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Programa de Flávio Bolsonaro 2026 ('Para o Brasil Vencer o Atraso'): 'tesouraço' de ~R$ 200 bi, menos impostos condicionados a corte de gastos e revisão da reforma tributária

Plano de governo registrado no TSE (documento 280017104726; 76 páginas, nove eixos) e declarações da equipe econômica (Daniella Marques, Adolfo Sachsida)
Publicada em 18/09/2026 · vale a partir de Proposta para o mandato 2027-2030; 2º turno em 25/10/2026
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O que faz

  • Gastos ('tesouraço'): corte de ~R$ 200 bi (≈1,5% do PIB; R$ 200-250 bi circulam em bastidores) em 'regalias em Brasília' (assessores, estruturas administrativas, veículos, voos), extinção de 10 ou mais ministérios e cargos comissionados, combate a supersalários, regra de controle de despesas discricionárias nos três Poderes e novo regime fiscal para estabilizar e reduzir a dívida (82,9% do PIB em ago/2026) — sem fórmula, metas numéricas ou prazo ('o menor possível').
  • Tributos: 'menos impostos' condicionado ao corte de gastos; revisar a reforma tributária para limitar o IVA (que o plano estima em ~30%, contra 19% de média da OCDE; Flávio citou 20% em painel na CNI em 22/06/2026, sem fixar no plano) e cortar 'exceções setoriais criadas por lobbies'; reduzir ou zerar tributos sobre energia e combustíveis e reduzir a CDE mantendo a tarifa social; extinguir gradualmente o IOF sobre câmbio; desonerar exportações e investimentos; eliminar o split payment. Na pré-campanha, disse que suspenderia a entrada em vigor da reforma por pelo menos um ano. Não há proposta identificada de isenção de IR, imposto único ou taxação do Pix.
  • Social e trabalho: manter programas sociais com revisão de gestão e controle de fraudes (Bolsa Família não nomeado no plano); Casa Verde e Amarela com meta de 2,5 milhões de casas; voucher para creche privada; contratos com encargos menores para jovens de 18-24 anos e desempregados com 50+ há mais de um ano; infraestrutura de R$ 900 bi em 4 anos via capital privado, PPPs e BNDES; meta de crescimento de 4% ao ano; retomada do Programa Nacional de Desestatização 'caso a caso', sem lista.
  • Declarações da equipe: Daniella Marques — corte de R$ 200 bi sem afetar aposentados, trabalhadores ou Bolsa Família e sem mudar critérios de reajuste do salário mínimo; em 19/10/2026 (CBN Bahia) falou em 'transição de 2 anos' para beneficiários do Bolsa Família que abram negócio ou aceitem emprego formal, com retorno automático — Flávio reinterpretou no Instagram: quem conseguir emprego formal 'continua recebendo o seu Bolsa Família por até 2 anos'; Camilo Santana (PT) disse que a fala mostra 'onde Flávio quer cortar os R$ 200 bilhões'. Adolfo Sachsida (08/10/2026): sem corte em Bolsa Família e BPC. Flávio (15/06/2026): favorável à isenção de IR até R$ 5 mil, Bolsa Família como 'direito adquirido'; ao SBT: não acabar com a vinculação do mínimo à inflação nem fazer reforma da Previdência; promete 'Pix sem taxa'.
  • Avaliações: Forbes — o plano 'não traz estimativas consolidadas de custos, economia de gastos, perdas de receita com cortes de tributos ou contribuição de cada medida ao crescimento'; Nexo (17/10/2026): ajuste 'deixa mais dúvidas que certezas'; economistas (Tatiana Pinheiro/FGV, André Perfeito, Felipe Salto/Warren, Carla Argenta) apontam indefinição de quais despesas, como e em que prazo. Precedente: em 2022, veio a público plano da equipe de Bolsonaro para desvincular do INPC o reajuste do mínimo e das aposentadorias.
  • Posições confirmadas em entrevista à Globo (16/10/2026, checada pela Aos Fatos): Flávio respondeu 'sim' a manter reajustes do mínimo acima da inflação, 'não' a desvincular aposentadorias do mínimo e 'não' a mudar os pisos de saúde e educação; repetiu 'Bolsonaro triplicou o Bolsa Família de R$ 190 para R$ 600' (Lupa: EXAGERADO) e 'Lula esqueceu por quatro anos quem recebe o Bolsa Família' (FALTA CONTEXTO). Aos Fatos classificou como falso 'recorde de empresas fechadas' (falências: 1.828 em 2015; 862 em 2024; 734 em 2025; 277 até mai/2026, Serasa Experian) e a Lupa (04/10/2026) como FALTA CONTEXTO 'recorde de brasileiros endividados' (a alta vem desde o governo Bolsonaro: 65,9 mi em abr/2020; 69,4 mi em dez/2022; 83,9 mi em ago/2026).

