“O Brasil saiu do Mapa da Fome e permanece fora dele”
Lula / PTQuem disse: Governo federal (MDS / Agência Gov), comunicação oficial do governo Lula 3· Onde: Comunicado do MDS/Agência Gov sobre o relatório SOFI 2026 da FAO; tema recorrente em falas de Lula· Quando: · ver a declaração
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toque em cada etapaA FAO retirou o Brasil do Mapa da Fome no relatório SOFI 2025 (dados do triênio 2022-2024) e o manteve fora no SOFI 2026; o fato é correto, mas o triênio inclui o último ano do governo Bolsonaro, o país havia voltado ao Mapa com dados de 2020-2022, e sair do Mapa não significa erradicar a fome: 20,3 milhões ainda viviam insegurança alimentar moderada ou grave em 2023-2025.
“Verdadeiro, mas…” quer dizer: O número está certo, mas a conclusão ou a culpa atribuída não se sustenta sem contexto. Entenda a escala
- Quem disse:
Governo federal (MDS / Agência Gov)
Lado: Governo (Lula / PT)
- Onde e quando:
Comunicado do MDS/Agência Gov sobre o relatório SOFI 2026 da FAO; tema recorrente em falas de Lula
21/07/2026
Ver a declaração original - O que disse:
“O Brasil saiu do Mapa da Fome e permanece fora dele”
Também circula como: Tiramos o Brasil do Mapa da Fome de novo · O Brasil está fora do Mapa da Fome
- Veredito: Verdadeiro, mas…
A FAO retirou o Brasil do Mapa da Fome no relatório SOFI 2025 (dados do triênio 2022-2024) e o manteve fora no SOFI 2026; o fato é correto, mas o triênio inclui o último ano do governo Bolsonaro, o país havia voltado ao Mapa com dados de 2020-2022, e sair do Mapa não significa erradicar a fome: 20,3 milhões ainda viviam insegurança alimentar moderada ou grave em 2023-2025.
“Verdadeiro, mas…” quer dizer: O número está certo, mas a conclusão ou a culpa atribuída não se sustenta sem contexto. Entenda a escala
- O dado real:
Subalimentação (PoU) no triênio 2020-2022: 3,5% (2020-2022)
Fonte: Agência Brasil – Brasil continua fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONU (22/07/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026 - Quem decide:
Pandemia e inflação de alimentos (2020-2022) — explicam o retorno ao Mapa
Também: Mercado de trabalho (emprego e renda em alta desde 2021), Pandemia e inflação de alimentos (2020-2022), FAO (metodologia PoU)
Ver o mapa de quem decide ↓ - Fontes:
- Agência Brasil – Brasil continua fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONU (22/07/2026)
- Poder360 – 33 milhões vivem insegurança alimentar grave no país, diz estudo (Rede PENSSAN, 08/06/2022)
- Monitor Mercantil – Situação de fome recua de 15,5% para 4,1% da população (IBGE, abr/2024)
A FAO retirou o Brasil do Mapa da Fome no relatório SOFI 2025 (dados do triênio 2022-2024) e o manteve fora no SOFI 2026; o fato é correto, mas o triênio inclui o último ano do governo Bolsonaro, o país havia voltado ao Mapa com dados de 2020-2022, e sair do Mapa não significa erradicar a fome: 20,3 milhões ainda viviam insegurança alimentar moderada ou grave em 2023-2025.
Verdadeiro, mas… quer dizer: O número está certo, mas a conclusão ou a culpa atribuída não se sustenta sem contexto. Entenda a escala
Em 3 frases
- 1
A FAO considera que um país está fora do Mapa da Fome quando menos de 2,5% da população passa por subalimentação, e o Brasil cumpriu isso nos relatórios de 2025 e 2026.
- 2
O Brasil havia saído do Mapa em 2014, voltou com os dados de 2020 a 2022, quando 3,5% da população estava subalimentada, e saiu de novo com o triênio 2022 a 2024.
- 3
Como o triênio inclui 2022, último ano do governo Bolsonaro, e dois anos de Lula 3, nenhum dos lados pode reivindicar o indicador sozinho.
