como o pai' (literal conforme imprensa). “é golpista como o pai” (José Dirceu) fonte

Capítulo 1 · 1789-06 a 1789-09-11

1789: a origem dos termos

Em 11 de setembro de 1789 a Assembleia Constituinte francesa debateu o poder de veto do rei Luís XVI. Os defensores do veto absoluto (monarquistas, chamados pejorativamente de 'aristocratas') sentaram-se à direita do presidente da Assembleia (o 'côté de la Reine'); os que queriam limitar o veto (representantes do Terceiro Estado e alguns nobres, os 'patriotas') sentaram-se à esquerda. A localização circunstancial conferiu significado político duradouro às posições e os dois polos passaram a se definir mutuamente. O conteúdo que carregam hoje (igualdade vs. hierarquia/ordem; mais vs. menos Estado na economia) é convenção histórica, não definição natural.

Capítulo 2 · 1848 a 2019

O que cada ideologia defende: comunismo, socialismo, social-democracia, fascismo, direita radical

Comunismo (Marx/Engels, 1848): 'O que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa'; 'os comunistas podem condensar a sua teoria numa única expressão: supressão [Aufhebung] da propriedade privada'. As 10 medidas do Manifesto incluem expropriação da propriedade fundiária, 'pesado imposto progressivo', 'abolição do direito de herança', 'centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo' e 'educação pública e gratuita de todas as crianças'. Na prática constitucional, a Constituição de Cuba (2019) baseia o sistema 'on ownership by all people of the fundamental means of production' (art. 18), com o Partido Comunista como 'the superior driving force of the society and the State' (art. 5), mas reconhece a propriedade privada com 'papel complementar' (art. 22); a da China (1982, rev. 2018) diz que a liderança do Partido Comunista 'is the defining feature of socialism with Chinese characteristics' (art. 1) e que a base do sistema é a 'socialist public ownership' (art. 6), mas também que 'Citizens' lawful private property is inviolable' (art. 13). Logo, o traço comum não é a abolição literal de toda propriedade privada, e sim propriedade pública como base + partido dirigente inscrito na Constituição. A Constituição da Venezuela (1999, rev. 2009) não tem nenhum dos dois: 'The right of property is guaranteed' (art. 115). Socialismo (SEP): exige que 'o grosso dos meios de produção esteja sob controle social e democrático'; sem isso é 'estatismo, não socialismo'. Social-democracia: 'domar o capitalismo' via governos eleitos, seguro social e bens públicos; o Estado de bem-estar é híbrido capitalista com 'alguns elementos socialistas'. Fascismo: Paxton (2004, p. 218) o define literalmente como 'a form of political behavior marked by obsessive preoccupation with community decline, humiliation, or victimhood and by compensatory cults of unity, energy, and purity, in which a mass-based party of committed nationalist militants, working in uneasy but effective collaboration with traditional elites, abandons democratic liberties and pursues with redemptive violence and without ethical or legal restraints, with the goals of internal cleansing and external expansion' (a Stanford Encyclopedia of Philosophy não tem verbete sobre fascismo); Griffin, como 'ultranacionalismo populista palingenético'; Eco lista 14 traços do 'Ur-Fascismo' (criticados como elásticos); Gentile fala em 'sacralização da política' com partido único, culto ao líder, economia corporativista e imperialismo. Extrema direita (Mudde, 2019): 'antissistema e hostil à democracia liberal'; divide-se em direita extrema (rejeita soberania popular e regra da maioria) e direita radical (aceita, mas ataca direitos de minorias, separação de poderes e Estado de direito); a direita radical populista combina nativismo, autoritarismo e populismo. Liberalismo e conservadorismo (SEP): para os liberais clássicos 'liberty and private property are intimately related', enquanto o liberalismo 'novo' ou 'social' contesta essa ligação; o conservadorismo 'mistrusts both a priori reasoning and revolution' e 'It is reaction and not conservatism that is inherently authoritarian' — por isso 'conservador' não é sinônimo de 'extrema direita'.

“O que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa.”
— Marx e Engels, 1848fonte
“Neste sentido, os comunistas podem condensar a sua teoria numa única expressão: supressão [Aufhebung] da propriedade privada.”
— Marx e Engels, 1848fonte
“centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo”
— Marx e Engels, 1848fonte
“Fascism is a form of political behavior marked by obsessive preoccupation with community decline, humiliation, or victimhood and by compensatory cults of unity, energy, and purity, in which a mass-based party of committed nationalist militants, working in uneasy but effective collaboration with traditional elites, abandons democratic liberties and pursues with redemptive violence and without ethical or legal restraints, with the goals of internal cleansing and external expansion”
— Robert Paxton, 2004fonte
“The leadership of the Communist Party of China is the defining feature of socialism with Chinese characteristics”
— Constituição da China, art. 1, 2018fonte
“Citizens' lawful private property is inviolable”
— Constituição da China, art. 13, 2018fonte
“The Republic of Cuba is governed by a socialist economic system based on ownership by all people of the fundamental means of production”
— Constituição de Cuba, art. 18, 2019fonte
“The right of property is guaranteed”
— Constituição da Venezuela, art. 115, 2009fonte
“For classical liberals — 'old' liberals — liberty and private property are intimately related”
— Stanford Encyclopedia of Philosophy, 25/02/2026fonte
“It is reaction and not conservatism that is inherently authoritarian”
— Stanford Encyclopedia of Philosophy, 18/07/2025fonte
“Libertarians take individual freedom as the paramount political value”
— Stanford Encyclopedia of Philosophy, 07/08/2023fonte

