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“O orçamento secreto foi um esquema de corrupção do governo Bolsonaro.”

AmbosQuem disse: frase que circula nas redes· Quando: data não verificada

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4. Veredito
Falta contexto

As emendas de relator (RP9) somaram cerca de R$ 16 bilhões por ano em 2021-2022, no governo Bolsonaro, e foram declaradas inconstitucionais pelo STF em dezembro de 2022; mas o mecanismo era operado pelo Congresso, beneficiou líderes do Centrão de vários partidos, o PT apoiou em 2022 um projeto para mantê-lo e as condenações por desvio até agora atingem deputados do PL.

“Falta contexto” quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala

  1. Quem disse:

    frase que circula nas redes

    Lado: Os dois lados

  2. Onde e quando:

    local não registrado

    data não verificada

    link da declaração ainda não verificado

  3. O que disse:

    “O orçamento secreto foi um esquema de corrupção do governo Bolsonaro.”

    Também circula como: O orçamento secreto é do Centrão, não do Bolsonaro · O PT acabou com o orçamento secreto

  4. Veredito: Falta contexto

    As emendas de relator (RP9) somaram cerca de R$ 16 bilhões por ano em 2021-2022, no governo Bolsonaro, e foram declaradas inconstitucionais pelo STF em dezembro de 2022; mas o mecanismo era operado pelo Congresso, beneficiou líderes do Centrão de vários partidos, o PT apoiou em 2022 um projeto para mantê-lo e as condenações por desvio até agora atingem deputados do PL.

    “Falta contexto” quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala

  5. O dado real:

    Emendas de relator em 2021: 16 R$ bilhões (2021)

    Fonte: Wikipédia: Orçamento secreto (índice com fontes)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
  6. Quem decide:

    STF (Rosa Weber; Flávio Dino) — declarou inconstitucional (2022) e impôs rastreabilidade (2024-2026)

    Também: Congresso (relatores-gerais e líderes do Centrão), STF (Rosa Weber; Flávio Dino), PT

    Ver o mapa de quem decide ↓
  7. Fontes: Ver todas as fontes ↓
Veredito
Falta contexto

As emendas de relator (RP9) somaram cerca de R$ 16 bilhões por ano em 2021-2022, no governo Bolsonaro, e foram declaradas inconstitucionais pelo STF em dezembro de 2022; mas o mecanismo era operado pelo Congresso, beneficiou líderes do Centrão de vários partidos, o PT apoiou em 2022 um projeto para mantê-lo e as condenações por desvio até agora atingem deputados do PL.

Falta contexto quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala

Em 3 frases

  1. 1

    O 'orçamento secreto' eram emendas de relator sem identificação do padrinho político, usadas em 2020-2022 para o governo Bolsonaro negociar apoio no Congresso.

  2. 2

    O STF declarou o mecanismo inconstitucional em 15/12/2022, e o ministro Flávio Dino impôs rastreabilidade a partir de 2024; em 2026 veio a primeira condenação, de deputados do PL.

  3. 3

    Mas o esquema foi operado pelo Congresso (relator-geral de 2021 era do PSL), beneficiou políticos de PP, MDB, PSD e DEM, e o PT apoiou em 2022 um projeto que tentava mantê-lo.

Os números

Emendas de relator em 2021
16 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2021
Fonte: Wikipédia: Orçamento secreto (índice com fontes)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Emendas Pix sem destinatário final (Transparência Brasil)
10,4 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2020-2023
Fonte: Wikipédia: Orçamento secreto (índice com fontes)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Emendas de comissão no Orçamento 2025
11,7 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
Fonte: Agência Pública, jul/2026 (Dino intima presidentes de partidos)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Bloqueio de Dino ligado a Valdemar Costa Neto (PL)
119 R$ milhões
R$ milhões · referente a jul/2026
+112,9 R$ milhõesem relação a Bloqueio ligado a Eduardo Cunha (Republicanos) (6,1 R$ milhões)
Fonte: Agência Pública, jul/2026 (Dino intima presidentes de partidos)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Pena de Maranhãozinho (PL-MA), 1ª condenação
6,4 anos (6 anos e 5 meses)
anos (6 anos e 5 meses) · referente a 17/03/2026
Fonte: Wikipédia: Josimar Maranhãozinho (índice)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Investigações sobre parlamentares no STF (emendas)
80 investigações (mais de)
investigações (mais de) · referente a 2026
Fonte: Wikipédia: Josimar Maranhãozinho (índice)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Emendas parlamentares pagas em 2025 (recorde nominal; 67% de R$ 47,1 bi empenhados)
31,5 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
Fonte: Diário de Pernambuco, 02/01/2026 (Siop)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Emendas no autógrafo da LOA em 2020–2021 (auge do RP 9)
0,7%
% do PIB (≈) · referente a 2020-2021
Fonte: IFI, Nota Técnica 57 (emendas parlamentares)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Como isso evoluiu

Emendas parlamentares empenhadas e pagas por ano

Dinheiro do Orçamento que deputados e senadores direcionam a obras e projetos; valor empenhado (reservado) e pago em cada ano.