Os números
Como isso evoluiu
Pobreza segundo o IBGE (linha de US$ 6,85 PPC/dia)
Parcela da população com renda abaixo de US$ 6,85 por dia (PPC 2017; R$ 694/mês em 2024), segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, 2012–2024.
- ⓡ1 Pobreza em 2024 sem programas sociais (simulação IBGE): 28,7%
- ⓡ2 Nordeste 2023: 47,2%
- ⓡ3 Nordeste 2024: 39,4%
- ⓡ4 Sul 2024: 11,2%
- ⓡ5 Crianças 0–14 anos, 2024: 39,7%
Pobreza segundo o IBGE (linha de US$ 6,85 PPC/dia), de 2012 a 2024 (% da população). O menor valor foi 23,1% em 2024 e o maior, 36,8% em 2021. O dado mais recente é 23,1% em 2024. Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.18 (planilha oficial, FTP).
Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.18 (planilha oficial, FTP)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela (com 6 colunas extras)
| Período | Valor (% da população) | Linha 6 85 | Linha 3 65 | Linha 2 15 | Nordeste 6 85 | Observação | Pessoas milhoes |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2012 | 34,7% | 34,73 | 14,45 | 6,59 | 56,45 | — | — |
| 2013 | 32,5% | 32,48 | 13,29 | 5,84 | — | — | — |
| 2014 | 30,9% | 30,88 | 12,09 | 5,19 | 50,81 | — | — |
| 2015 | 31,7% | 31,72 | 12,63 | 5,65 | — | — | — |
| 2016 | 33,8% | 33,75 | 14,46 | 6,74 | 54,08 | — | — |
| 2017 | 33,8% | 33,79 | 14,79 | 7,3 | — | — | — |
| 2018 | 33,4% | 33,44 | 14,53 | 7,38 | — | — | — |
| 2019 | 32,6% | 32,61 | 14,24 | 7,37 | 53,04 | — | — |
| 2020 | 31,1% | 31,06 | 12,1 | 6,05 | 48,93 | — | — |
| 2021 | 36,8% | 36,77 | 16,95 | 9,02 | 57,48 | pico da série | — |
| 2022 | 31,7% | 31,65 | 12,44 | 5,87 | 51,2 | — | — |
| 2023 | 27,3% | 27,3 | 10,28 | 4,4 | 47,24 | — | 57,6 |
| 2024 | 23,1% | 23,11 | 8,6 | 3,47 | 39,39 | menor nível da série | 48,9 |
Extrema pobreza segundo o IBGE (linha de US$ 2,15 PPC/dia)
Parcela da população com renda abaixo de US$ 2,15 por dia (PPC 2017; R$ 218/mês em 2024), segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, 2012–2024.
- ⓡ1 Extrema pobreza em 2024 sem programas sociais (simulação IBGE): 10%
- ⓡ2 Entre idosos sem Previdência (simulação): 35,4%
- ⓡ3 Entre idosos com Previdência: 1,9%
- ⓡ4 Crianças 0–14 anos, 2024: 5,6%
Extrema pobreza segundo o IBGE (linha de US$ 2,15 PPC/dia), de 2012 a 2024 (% da população). O menor valor foi 3,47% em 2024 e o maior, 9,02% em 2021. O dado mais recente é 3,47% em 2024. Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.18 (planilha oficial, FTP).
Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.18 (planilha oficial, FTP)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela (com 2 colunas extras)
| Período | Valor (% da população) | Pessoas milhoes | Observação |
|---|---|---|---|
| 2012 | 6,59% | — | — |
| 2013 | 5,84% | — | — |
| 2014 | 5,19% | — | — |
| 2015 | 5,65% | — | — |
| 2016 | 6,74% | — | — |
| 2017 | 7,3% | — | — |
| 2018 | 7,38% | — | — |
| 2019 | 7,37% | — | — |
| 2020 | 6,05% | — | — |
| 2021 | 9,02% | — | — |
| 2022 | 5,87% | — | — |
| 2023 | 4,4% | 9,3 | — |
| 2024 | 3,47% | 7,4 | menor nível da série |
Pobreza segundo o Banco Mundial (US$ 6,85/dia, PPC 2017)
Parcela da população abaixo da linha de pobreza de US$ 6,85 por dia, na plataforma PIP do Banco Mundial.