Capítulo 3 · 1990 a 2021

Como se mede: a régua de Zucco & Power (1990-2021) e as posições de cada partido

A Brazilian Legislative Survey (Zucco & Power, Latin American Politics and Society, 2024) tem nove ondas (1990-2021) em que legisladores posicionam os partidos numa escala 1-10 com redação idêntica; as estimativas são reescaladas para aproximadamente -1 (esquerda) a +1 (direita), com 17.974 avaliações de 24 partidos por 1.031 legisladores e erro padrão de ~0,03-0,05; correlação de 0,97 com o survey de especialistas PREPPS. 'Centro' é definido como -0,25 a +0,25. Posições em 2021: PSOL -0,874; PCdoB -0,822; PT -0,691; PSB -0,427; PDT -0,356; Cidadania -0,014; PROS +0,032; MDB +0,137; PSDB +0,157; SD +0,190; PSD +0,296; PODE +0,386; DEM (hoje União) +0,431; PTB +0,455; PL +0,493; PP +0,510; Republicanos +0,550; PSC +0,596; Novo +0,711; PSL +0,803. Presidentes: Sarney 0,50; Collor 0,62; Itamar 0,13; FHC 0,18; Lula I-II -0,41; Dilma I -0,41; Dilma II -0,50; Temer 0,55; Bolsonaro 0,87, 'o presidente mais extremo da era democrática'. O PT moderou-se de -0,931 (1990) e -0,793 (2001) para -0,525 (2005) e voltou a -0,691 (2021); o PL ficou estável à direita por 30 anos (0,574 em 1990; mínimo 0,328 em 2009; 0,493 em 2021). Os autores observam polarização crescente e 'esvaziamento do centro', e que o PL 'voltou ao lado conservador nas ondas recentes'. Outras réguas (V-Party, PREPPS, Manifesto Project) e a autoposicionamento do eleitorado estão no capítulo seguinte; o Latinobarómetro 2024 coloca o Brasil entre os países com média acima de 5,0 (sem decimal informado) e o Chapel Hill Expert Survey não cobre o Brasil.

PT na BLS 2021
-0,69 escala -1 (esquerda) a +1 (direita)
escala -1 (esquerda) a +1 (direita) · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PSOL na BLS 2021
-0,87 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PCdoB na BLS 2021
-0,82 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PL na BLS 2021
0,49 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PP na BLS 2021
0,51 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Republicanos na BLS 2021
0,55 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Novo na BLS 2021
0,71 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PSL na BLS 2021
0,8 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
MDB na BLS 2021
0,14 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PSDB na BLS 2021
0,16 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Bolsonaro (presidente) na BLS
0,87 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2013/2017/2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Lula I-II (presidente) na BLS
-0,41 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2013/2017/2021
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PT na BLS 2005 (ponto de maior moderação)
-0,53 escala -1 a +1
escala -1 a +1 · referente a 2005
Fonte: Cambridge Core (material suplementar)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Capítulo 4 · 1990 a 2026-10-02

Outras réguas: V-Party, PREPPS, Manifesto Project e o que o eleitor diz de si

V-Party (V-Dem, v2, fev/2022): 9-10 especialistas por partido-ano posicionam os partidos na economia de 0 ('Far-left') a 6 ('Far-right'); pela definição do codebook, a esquerda econômica quer 'government to play an active role in the economy' e a direita, 'privatization, lower taxes, less regulation'. Em 2018: PT 1,39 (entre 'esquerda' e 'centro-esquerda'), PSB 1,84, PDT 1,92, MDB 3,66, PSD 4,18, PSDB 4,20, PR/PL 4,44, Republicanos 4,52, DEM 4,59, PP 4,79 e PSL (partido de Bolsonaro em 2018) 5,37, entre 'direita' e 'extrema direita'; o intervalo de credibilidade do PSL não se sobrepõe ao de nenhum outro partido. O PT moveu-se de 1,04 (1990) para 1,82 (2010) e 1,39 (2018). Na dimensão democrática de 2018, o PSL tinha o maior antipluralismo do sistema (0,95 de 1), pluralismo 1,89 de 4 e a menor rejeição da violência (1,92 de 4); o PT tinha o maior índice de populismo (0,78) e um dos maiores compromissos com o pluralismo (3,90 de 4; antipluralismo 0,03). PSOL, PCdoB, Novo e o PL pós-2021 não foram codificados (limiar de inclusão; não há onda de 2022). PREPPS (2018-19), survey de especialistas, escala geral de 1 (esquerda) a 20 (direita): PSOL 1,66; PT 5,04; PDT 6,66; PSB 7,97; Rede 9,33; PV 9,77; PTB 13,88; MDB 14,66; PSDB 14,77; PSD 15,81; Podemos 15,95; Republicanos 16,81; Temer 16,82; PP 17,00; PR (atual PL) 17,05; DEM 18,09; Novo 18,31; PSL 18,35; Bolsonaro 19,26. As três réguas (BLS, PREPPS, V-Party) dão quase a mesma ordem (exceção: PTB) e, em todas, o PT fica longe do polo esquerdo (PSOL) e PSL/Bolsonaro ocupam o polo direito. Manifesto Project: codifica programas presidenciais brasileiros de 1989 a 2018 (inclusive Bolsonaro 2018) e registra o PL nas coligações de Lula de 2002 e 2006 (vice José Alencar); Tarouco (2022) mostra que a polarização programática cai até 2010 e atinge o máximo em 2018, puxada pelo programa de Bolsonaro (conservadorismo e liberdade de mercado) e pelo do PT (bem-estar: 14,4% das frases em 2010, 19,2% em 2018), e não usa a escala RILE por ter sido 'questionada em outros trabalhos'. O eleitor: no Datafolha de dez/2025 (autodeclaração, escala 1 a 7), 46% se dizem de direita ou centro-direita (35% + 11%), 29% de esquerda ou centro-esquerda (22% + 7%) e 17% de centro; no índice de valores do Datafolha (jun/2026), direita 44%, esquerda 39%, centro 17% (2013: 39% x 41%; 2014: 45% x 35%; 2017: 40% x 41%; 2022: 34% x 49%), mas no eixo econômico isolado 46% estão à esquerda e 28% à direita. Autodeclaração e índice de valores não são comparáveis entre si. Latinobarómetro 2026 (02/10/2026): classifica o governo do Brasil entre os 4 'gobiernos de izquierda' (com México, Guatemala e Uruguai), distinto das 3 'dictaduras' (El Salvador, Venezuela, Nicarágua); apoio à democracia no Brasil de 41%, o segundo menor da região; o informe não publica a média de autoposicionamento por país.