Quem ganha e quem paga

Quem ganhanº não verificado

Indeterminável por faixa de renda com as informações disponíveis (inferência da nota): se o corte de R$ 200 bi se restringir a 'regalias' discricionárias, o efeito por faixa não é mensurável; a redução de tributos sobre combustíveis tende a beneficiar mais quem tem carro (87% dos domicílios mais ricos vs 15% dos mais pobres); a redução sobre energia com CDE menor beneficia consumidores em geral, mantida a tarifa social; Casa Verde e Amarela (2,5 mi) e isenção de IR até R$ 5 mil coincidem com medidas do governo atual. · Indeterminado

Quem paganº não verificado

Indeterminado: o plano não identifica quais despesas serão cortadas nem estima perdas de receita. A equipe exclui aposentados, trabalhadores, Bolsa Família, BPC e a regra do salário mínimo; a fala sobre 'transição de 2 anos' no Bolsa Família gerou controvérsia. · Indeterminado

Custo ou arrecadação: 200 R$ bilhõesFonte: Forbes Brasil — 'Tesouraço': o plano econômico de Flávio Bolsonaro (out/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Mitos e fatos

  • Mito
    Flávio Bolsonaro vai acabar com o Pix ou taxá-lo.
    Fato
    Flávio negou (02/04/2026: 'obviamente uma mentira'), prometeu 'Pix sem taxa' e disse que 'o sonho do PT e do Lula é taxar o Pix'. O plano registrado no TSE não trata de Pix. Em 2020, o então ministro Paulo Guedes defendeu imposto de ~0,2% sobre transações digitais, inclusive Pix — ideia que não avançou.
  • Mito
    Flávio vai cortar o Bolsa Família para fechar os R$ 200 bilhões.
    Fato
    Insustentável com as fontes disponíveis: a equipe (Daniella Marques, Sachsida) e o próprio Flávio dizem que Bolsa Família, BPC e aposentados não serão atingidos, e o plano não nomeia o programa nem detalha os cortes. A fala de Daniella sobre 'transição de 2 anos' (19/10/2026) foi reinterpretada por Flávio como manutenção do benefício por até 2 anos após emprego formal — regra parecida com a atual 'regra de proteção' (50% por 2 anos). O PT usa a fala para afirmar que o corte recairia no programa.
  • Mito
    O plano de Flávio detalha como vai cortar R$ 200 bilhões e reduzir impostos.
    Fato
    Forbes e Nexo apontam que o plano não traz estimativas consolidadas de custos, economia ou perda de receita; a cifra de R$ 200-250 bi circula em entrevistas e bastidores, não no documento. Não há simulação independente por faixa de renda do programa.
  • Mito
    Flávio é contra a isenção do IR até R$ 5 mil e vai revogá-la.
    Fato
    Flávio declarou-se favorável à isenção em 15/06/2026, dizendo ser 'promessa de campanha também do presidente Bolsonaro'; não indicou compensação. O plano não trata de Imposto de Renda.