- ⓡ1 FGV Social 2021: renda per capita até R$ 497/mês: 29,6%
Pobreza segundo o Banco Mundial (US$ 6,85/dia, PPC 2017), de 2002 a 2024 (% da população). O menor valor foi 18,8% em 2020 e o maior, 48,7% em 2003. O dado mais recente é 18,9% em 2024. Fonte: Banco Mundial, PIP API (BRA, US$ 6,85, PPC 2017).
Fonte: Banco Mundial, PIP API (BRA, US$ 6,85, PPC 2017)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela (com 1 coluna extra)
| Período | Valor (% da população) | Observação |
|---|---|---|
| 2002 | 47,3% | — |
| 2003 | 48,7% | — |
| 2006 | 41,4% | — |
| 2009 | 33,8% | — |
| 2011 | 29,9% | — |
| 2012 | 28,2% | — |
| 2014 | 24,4% | — |
| 2015 | 25,3% | — |
| 2016 | 27,1% | — |
| 2017 | 27,2% | — |
| 2018 | 26,8% | — |
| 2019 | 26,3% | — |
| 2020 | 18,8% | 5ª visita da PNADC; reflete o Auxílio Emergencial |
| 2021 | 28,4% | 5ª visita da PNADC |
| 2022 | 23,4% | — |
| 2023 | 21,6% | — |
| 2024 | 18,9% | — |
O que é verdade e o que não se sustenta
O que é verdade
- O Brasil saiu do Mapa da Fome no SOFI 2025 (triênio 2022-2024) e permaneceu fora no SOFI 2026 (triênio 2023-2025).
- A insegurança alimentar grave caiu para 0,6% (1,2 milhão) em 2023-2025, menor da série da FAO; a moderada ou grave caiu de 22,1% para 9,6%.
- O retorno ao Mapa ocorreu com dados de 2020-2022, durante a pandemia e o governo Bolsonaro.
O que não se sustenta
- O triênio que tirou o Brasil do Mapa inclui 2022, último ano do governo anterior, e o indicador é uma média de três anos.
- Sair do Mapa não é 'acabar com a fome': 20,3 milhões ainda estavam em insegurança alimentar moderada ou grave e 44,8 milhões não podiam pagar dieta saudável em 2025.
- O critério de 2,5% é contestado por especialistas como José Graziano, que considera o PoU um indicador limitado.
Quem é responsável por isso?
Controla: transferências e renda sustentam o acesso a alimentos
Quero entender a fundo
O critério
O Mapa da Fome da FAO usa a prevalência de subalimentação (PoU): abaixo de 2,5% da população, o país sai do Mapa. O Brasil saiu em 2014 (relatório SOFI 2014, dados de 2012-2014), voltou no triênio 2020-2022 (3,5%) e saiu novamente com o SOFI 2025 (lançado em 28/07/2025, triênio 2022-2024), permanecendo fora no SOFI 2026 (triênio 2023-2025).
Outros indicadores do SOFI 2026
- Insegurança alimentar grave: 0,6% (1,2 milhão de pessoas), menor da série; 16,7 milhões saíram da insegurança grave.
- Insegurança moderada ou grave: 9,6% (20,3 milhões), contra 22,1% em 2020-2022.
- 21,1% (44,8 milhões) não podiam pagar uma dieta saudável em 2025, contra o pico de 31,1% (65,3 milhões) em 2021.
Fontes nacionais
A Rede PENSSAN mediu 33,1 milhões (15,5%) em insegurança alimentar grave na coleta de nov/2021 a abr/2022; o IBGE (PNAD Contínua) mediu 4,1% dos domicílios em 2023 (4,0% das pessoas, 8,475 milhões), caindo a 3,2% dos domicílios e 3,1% das pessoas (6,483 milhões) em 2024 — pesquisas diferentes, comparação indireta.