“Parties on the economic left want government to play an active role in the economy. This includes higher taxes, more regulation and government spending and a more generous welfare state. Parties on the economic right emphasize a reduced economic role for government: privatization, lower taxes, less regulation, less government spending, and a leaner welfare state.”
— Codebook V-Party v2, fev/2022fonte
“Please locate each party on a general left-right dimension, taking all aspects of party policy into account. Left (1) Right (20)”
— Questionário PREPPS, 07/02/2021fonte
“O MP também calcula a escala RILE, da dimensão esquerda-direita, que não foi incorporada na presente análise por já ter sido questionada em outros trabalhos”
— Gabriela Tarouco (nota 3), 2022fonte
“cuando se ideologiza la calificación de una democracia, se daña la [democracia]”
— Informe Latinobarómetro 2026, 02/10/2026fonte
PT no V-Party 2018 (posição econômica)
1,39 escala 0 (extrema esquerda) a 6 (extrema direita)
escala 0 (extrema esquerda) a 6 (extrema direita) · referente a 2018
Fonte: V-Dem (vdemdata, GitHub)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PR/PL no V-Party 2018 (posição econômica)
4,44 escala 0 a 6
escala 0 a 6 · referente a 2018
Fonte: V-Dem (vdemdata, GitHub)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PSL no V-Party 2018 (posição econômica)
5,37 escala 0 a 6
escala 0 a 6 · referente a 2018
Fonte: V-Dem (vdemdata, GitHub)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Antipluralismo do PSL (V-Party 2018)
0,95 índice 0 a 1
índice 0 a 1 · referente a 2018
+0,92 índice 0 a 1em relação a PT (0,03 índice 0 a 1)
Fonte: V-Dem (vdemdata, GitHub)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Populismo do PT (V-Party 2018)
0,78 índice 0 a 1
índice 0 a 1 · referente a 2018
+0,43 índice 0 a 1em relação a PSL (0,35 índice 0 a 1)
Fonte: V-Dem (vdemdata, GitHub)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PT no PREPPS (2018-19)
5,04 escala 1 (esquerda) a 20 (direita)
escala 1 (esquerda) a 20 (direita) · referente a 2018-2019
+3,38 escala 1 (esquerda) a 20 (direita)em relação a PSOL (1,66 escala 1 (esquerda) a 20 (direita))
Fonte: Harvard Dataverse (PREPPS)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
PR (atual PL) no PREPPS (2018-19)
17,1 escala 1 a 20
escala 1 a 20 · referente a 2018-2019
Fonte: Harvard Dataverse (PREPPS)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Bolsonaro (presidente) no PREPPS (2018-19)
19,3 escala 1 a 20
escala 1 a 20 · referente a 2018-2019
Fonte: Harvard Dataverse (PREPPS)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Eleitores que se dizem de direita ou centro-direita (Datafolha, autodeclaração)
46%
% · referente a 2025-12
+17 p.p.em relação a esquerda ou centro-esquerda (29%)
Fonte: Diário de Pernambuco(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Eleitores à direita no índice de valores (Datafolha)
44%
% · referente a 2026-06
+5 p.p.em relação a à esquerda (39%)
Fonte: CartaCapital(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Eleitores à esquerda no eixo econômico (Datafolha)
46%
% · referente a 2026-06
+18 p.p.em relação a à direita (28%)
Fonte: CartaCapital(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Apoio à democracia no Brasil (Latinobarómetro)
41%
% · referente a 2026
Fonte: Latinobarómetro(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Capítulo 5 · 1922 a 2021-11-30

Raízes históricas no Brasil: PCB (1922), Intentona (1935), 1964, PT (1980), PL (1985/2006)

O PCB foi fundado em março de 1922. Em novembro de 1935 Prestes liderou revolta militar que se tornou o 'mito fundador da ameaça comunista'; em novembro de 1937, sob pretexto de um complô comunista (Plano Cohen), instaurou-se o Estado Novo; o registro do PCB foi cassado em 1947 e o partido ficou ilegal até 1985; Prestes e o PCB serviram de pretexto para o golpe de 1964. O uso de 'comunista' como acusação política é herança direta de 1935-37 e de 1964. O PCdoB (cisão de 1962) é aliado do PT no plano federal desde a Frente Brasil Popular de 1989 (PT, PCdoB e PSB) e integra desde 2022 a federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV). O PT foi fundado em 1980 (TSE nº 13); a Carta ao Povo Brasileiro (22/06/2002) marcou a virada ao centro: 'Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país'; 'Vamos preservar o superávit primário o quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente'. O PSOL nasceu em 2004 'em protesto contra a moderação do PT durante o primeiro governo Lula'. O PL original foi fundado em 25/06/1985 por Álvaro Valle; Valdemar Costa Neto assumiu em 2000; fusão com o PRONA em 26/10/2006 (Partido da República); volta ao nome PL em 07/05/2019; Bolsonaro filiou-se em 30/11/2021. O PL integrou as coligações de Lula em 2002 e 2006 (vice José Alencar), segundo a lista de partidos do Manifesto Project. O PL que Bolsonaro adotou era um partido de direita clientelista de Centrão (BLS ≈ +0,4); a radicalização medida pela BLS está no movimento (PSL +0,80; Bolsonaro +0,87), que depois ocupou a sigla.

“Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país”
— Lula (Carta ao Povo Brasileiro), 22/06/2002fonte

Capítulo 6 · 2003 a 2026-04-26

O PT no poder: o que fez e o que isso diz sobre os rótulos

O governo Lula 3 chegou ao fim de 2025 com 50 leilões federais de rodovias, portos e aeroportos, o maior volume da história (45 de Bolsonaro, 26 de FHC), R$ 247 bi previstos em rodovias; 84% do investimento em infraestrutura de 2025 era privado (Abdib). O Ibovespa fechou 2025 em 161.125 pontos (+33,95%, 32 recordes); o Itaú lucrou R$ 46,8 bi, 'o maior resultado da história de um banco brasileiro'. O Banco Central autônomo (LC 179/2021, do governo Bolsonaro; STF 8x2) foi mantido: Lula disse 'Se eu tivesse voto, eu era contra. Mas tá aí, vai ficar' e Galípolo completou um ano 'com uma postura ainda mais ortodoxa' que a do antecessor. Elementos redistributivos: isenção de IR até R$ 5 mil com imposto mínimo de até 10% sobre renda acima de R$ 600 mil/ano e 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil/mês (sancionada em 2025); fim da paridade de importação na Petrobras (16/05/2023). Em 22/09/2023 Lula disse ao PC Chinês que o PT tem 'fortes laços' com o partido; em 29/07/2023 disse que ser chamado de comunista não o ofende, mas nazista ou terrorista sim. O 8º Congresso do PT (26/04/2026) definiu 'horizonte programático o socialismo democrático', com 'acenos ao centro'. Comparação quantitativa: a carga tributária total do Brasil foi de 33,7% do PIB em 2024, a maior da América Latina e próxima da média da OCDE (34,1%; média latino-americana 21,7%; Cuba 22,9%); o consumo final do governo geral (18,8% do PIB, Banco Mundial) fica abaixo de Suécia (26,6), França (24,2), Alemanha (22,0) e Espanha (19,3) e também de Cuba (24,8); mas o Gini brasileiro (50,3 em 2024) é muito maior que o das social-democracias europeias (26,5 a 33,9) e de Uruguai (40,0) e Chile (43,0). O indicador de impostos do Banco Mundial (GC.TAX.TOTL.GD.ZS) cobre só o governo central e exclui contribuições sociais, por isso não serve para comparar carga tributária. O programa de Lula para 2026 ('Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo', 84 páginas, 13 diretrizes) foi registrado no TSE em 07-08/08/2026; as fontes que o resumem não citam a palavra 'socialismo' (o texto integral não foi lido). Nenhum critério definidor de comunismo (supressão da propriedade burguesa, banco estatal monopolista, propriedade pública como base do sistema, partido dirigente inscrito na Constituição) está presente; o padrão (regra fiscal + BC autônomo + concessões + transferência de renda + imposto sobre alta renda) é social-democrata. Comparação: a Venezuela chavista é classificada como 'autoritarismo competitivo' e esquerda radical, não comunismo.

“Se eu tivesse voto, eu era contra. Mas tá aí, vai ficar”
— Lula, data não verificadafonte
“horizonte programático o socialismo democrático”
— Manifesto do 8º Congresso do PT, 26/04/2026fonte
“In 2024, tax-to-GDP ratios in the LAC region ranged from 9.2% in Guyana to 33.7% in Brazil”
— OCDE/CEPAL/BID/CIAT, 2024fonte
Leilões federais de infraestrutura (Lula 3, 2023-2025)
50 leilões
leilões · referente a 2023-2025
+5 leilõesem relação a Bolsonaro (2019-2022) (45 leilões)
Fonte: Jornal de Brasília(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Alta do Ibovespa em 2025
34%
% · referente a 2025
Fonte: B3(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Lucro do Itaú em 2025
46,8 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
Fonte: BP Money(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Investimento privado em infraestrutura (2025)
84%
% · referente a 2025
Fonte: Jornal de Brasília(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga tributária total do Brasil (OCDE)
33,7%
% do PIB · referente a 2024
−0,4 p.p.em relação a média OCDE (34,1%)
Fonte: OCDE(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga tributária média da América Latina e Caribe (OCDE)
21,7%
% do PIB · referente a 2024
Fonte: OCDE(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Gini do Brasil (Banco Mundial)
50,3 índice 0-100
índice 0-100 · referente a 2024
+21 índice 0-100em relação a Suécia (2023) (29,3 índice 0-100)
Fonte: Banco Mundial (API)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Consumo final do governo geral do Brasil (Banco Mundial)
18,8%
% do PIB · referente a 2024
−7,8 p.p.em relação a Suécia (26,6%)
Fonte: Banco Mundial (API)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Capítulo 7 · 2018 a 2026-08-14

O bolsonarismo e o PL: direita radical populista, o debate 'fascista' e o programa de 2026