Fontes

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  20. 20
  21. 21
  22. 22
  23. 23
    Lupa — checagem dos discursos pós-1º turno (04/10/2026)
    Agência de checagem · acesso em 21/10/2026

Medidas relacionadas

Em vigorOutroLula / PT

Fim da paridade de importação (PPI) na Petrobras

A Petrobras deixou de seguir a paridade de importação (PPI), adotada em out/2016 no governo Temer, e passou a acompanhar as cotações internacionais 'sem periodicidade fixa', 'evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio'.

Quem ganhanº não verificado

Consumidores de combustíveis, com preços mais estáveis e cerca de 5% abaixo do PPI no primeiro ano; em 2026, preços na bomba estáveis apesar do choque do petróleo. · consumidores em geral

Quem paganº não verificado

A Petrobras e seus acionistas (inclusive a União), que recebem menos quando a estatal vende abaixo da paridade: a remuneração aos acionistas caiu 45,6% em 2025 (R$ 41,2 bi) apesar do lucro de R$ 110,1 bi; importadores privados e a Acelen, pressionados pela defasagem; em 2026, o Tesouro, via subvenções. · acionistas da Petrobras e contribuintes

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RevogadaOutroLula / PT

IN RFB 2.219/2024: e-Financeira para fintechs e novo piso de reporte de movimentações (a chamada 'taxação do Pix') — revogada em 15/01/2025

Não criou nenhum imposto. Texto literal: art. 2º — passam a apresentar a e-Financeira também 'as instituições financeiras e de pagamento autorizadas a gerenciar contas de pagamento do tipo pré-paga ou pós-paga e contas em moeda eletrônica' e 'os participantes do arranjo de pagamento que habilitam o usuário final recebedor'; art. 4º — entrega semestral (até o último dia útil de fevereiro e de agosto); art. 15 — informações prestadas 'quando o montante global movimentado ou o saldo, em cada mês, por tipo de operação financeira, for superior a: I – R$ 5.000,00, no caso de pessoas físicas; e II – R$ 15.000,00, no caso de pessoas jurídicas' (antes, R$ 2 mil e R$ 6 mil pela IN 1.571/2015); art. 17 — previdência/seguros: saldo > R$ 50 mil ou movimentação mensal > R$ 5 mil.

Quem ganhanº não verificado

Receita Federal (fiscalização de sonegação e lavagem via fintechs). Nenhum grupo de renda ganhava ou perdia dinheiro: não havia tributo. · Não se aplica

Quem paganº não verificado

Ninguém pagaria imposto. A única obrigação nova recaía sobre fintechs e instituições de pagamento (envio da e-Financeira). Pessoas físicas com movimentação mensal acima de R$ 5 mil teriam seus totais informados à Receita, como já ocorria em bancos acima de R$ 2 mil. · Não se aplica (obrigação acessória de empresas)

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Em vigorOutroLula / PT

IN RFB 2.278/2025: fintechs e instituições de pagamento voltam a enviar a e-Financeira (inclusive Pix), após a Operação Carbono Oculto

Texto literal: art. 1º — 'medidas para o combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado'; art. 2º — 'As instituições de pagamento e os participantes de arranjos de pagamentos sujeitam-se às mesmas normas e obrigações acessórias aplicáveis às instituições financeiras [...] relativas à apresentação da e-Financeira, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 1.571, de 2 de julho de 2015'; o parágrafo único afasta a exceção do § 4º do art. 6º da Lei 12.865/2013, de modo que todas as contas de pagamento (inclusive via Pix) devem ser informadas.

Quem ganhanº não verificado

Receita Federal e órgãos de combate à lavagem de dinheiro. Nenhum grupo de renda recebe ou paga dinheiro. · Não se aplica

Quem paganº não verificado

Ninguém paga imposto. A obrigação (acessória) recai sobre instituições de pagamento, arranjos de pagamento e empresas de split payment, que passam a ter o mesmo dever de informar dos bancos. · Não se aplica

custo não verificadodetalhes