MP 1.288/2025: gratuidade, sigilo e não tributação do Pix por lei — caducou sem votação em 02/06/2025
O que faz
- Editada no dia seguinte à revogação da IN 2.219, a MP reafirmava a gratuidade, o sigilo e a não tributação do Pix para pessoas físicas, equiparava pagamento em Pix a pagamento em dinheiro e classificava como prática abusiva (sujeita ao Código de Defesa do Consumidor) cobrar preço maior por pagamento via Pix à vista.
- Haddad disse que a revogação da IN era 'para que não haja justificativa para não votar a MP'. O Congresso não votou: a vigência 'encerrou-se em 2/6/2025, por perda de eficácia sem apreciação pelas Casas do Congresso Nacional' e a comissão mista foi extinta.
- Depois da caducidade, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou o PL 4526/2025 com conteúdo semelhante; não foi localizada lei aprovada sobre o tema até 21/10/2026.
- Na campanha de 2026, o Pix virou disputa simbólica: o PT acusou Flávio Bolsonaro de querer 'acabar com o Pix'; Flávio negou ('obviamente uma mentira'), disse que 'o sonho do PT e do Lula é taxar o Pix' e prometeu 'Pix sem taxa'. Nenhum dos dois candidatos propõe imposto sobre o Pix.
Quem ganha e quem paga
Enquanto vigorou, consumidores (vedação a preço maior por pagamento em Pix). Com a caducidade, a regra deixou de existir. · Consumidores em geral
Comerciantes que cobravam mais por Pix à vista (enquanto a MP vigorou). Sem efeito tributário. · Não se aplica
Mitos e fatos
- MitoExiste uma lei que proíbe taxar o Pix.FatoA MP 1.288/2025 tinha esse conteúdo, mas caducou em 02/06/2025 sem votação, e não foi encontrada lei aprovada sobre o tema até 21/10/2026 (há o PL 4526/2025 no Senado, sem status atual localizado). A Receita sustenta que a Constituição já proíbe tributar movimentações financeiras; um tributo desse tipo (como foi a CPMF) exigiria emenda constitucional.
- MitoFlávio Bolsonaro vai acabar com o Pix / Lula vai taxar o Pix.FatoNenhuma das duas afirmações tem base nos programas de governo. Flávio negou que acabará com o Pix (02/04/2026) e prometeu 'Pix sem taxa'; Lula exibiu o cartaz 'o PIX é do Brasil' e seu governo editou a MP 1.288 contra a tributação. Não foi encontrada checagem independente de uma suposta peça do PT sobre Flávio taxar o Pix 'em 25%' (o número se refere a tarifas dos EUA).
Fontes
- 1Congresso em Foco — governo edita MP que reforça proibição de taxação do Pix (íntegra)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 2Agência Gov — governo apresenta MP que blinda Pix de taxação e de mentirasOficial · acesso em 21/10/2026
- 3O Liberal — publicada MP que proíbe cobrança diferenciada por transações em PixImprensa · acesso em 21/10/2026
- 4Congresso Nacional — MPV 1288/2025 (tramitação)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 5Senado — sumário da MPV 1288/2025Oficial · acesso em 21/10/2026
- 6Congresso em Foco — sem votação, MP da gratuidade do Pix perde efeitoImprensa · acesso em 21/10/2026
- 7Congresso em Foco — PL 4526/2025 (sen. Carlos Portinho, PL-RJ) (PDF)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 8O Povo — Haddad: revogar ato da Receita é para que não haja justificativa para não votar a MP (15/01/2025)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 9Poder360 — Flávio Bolsonaro nega que vai acabar com Pix se for eleito (02/04/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 10Poder360 — 'O Pix é nosso e sem taxa', diz Flávio em novo vídeo (26/04/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 11O Tempo — Lula e Flávio Bolsonaro travam guerra pelo Pix (03/06/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
Medidas relacionadas
Tributação das apostas de quota fixa (bets): 12% a 15% sobre a receita das casas e 15% de IR sobre prêmios (Lei 14.790/2023 e LC 224/2025)
As casas de apostas pagam uma contribuição sobre o GGR (receita após o pagamento dos prêmios): 12% pela Lei 14.790/2023; a LC 224/2025 escalonou para 13% a partir de abr/2026, 14% em 2027 e 15% a partir de 2028.
União (arrecadação). Setor de bets recolheu ~R$ 6,8 bi entre jan-set/2025 (Receita); o setor projetava R$ 9 bi ao poder público em 2025. · Não se aplica
Casas de apostas (contribuição sobre o GGR) e apostadores (15% de IR sobre prêmios líquidos). O perfil de renda dos apostadores não consta das notas. · Não informado nas notas
Novo Bolsa Família (mar/2023): piso de R$ 600 por família e R$ 150 por criança de 0 a 6 anos
Garante um piso de R$ 600 por família, mais R$ 150 por criança de 0 a 6 anos (Benefício Primeira Infância). Componentes até set/2026: Benefício de Renda de Cidadania de R$ 142 por pessoa; Primeira Infância R$ 150; Benefício Variável Familiar de R$ 50 para gestantes, nutrizes e jovens de 7 a 18 anos.
19,3 milhões de famílias (ago/2026) com renda per capita até R$ 218, concentradas nos dois décimos mais pobres (inferência da nota); 9,1% da população (19,4 milhões de pessoas) recebia rendimento de programas sociais em 2025 (Bolsa Família, BPC e outros, PNAD). · Renda familiar per capita até R$ 218/mês (extrema pobreza); décimos 1 e 2 da renda per capita
União: orçamento de R$ 158 bilhões em 2025 e em 2026 (LOA sancionada em 14/01/2026); transferências de R$ 170,4 bi em 2023 e ~R$ 170,2 bi em 2024. · Não se aplica (Tesouro)
Reajuste de 15,04% do Bolsa Família: piso de R$ 691 e benefício médio projetado de R$ 777 (out/2026)
Reajusta todos os componentes do Bolsa Família em 15,04%, o INPC acumulado de mar/2023 a ago/2026 — o primeiro reajuste geral desde a recriação do programa.
19,3 milhões de famílias do Bolsa Família (renda per capita até R$ 218), com ganho de R$ 91 no piso — cerca de 12-13% sobre a renda per capita típica dessas famílias (R$ 774 em 2025), efeito concentrado nos dois décimos mais pobres e nas regiões Norte e Nordeste (inferência da nota a partir de IBGE, MDS e FGV IBRE). · Renda familiar per capita até R$ 218/mês; décimos 1 e 2
União: R$ 5,8 bi em 2026 e R$ 22-22,7 bi/ano a partir de 2027, fora do PLOA 2027. · Não se aplica (Tesouro)