Zanotti, Rama & Tanscheit (2023) tratam Bolsonaro como 'primeiro presidente PRR da região': nativismo como exclusão racial/étnica, autoritarismo em 'lei e ordem', elogio à ditadura e conservadorismo moral, populismo antipetista; eleitores brancos, evangélicos, de renda mais alta, favoráveis a 'mão dura' e com menor apego à democracia. Camila Rocha descreve a 'nova direita' ultraliberal-conservadora (2006-2010) e estima o núcleo duro do bolsonarismo em 12-15% do eleitorado. Lilia Schwarcz (2021) chama o bolsonarismo de 'movimento retrógrado, de extrema direita, populista e tecnocrata'; Esther Solano falou em 'espécie de pinochetismo' (2018); nos textos localizados, nenhuma das duas o classifica como 'fascista' em sentido estrito. Nos dados do V-Party de 2018 (anteriores ao 8 de janeiro), o PSL de Bolsonaro tinha o maior índice de antipluralismo do sistema (0,95 de 1), base empírica para a distinção de Mudde entre direita radical e direita extrema. Debate 'fascista': a favor, 8 acadêmicos da USP (2020) e o projeto da PUC-SP (~40 pesquisadores); com cautela, Casarões (FGV), Magalhães (FAAP/PUC-SP) e Caldeira Neto (UFJF), do Observatório da Extrema Direita, que lembram que o governo incluía liberais como Guedes; Emilio Gentile considera 'um equívoco'; categorias intermediárias: 'wannabe fascism' (Finchelstein), 'Fascism Lite', 'neofascismo'. Paxton: um fenômeno não precisa caber na fôrma europeia para ser classificado como fascista ou neofascista. Levitsky elogiou no Senado (12/08/2025) a resposta do STF ao 8 de janeiro. Em 11/09/2025 o STF condenou Bolsonaro (4x1) por tentativa de golpe; trânsito em julgado em 25/11/2025. PL: 121 deputados e 29 senadores (out/2026); classificação enciclopédica 'direita a extrema direita'; antes de 2021, Centrão. Programa 2026 de Flávio ('Para o Brasil Vencer o Atraso', 13/08/2026, 9 eixos): PCC/CV/milícias como 'narcoterroristas', maioridade penal aos 16, castração química, 1 milhão de câmeras com reconhecimento facial; revisar a reforma tributária e reduzir impostos; escolas cívico-militares e vouchers; meta de 4% a.a., R$ 900 bi em infraestrutura; mudanças no STF, fim da reeleição; corte de 10 ministérios e retomada das desestatizações. Flávio mantém a referência liberal de Guedes e diz que o Bolsa Família 'é direito adquirido', mas não deve ser 'o fim da estrada'. Perfil: liberal na economia, autoritário/punitivista nos valores; sem proposta de regime militar ou suspensão de eleições.

O que a acusação dizia

Parte da academia (USP, PUC-SP): o bolsonarismo reúne ultranacionalismo, aceitação da violência, intolerância ao dissenso e culto ao líder, traços fascistas.

O que a defesa dizia

Outra parte (UFJF, Gentile) e o próprio PL: o conceito de fascismo é estreito; o governo incluía liberais; o partido disputa eleições e seu programa é liberal na economia e conservador em segurança.

“O bolsonarismo é um movimento retrógrado, de extrema direita, populista e tecnocrata”
— Lilia Schwarcz, 22/02/2021fonte
“é direito adquirido do povo brasileiro”
— Flávio Bolsonaro, ago/2026fonte
Núcleo duro do bolsonarismo (estimativa de Camila Rocha)
12%
% do eleitorado (12-15%) · referente a 2021
Fonte: Jornal Opção(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Bancada do PL na Câmara
121 deputados
deputados · referente a 2026-10
Fonte: Wikipedia (en) — fonte secundária(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Bancada do PL no Senado
29 senadores
senadores · referente a 2026-10
Fonte: Wikipedia (en) — fonte secundária(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Capítulo 8 · 2020-05 a 2026-07

O que as checagens dizem sobre os rótulos

'Lula assumiu ser comunista' = FALSO (Aos Fatos, 30/09/2024): montagem de dois discursos de 2023 em que Lula não afirma ser comunista. 'Lula quer implantar comunismo chinês' = ENGANOSO (Comprova/Metrópoles, 21/07/2022): junta cenas de agressão em banco na China (2016) a entrevista de 2021 em que Lula elogia o desenvolvimento chinês. 'Apoiadores de Bolsonaro fizeram saudação nazista' = FALSO (Aos Fatos, mai/2020): era oração com imposição de mãos. 'Bolsonaro se alistou no exército nazista' = FALSO (Aos Fatos, fev/2022): gravação do CQC (2012) editada. 'Bolsonaro é fascista' não é checável como fato; é classificação acadêmica contestada. Não foram encontradas checagens com os enunciados 'PT quer implantar ditadura' e 'PL quer ditadura militar'. A palavra 'ditadura' circula nos dois lados como juízo político: Flávio Bolsonaro chamou Lula de 'projeto de ditador' (01/08/2026) e disse que o pai é o 'último obstáculo' contra uma ditadura (ago/2026); José Dirceu (PT) disse que Flávio 'é golpista como o pai'. Essas frases não são enunciados factuais checáveis; o checável é a condenação judicial de Bolsonaro por tentativa de golpe, de um lado, e a ausência de ato ou proposta de suspensão de eleições, do outro; a Lupa documenta (jul/2026) que a desinformação eleitoral recorre a episódios históricos de golpes e narrativas de intervenção militar, e estudo sobre 2022 aponta que 'informações fraudulentas em favor a pautas ou candidatos conservadores foram mais comuns'. Quadro para o leitor: (a) 'PT é comunista' — errado pelas definições e pelas políticas; (b) 'PT quer ditadura' — sem evidência; (c) 'Bolsonaro é fascista' — contestado; (d) 'Bolsonaro é nazista' — falso; (e) 'PL quer ditadura militar' — exagerado quanto ao programa, mas o líder do partido foi condenado por tentativa de golpe.