Emendas parlamentares empenhadas e pagas por ano, de 2014 a 2026 (parcial, até 09/10/2026) (R$ bilhões). O menor valor foi 3,4 R$ bilhões em 2015 e o maior, 47,1 R$ bilhões em 2025. O dado mais recente é 40,2 R$ bilhões em 2026 (parcial, até 09/10/2026). Fonte: Portal da Transparência/CGU, download em massa 'Emendas parlamentares' (arquivo gerado em 09/10/2026).

Fonte: Portal da Transparência/CGU, download em massa 'Emendas parlamentares' (arquivo gerado em 09/10/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Ver tabela
Emendas parlamentares empenhadas e pagas por ano (R$ bilhões)
PeríodoValor (R$ bilhões)
20146,1 R$ bilhões
20153,4 R$ bilhões
201625,9 R$ bilhões
201717,5 R$ bilhões
201812 R$ bilhões
201913,9 R$ bilhões
202037,5 R$ bilhões
202133,4 R$ bilhões
202225,5 R$ bilhões
202335,4 R$ bilhões
202444,8 R$ bilhões
202547,1 R$ bilhões
2026 (parcial, até 09/10/2026)40,2 R$ bilhões

O que é verdade e o que não se sustenta

O que é verdade

  • O mecanismo funcionou em 2020-2022, no governo Bolsonaro, com cerca de R$ 16 bilhões por ano, e foi declarado inconstitucional pelo STF em 15/12/2022.
  • As primeiras condenações por desvio de emendas de relator (17/03/2026) foram de três deputados do PL.
  • O governo Lula sancionou a LC 210/2024 e o STF (Dino) impôs rastreabilidade; mas as emendas seguem bilionárias (expectativa de R$ 50 bilhões em 2025).

O que não se sustenta

  • Atribuir o esquema só ao governo Bolsonaro: foi operado pelo Congresso, beneficiou líderes de PP, MDB, PSD e DEM/União, e o PT apoiou em 2022 um projeto para mantê-lo.
  • Dizer que 'acabou': emendas de comissão e 'de liderança' sem identificação continuaram, e Dino bloqueou valores de Valdemar (PL) e Cunha (Republicanos) em 2026.

Quem é responsável por isso?

Corrupção
  • Controla: usou as emendas de relator para articulação política (2020-2022)

Quero entender a fundo

O que era: emendas de relator-geral (RP9) distribuídas sem identificar o parlamentar solicitante, usadas pelo governo Bolsonaro para articulação com o Congresso. Valores: cerca de R$ 16 bilhões em 2021 e valor similar em 2022 (Metrópoles); emendas Pix de cerca de R$ 13 bilhões em 2020-2023, R$ 10,4 bilhões sem destinatário final especificado (Transparência Brasil); Codevasf: R$ 9 bilhões autorizados sob Bolsonaro mais R$ 2,1 bilhões de emendas. Mais beneficiados (amostra de O Globo): Davi Alcolumbre (então DEM), Ciro Nogueira (PP), Fernando Bezerra Coelho (MDB), Domingos Neto (PSD), Arthur Lira (PP); relator-geral de 2021: Márcio Bittar (PSL). O PT apoiou o projeto de lei de 2022 que tentou manter o mecanismo.

STF: Rosa Weber suspendeu em dez/2021 e depois liberou com transparência; em 15/12/2022 o plenário formou maioria pela inconstitucionalidade (ADPF 854). Flávio Dino herdou a relatoria em fev/2024, suspendeu emendas impositivas em ago/2024, impôs rastreabilidade, bloqueou empenhos, proibiu repasses a ONGs de parentes (jan/2026) e saques em dinheiro (mar/2026) e, em jul/2026, bloqueou R$ 119 milhões ligados a Valdemar Costa Neto (PL) e R$ 6,1 milhões a Eduardo Cunha (Republicanos), intimando 21 partidos.

Condenações: em 17/03/2026 o STF condenou por unanimidade Josimar Maranhãozinho (PL-MA, 6 anos e 5 meses), Pastor Gil (PL-MA, 5 anos e 6 meses) e Bosco Costa (PL-SE, 5 anos) por corrupção passiva (propina para liberar cerca de R$ 6 milhões em emendas de saúde); há 'mais de 80 investigações envolvendo parlamentares'. A Operação Overclean (PF, dez/2024-2026, cerca de R$ 1,4 bilhão, Bahia) alcança PDT, União Brasil, PT, PSB, PSD, MDB e Podemos. Em 2025, as emendas de comissão somaram R$ 11,7 bilhões e a expectativa era de R$ 50 bilhões em emendas no ano, já no governo Lula.