Ressalvas
José Graziano (ex-FAO) afirma que o PoU 'não é o melhor indicador' para definir presença no Mapa. A Lupa classificou como EXAGERADO Lula dizer que 'acabou com a fome em 2014': sair do Mapa não é erradicar a fome.
Perguntas frequentes
O que outras agências disseram
- LupaVeredito original: “EXAGERADO para 'acabei com a fome em 2014'; VERDADEIRO para '33 milhões passando fome' (PENSSAN 2022)” · 15/10/2026Ler a checagem
- LupaVeredito original: “FALTA CONTEXTO para 'já vencemos a fome uma vez, tivemos que vencer outra vez' (Lula): SOFI 2025 e PNADC 2023-2024 (8,47 mi → 6,48 mi em insegurança grave)” · 04/10/2026Ler a checagem
Fontes
- 1Agência Brasil – Brasil continua fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONU (22/07/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 2Poder360 – 33 milhões vivem insegurança alimentar grave no país, diz estudo (Rede PENSSAN, 08/06/2022)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 3Monitor Mercantil – Situação de fome recua de 15,5% para 4,1% da população (IBGE, abr/2024)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 4Agência Gov/MDS – Relatório da ONU confirma que Brasil permanece fora do Mapa da Fome (21/07/2026)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 5ONU Brasil – Artigo de Jorge Meza (FAO): Brasil voltou a sair do Mapa da Fome (2025)Multilateral · acesso em 21/10/2026
- 6Lupa – Checagem ao vivo da entrevista de Lula na TV Globo (15/10/2026)Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
- 7IBGE – SIDRA tabela 9751 (PNAD Contínua – Segurança Alimentar, moradores)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 8IBGE – Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabelas de distribuição de renda (xls, FTP)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 9Lupa – Após confirmação do 2º turno, Lula erra sobre superávit e Flávio sobre reeleição e endividamento (04/10/2026)Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
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“Quando eu voltei, 33 milhões de pessoas estavam passando fome”
O II VIGISAN da Rede PENSSAN (coleta de nov/2021 a abr/2022, 12.745 domicílios) estimou 33,1 milhões de pessoas (15,5%) em insegurança alimentar grave; o número é o da pesquisa citada pelos checadores, com a ressalva de que medições posteriores do IBGE (4,1% em 2023) usam metodologia diferente.
“Eu acabei com a fome no Brasil em 2014”
O Brasil saiu do Mapa da Fome da FAO em 2014 e o número de desnutridos caiu de 19 milhões (2002) para 3,4 milhões (2013), mas sair do Mapa (menos de 2,5% da população subalimentada) não é erradicar a fome — e 2014 foi o governo Dilma, não o de Lula.
“A pobreza extrema recuou para o menor nível da série, 4,6% da população”
A extrema pobreza caiu ao menor nível da série do IBGE em 2024 (3,5% pela linha de US$ 2,15, ou 7,4 milhões de pessoas) e a pobreza a 23,1%; o programa cita 4,6%, valor que não corresponde à linha do IBGE e provavelmente usa a nova linha de US$ 3,00 do Banco Mundial, sem especificar — a direção está certa, o número exige qualificação.
“Bolsonaro elevou o Bolsa Família para R$ 600”
O Auxílio Brasil pagou R$ 600 apenas de agosto a dezembro de 2022, por emenda constitucional temporária em ano eleitoral; o orçamento de 2023 enviado por Bolsonaro previa voltar a R$ 400, e foi a PEC da Transição e o novo Bolsa Família (mar/2023) que tornaram os R$ 600 permanentes, acrescentando R$ 150 por criança.
O que ainda não conseguimos confirmar1abrir
Isto é transparência, não erro: são pontos que a pesquisa procurou e ainda não achou em fonte primária.
- Há divergência entre fontes sobre a data da primeira saída ('2014' no relatório vs '2013/2014' nos dados) e sobre o ano de retorno ('2018' em uma leitura; triênio 2020-2022 no SOFI).
Histórico de atualizações
21/10/2026
enriquecimento rodada 2: distinção domicílios x pessoas na PNADC-SA, dados de 2024 (6,48 mi), série oficial da SIS, Lupa 04/10
21/10/2026
publicação