“projeto de ditador”
— Flávio Bolsonaro, 01/08/2026fonte
“último obstáculo”
— Flávio Bolsonaro, ago/2026fonte
“é golpista como o pai”
— José Dirceu, data não verificadafonte

O que cada lado diz hoje

Peças virais da direita (checadas pela Aos Fatos em 30/09/2024 e pelo Comprova em 21/07/2022)

“Lula assumiu ser comunista / quer implantar o comunismo chinês no Brasil”

Falso
Setores da esquerda e parte da academia (PUC-SP, 8 acadêmicos da USP, 2020)

“Bolsonaro é fascista”

Opinião

Palavras difíceis

Esquerda / Direita
Rótulos nascidos da disposição dos assentos na Assembleia francesa de 1789 (direita: defensores do veto absoluto do rei; esquerda: limitadores do poder real); hoje associam-se, grosso modo, a igualdade/mudança vs. ordem/hierarquia/tradição.
Centro (na BLS)
Partido cuja posição na escala de Zucco & Power (-1 a +1) fica entre -0,25 e +0,25; em 2021: MDB, PSDB, Cidadania, PROS, SD, PV.
Comunismo
Doutrina de Marx/Engels cuja fórmula é a 'supressão da propriedade privada' (burguesa), com crédito centralizado em banco estatal monopolista; na prática constitucional de Cuba e China, o que distingue o sistema é a propriedade pública dos meios de produção como 'base' e a direção do Partido Comunista inscrita na Constituição — não a abolição literal de toda propriedade privada (a China protege a 'propriedade privada legal', art. 13; Cuba reconhece a privada 'complementar', art. 22).
Socialismo
Sistema em que 'o grosso dos meios de produção está sob controle social e democrático' (SEP); sem controle democrático é 'estatismo, não socialismo'.
Social-democracia
Estratégia de 'domar o capitalismo' via governos eleitos, seguro social e bens públicos, mantendo a propriedade privada; o Estado de bem-estar é um híbrido capitalista com 'elementos socialistas'.
Socialismo democrático
Via reformista/eleitoral; autodefinição programática do PT no 8º Congresso (2026): 'horizonte programático o socialismo democrático'.
Liberalismo econômico
Defesa de mercados livres, menos Estado, privatizações e impostos baixos; no Brasil associado a Paulo Guedes e ao Novo (+0,711 na BLS 2021). Na SEP (verbete 'Liberalism', rev. 25/02/2026): 'For classical liberals — old liberals — liberty and private property are intimately related'.
Liberalismo social ('new', 'revisionist', 'welfare state' ou 'social justice' liberalism)
Corrente que, segundo a SEP (§2.2), 'challenges this intimate connection between personal liberty and a private property based market order': defende liberdades civis e direitos individuais com intervenção estatal para garantir igualdade de oportunidades.
Libertarianismo
SEP (verbete 'Libertarianism', rev. 07/08/2023): 'Libertarians take individual freedom as the paramount political value'; defendem 'an economic order based on private property rights, freedom of contract, and voluntary cooperation', com o Estado limitado a 'the enforcement of a system of rights that facilitate socioeconomic cooperation, and little else' (Estado mínimo de Nozick).
Conservadorismo
Abordagem que 'desconfia tanto do raciocínio a priori quanto da revolução' e vê as tradições 'não como estáticas, mas em fluxo suave e gradual' (SEP, verbete 'Conservatism', rev. 18/07/2025); a SEP distingue conservadorismo de reação e do 'right-wing radicalism': 'It is reaction and not conservatism that is inherently authoritarian' — por isso 'conservador' e 'extrema direita' não são sinônimos.
Populismo
Visão do 'povo puro' contra 'elites corruptas'; pode ser de direita ou de esquerda (síntese a partir de Mudde).
Nativismo
Mudde: o Estado deve ser habitado pelo grupo 'nativo'; no Brasil aparece como exclusão racial/étnica, não anti-imigração.
Autoritarismo (como traço ideológico)
Crença numa sociedade estritamente ordenada em que desafios à autoridade são punidos severamente ('lei e ordem').
Extrema direita (far right)
Família antissistema e hostil à democracia liberal; divide-se em direita radical e direita extrema (Mudde).
Direita radical (populista)
Aceita soberania popular e regra da maioria, mas ataca direitos de minorias, separação de poderes e Estado de direito; combina nativismo, autoritarismo e populismo.
Direita extrema
Rejeita soberania popular e regra da maioria; é revolucionária/antidemocrática (Mudde).
Fascismo
Paxton ('The Anatomy of Fascism', 2004, p. 218): 'a form of political behavior marked by obsessive preoccupation with community decline, humiliation, or victimhood and by compensatory cults of unity, energy, and purity, in which a mass-based party of committed nationalist militants, working in uneasy but effective collaboration with traditional elites, abandons democratic liberties and pursues with redemptive violence and without ethical or legal restraints, with the goals of internal cleansing and external expansion'; Griffin: 'ultranacionalismo populista palingenético'. A Stanford Encyclopedia of Philosophy não tem verbete 'Fascism' (verificado em 21/10/2026).
Nazismo
Variante alemã do fascismo com racismo biológico e antissemitismo exterminador como núcleo (definição de trabalho).
Autoritarismo competitivo
Regime com eleições, mas campo tão desnivelado pelo governo que a oposição só vence alguns cargos; aplicado à Venezuela chavista.
Centrão
Bloco de partidos de centro/centro-direita pragmáticos e clientelistas (PP, Republicanos, PL pré-2021, PSD).
Bolsonarismo
Movimento social de direita radical populista em torno de Jair Bolsonaro, distinto do Centrão; núcleo duro estimado em 12-15% do eleitorado (Rocha).
Antipetismo
Identidade negativa em relação ao PT; principal variável explicativa do voto em Bolsonaro em 2018.
V-Party (V-Dem)
Base de dados do V-Dem Institute (v2, fev/2022) em que 9-10 especialistas por partido-ano codificam partidos de 1990 a 2018; posição econômica de 0 (extrema esquerda) a 6 (extrema direita) e índices de populismo e antipluralismo de 0 a 1.
Antipluralismo (V-Party)
Índice de 0 a 1 que agrega falta de compromisso com eleições livres e multipartidárias, desrespeito a oponentes, a direitos de minorias e baixa rejeição da violência; em 2018, PSL 0,95 e PT 0,03.
PREPPS
Survey de especialistas (Wiesehomeier, Singer & Ruth-Lovell; campo no outono de 2018 e meados de 2019) que posiciona partidos e presidentes numa escala geral de 1 (esquerda) a 20 (direita).
Manifesto Project / RILE
Projeto do WZB que codifica frase a frase programas eleitorais; para o Brasil cobre programas presidenciais de 1989 a 2018. A literatura brasileira que o usa (Tarouco, 2022) não recomenda a escala esquerda-direita RILE, 'questionada em outros trabalhos'.
Brazilian Legislative Survey (BLS)
Survey de deputados e senadores (Power & Zucco), nove ondas 1990-2021, em que parlamentares posicionam partidos numa escala 1-10 reescalada para -1 (esquerda) a +1 (direita).