Atualização (enriquecimento, 21/10/2026): série oficial disponível (IFI, NT 57; Siop): emendas no autógrafo da LOA ≈ 0,4% do PIB (média 2014–2017), 0,26% (2018–2019), ~0,7% (2020 e 2021, com as emendas de relator-geral/RP 9), 0,4% (2022), ~0,4% (2023 e 2024); pagamentos: R$ 36,3 bilhões em 2023 (R$ 26,6 bi a municípios), LOA 2024 de R$ 44,67 bilhões (25,07 individuais; 11,05 comissão; 8,56 bancada; R$ 28,4 bi pagos até out/2024; emendas = 16,8% das discricionárias) e R$ 31,54 bilhões pagos em 2025 — recorde nominal, 67% dos R$ 47,1 bilhões empenhados (individuais 19,9; bancada 6,3; comissão 5,3); a LDO reserva R$ 61 bilhões para 2026 (previsão). Condenação de 17/03/2026 (1ª Turma, 4 x 0): Maranhãozinho 6a5m, Pastor Gil 5a6m, Bosco Costa 5a (semiaberto; cabem recursos); buscas contra Maranhãozinho em 25/06/2026 (Dino).

Perguntas frequentes

Emendas de relator-geral (RP9) sem identificação do parlamentar que pedia o dinheiro, usadas em 2020-2022; o STF as declarou inconstitucionais em 15/12/2022.

Segundo levantamento de O Globo, líderes do Centrão como Alcolumbre (DEM), Ciro Nogueira e Lira (PP), Bezerra Coelho (MDB) e Domingos Neto (PSD); o relator-geral de 2021 era Márcio Bittar (PSL).

Sim: em 17/03/2026 o STF condenou três deputados do PL (Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa) por propina ligada a emendas de saúde; há mais de 80 investigações.

O STF acabou com o RP9; o governo Lula sancionou nova lei (LC 210/2024) e Dino impôs rastreabilidade, mas emendas de comissão e de liderança seguem bilionárias e com problemas de identificação.

O que outras agências disseram

  • Agência Lupa
    Veredito original: “FALSO que 'não tinha corrupção' no governo Bolsonaro (cita o orçamento secreto)” · 01/10/2026
    Ler a checagem

Fontes

  1. 1
  2. 2
  3. 3
    Wikipédia: Josimar Maranhãozinho (índice)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  4. 4
    Agência Lupa
    Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
  5. 5
    Congresso em Foco (cerco de Dino às emendas)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  6. 6
    Diário de Pernambuco, 02/01/2026 (Siop)
    Imprensa · acesso em 21/10/2026
  7. 7
    IFI, Nota Técnica 57 (emendas parlamentares)
    Oficial · acesso em 21/10/2026
Ver a nota bruta da pesquisa no GitHub

Para ir além

Checagens relacionadas

Falso

“Não tinha corrupção no governo Bolsonaro.”

A Lupa cita o caso dos pastores no MEC (ministro Milton Ribeiro preso em 2022), a investigação de propina na compra da Covaxin (arquivada) e o orçamento secreto (declarado inconstitucional pelo STF); a maioria dos casos terminou em arquivamento, mas 'não tinha corrupção' ignora investigações, prisões e a primeira condenação por desvio de emendas de relator.

Flávio / PLFlávio Bolsonaro
Falso

“Lula está dando emprego para condenados do Mensalão.”

Nenhum condenado da Ação Penal 470 integra o governo Lula; José Dirceu e Delúbio Soares concorreram em 2026 e perderam; já o presidente nacional do PL, partido de Flávio, Valdemar Costa Neto, é um dos 24 condenados do mensalão.

Flávio / PLFlávio Bolsonaro
FalsoVerificação pendente

“O mensalão foi um esquema só do PT; só petistas foram condenados.”

Dos 24 condenados definitivamente pelo STF na AP 470, 5 eram do PT; os outros eram do PTB (3), PP (3), PL/PR (3, incluindo Valdemar Costa Neto, atual presidente do PL), PMDB (1) e 11 operadores privados (agências de Marcos Valério, Banco Rural, Bônus-Banval).

Ambosfrase que circula nas redesdata não verificada
Falso

“R$ 7 bilhões que você gastou em viagens com a Janja”

Os R$ 7,14 bilhões (2023-2025) e R$ 1,31 bilhão (2026) do Portal da Transparência são as despesas de deslocamento de toda a estrutura do governo federal — servidores, militares, diárias e passagens de todos os órgãos —, não as viagens do presidente e da primeira-dama; a Lupa classificou a frase como falsa.

Flávio / PLFlávio Bolsonaro

Atualizado em

Histórico de alterações
  • — publicação
  • — enriquecimento rodada 2 (21/10/2026): série de emendas (IFI/Siop) e condenação de 17/03/2026
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