Perguntas frequentes

Da Assembleia Constituinte francesa: em 11 de setembro de 1789, no debate sobre o veto do rei Luís XVI, os defensores do veto absoluto sentaram-se à direita do presidente da Assembleia e os que queriam limitar o poder real, à esquerda. A posição física virou rótulo político duradouro; o conteúdo que carregam hoje é convenção histórica, não definição natural.

Não, pelos critérios do próprio Marx (supressão da propriedade privada, crédito centralizado em banco estatal monopolista) e das constituições de Cuba e China (propriedade pública dos meios de produção como base do sistema e direção do Partido Comunista inscrita no texto; note que nem elas aboliram toda propriedade privada: a chinesa diz, no art. 13, que 'Citizens' lawful private property is inviolable', e a cubana reconhece a propriedade privada com 'papel complementar', art. 22). Sob o PT há propriedade privada, recorde de concessões (50 leilões federais em 2023-2025), Banco Central autônomo, lucro recorde do Itaú (R$ 46,8 bi em 2025) e eleições competitivas. O PT se define como de 'socialismo democrático' e suas políticas (transferência de renda, SUS, imposto mínimo sobre alta renda) são, na definição acadêmica, 'elementos socialistas' de um híbrido capitalista, como na Suécia ou na Alemanha.

Não, pela régua acadêmica. Na Brazilian Legislative Survey (2021), o PT está em -0,691; o polo esquerdo é ocupado por PSOL (-0,874) e PCdoB (-0,822). No survey de especialistas PREPPS (2018-19, escala 1 a 20) o PT tem 5,04, contra 1,66 do PSOL; no V-Party 2018 (0 a 6), 1,39, entre 'esquerda' (1) e 'centro-esquerda' (2). O Latinobarómetro 2026 classifica o governo Lula como 'de izquierda', ao lado de México, Guatemala e Uruguai, e o separa das 'dictaduras' (El Salvador, Venezuela, Nicarágua). O PSOL nasceu em 2004 justamente como protesto contra a moderação do PT. O PT moderou-se entre 2001 (-0,793) e 2005 (-0,525) e voltou a se deslocar à esquerda após 2013.

É uma classificação acadêmica contestada, não um fato checável. A classificação com maior consenso é 'direita radical populista' (nativismo, autoritarismo/lei e ordem/elogio à ditadura, populismo antipetista); a BLS o mede em +0,87, o presidente mais à direita da era democrática. Há acadêmicos que usam 'fascista' ou 'neofascismo' e outros que rejeitam (Gentile) ou qualificam ('wannabe fascism'). Peças que o associam ao nazismo foram checadas como falsas.

O programa 2026 de Flávio Bolsonaro não propõe regime militar nem suspensão de eleições; propõe agenda liberal na economia e punitivista em segurança, além de limitar o STF e acabar com a reeleição. Mas o líder histórico do partido foi condenado pelo STF (11/09/2025) por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado democrático de direito, o que, pelos critérios de Mudde, desloca o núcleo bolsonarista da 'direita radical' para a 'direita extrema' (rejeição da regra da maioria). O PL como organização disputa eleições e tem a maior bancada do Congresso.

Não há evidência: o PT perdeu a eleição de 2018 e entregou o poder, disputa o 2º turno de 2026 e seu programa fala em 'socialismo democrático'. Não foi localizada checagem específica com esse enunciado, nem ato ou proposta que o sustente.

BLS 2021 (escala -1 a +1): PSOL -0,874; PCdoB -0,822; PT -0,691; PSB -0,427; PDT -0,356; Cidadania -0,014; PROS +0,032; MDB +0,137; PSDB +0,157; SD +0,190; PSD +0,296; PODE +0,386; DEM/União +0,431; PTB +0,455; PL +0,493; PP +0,510; Republicanos +0,550; PSC +0,596; Novo +0,711; PSL +0,803. PCB, UP, Avante e Missão não foram medidos.

Depende da régua. No V-Party 2018 (especialistas do V-Dem), o PSL, então partido de Bolsonaro, tinha o maior índice de antipluralismo do sistema (0,95 de 1) e a menor rejeição da violência (1,92 de 4); o PR (atual PL) daquela eleição tinha antipluralismo de 0,17, perto de PSDB (0,23) e MDB (0,12). O PL só passou a abrigar o bolsonarismo em nov/2021 e não foi codificado depois. No mesmo levantamento, o PT era o partido com maior índice de populismo (0,78; antielitismo 3,49 de 4) e um dos mais comprometidos com o pluralismo (3,90 de 4; antipluralismo 0,03). Populismo e antipluralismo são dimensões diferentes.

Depende da pergunta. Na autodeclaração do Datafolha (dez/2025, escala 1 a 7), 46% se dizem de direita ou centro-direita, 29% de esquerda ou centro-esquerda e 17% de centro. No índice de valores do Datafolha (jun/2026), 44% ficam à direita e 39% à esquerda, a primeira vantagem numérica da direita desde 2014; mas no eixo econômico isolado 46% estão à esquerda e 28% à direita. As duas medidas não são comparáveis entre si.

Especialistas ouvidos pela CNN Brasil classificam o regime Chávez/Maduro como esquerda radical autoritária ('autoritarismo competitivo', 'total nacionalização da economia', poderes subordinados), não como comunismo; 'socialismo do século XXI' é autodenominação. A Constituição venezuelana (1999, rev. 2009) garante o direito de propriedade (art. 115: 'The right of property is guaranteed') e a livre iniciativa (art. 112); não inscreve propriedade pública como base nem partido dirigente, ao contrário das de Cuba e China. Comparar o PT à Venezuela exigiria mostrar ruptura democrática (não divulgação de atas, subordinação dos poderes), que não ocorreu no Brasil.

Fontes

  1. 1
    Wikipedia (en) — fonte secundária
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  2. 2
    Vermelho (PCdoB)
    Fonte partidária · acesso em 21/10/2026
  3. 3
    Marxists Internet Archive (texto de Marx/Engels)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  4. 4
    CECC (EUA)
    Oficial · acesso em 21/10/2026
  5. 5
    Revista Universidad Sergio Arboleda
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  6. 6
    Wikipedia (en) — fonte secundária
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  7. 7
    OER Project
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  8. 8
    Constitute Project
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  9. 9
    Constitute Project
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  10. 10
    Constitute Project
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  11. 11
    Stanford Encyclopedia of Philosophy
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  12. 12
    Stanford Encyclopedia of Philosophy
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  13. 13
    Stanford Encyclopedia of Philosophy
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  14. 14
    Resenha Crítica
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  15. 15
    Stanford Encyclopedia of Philosophy
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  16. 16
    Cambridge Core
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  17. 17
    Cambridge Core (material suplementar)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  18. 18
    El Mundo (El Salvador)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  19. 19
    Redalyc / Opinião Pública
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  20. 20
    V-Dem Institute
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  21. 21
    V-Dem (vdemdata, GitHub)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  22. 22
    Harvard Dataverse (PREPPS)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  23. 23
    Manifesto Project (WZB)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  24. 24
    Revista Estudos Avançados (USP)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  25. 25
    Diário de Pernambuco
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  26. 26
    CartaCapital
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  27. 27
    Latinobarómetro
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  28. 28
    Correio Braziliense (blogs)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  29. 29
    Portal Latino-Americano USP
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  30. 30
    Correio Braziliense (blogs)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  31. 31
    Wikipedia (en) — fonte secundária
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  32. 32
    Wikipedia (en) — fonte secundária
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  33. 33
    Congresso em Foco
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  34. 34
    Wikipedia (en) — fonte secundária
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  35. 35
    CNN Brasil
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  36. 36
    B3 Bora Investir
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  37. 37
    Aos Fatos
    Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
  38. 38
    CartaCapital
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  39. 39
    Jovem Pan
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  40. 40
    Correio Braziliense (edição impressa)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  41. 41
    B3
    Oficial · acesso em 21/10/2026
  42. 42
    Jornal de Brasília
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  43. 43
    BP Money
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  44. 44
    Poder360
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  45. 45
    OCDE
    Multilateral · acesso em 21/10/2026
  46. 46
    Banco Mundial (API)
    Multilateral · acesso em 21/10/2026
  47. 47
    Congresso em Foco
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  48. 48
    CNN Brasil
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  49. 49
    Banco Mundial (API)
    Multilateral · acesso em 21/10/2026
  50. 50
    Jornal de Brasília
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  51. 51
    NIEP-Marx (anais)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  52. 52
    Brasil de Fato
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  53. 53
    IHU/Unisinos
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  54. 54
    Dialnet
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  55. 55
    Agência Pública
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  56. 56
    Agência Senado / Senado Federal
    Oficial · acesso em 21/10/2026
  57. 57
    Mercado&Consumo
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  58. 58
    Portal Tela
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  59. 59
    InfoMoney
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  60. 60
    Viva
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  61. 61
    Jornal Opção
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  62. 62
    Aos Fatos
    Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
  63. 63
    Aos Fatos
    Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
  64. 64
    Metrópoles
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  65. 65
    O Povo
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  66. 66
    Portal de Prefeitura
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  67. 67
    Money Times
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  68. 68
    Agência Lupa (relatório)
    Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
  69. 69
    History News Network
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  70. 70
    O Antagonista
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  71. 71
    Banco Mundial (API)
    Multilateral · acesso em 21/10/2026
  72. 72
    Sou Brasília
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  73. 73
    Vermelho (PCdoB)
    Fonte partidária · acesso em 21/10/2026
  74. 74
    InfoMoney
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  75. 75
    V-Dem Institute
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  76. 76
    Harvard Dataverse (PREPPS)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
  77. 77
    Manifesto Project (WZB)
    Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
Ver nota bruta no GitHub