“O governo Lula herdou um déficit de R$ 231 bilhões para 2023”
AmbosQuem disse: frase que circula nas redes· Onde: Imprensa e redes sociais desde 2023; argumento usado pelo governo para explicar o déficit de 2023· Quando: data não verificada
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toque em cada etapaO texto da LDO 2023 (Lei 14.436/2022) fixa meta de déficit de R$ 65,9 bilhões; os R$ 231,55 bilhões citados correspondem à meta efetiva após as exclusões da PEC da Transição (EC 126/2022), aprovada em dezembro de 2022 com apoio do governo eleito para bancar o Bolsa Família de R$ 600 — ou seja, o 'déficit herdado' foi em grande parte decidido pela transição, embora R$ 92,4 bilhões de precatórios represados em 2021-2022 tenham inflado 2023.
“Falta contexto” quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala
- Quem disse:
frase que circula nas redes
Lado: Os dois lados
- Onde e quando:
Imprensa e redes sociais desde 2023; argumento usado pelo governo para explicar o déficit de 2023
data não verificada
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- O que disse:
“O governo Lula herdou um déficit de R$ 231 bilhões para 2023”
Também circula como: Herdamos um rombo de R$ 231 bilhões · A LDO de 2023 autorizava déficit de R$ 231 bilhões
- Veredito: Falta contexto
O texto da LDO 2023 (Lei 14.436/2022) fixa meta de déficit de R$ 65,9 bilhões; os R$ 231,55 bilhões citados correspondem à meta efetiva após as exclusões da PEC da Transição (EC 126/2022), aprovada em dezembro de 2022 com apoio do governo eleito para bancar o Bolsa Família de R$ 600 — ou seja, o 'déficit herdado' foi em grande parte decidido pela transição, embora R$ 92,4 bilhões de precatórios represados em 2021-2022 tenham inflado 2023.
“Falta contexto” quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala
- O dado real:
Meta de déficit primário da LDO 2023 (Lei 14.436/2022, art. 2º, OFSS): R$ -65,9 bilhões (2023)
Fonte: Planalto – Lei 14.436/2022 (LDO 2023)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026 - Quem decide:
Governo Bolsonaro e Congresso (EC 113/2021) — adiamento de precatórios para 2023
Também: Governo Bolsonaro e Congresso (EC 113/2021), STF
Ver o mapa de quem decide ↓ - Fontes:
- Planalto – Lei 14.436/2022 (LDO 2023)
- Agência Brasil – Congresso promulga PEC da Transição (21/12/2022)
- Banco Central do Brasil – SGS 4639 (resultado primário do governo central, R$ milhões, critério BCB)
O texto da LDO 2023 (Lei 14.436/2022) fixa meta de déficit de R$ 65,9 bilhões; os R$ 231,55 bilhões citados correspondem à meta efetiva após as exclusões da PEC da Transição (EC 126/2022), aprovada em dezembro de 2022 com apoio do governo eleito para bancar o Bolsa Família de R$ 600 — ou seja, o 'déficit herdado' foi em grande parte decidido pela transição, embora R$ 92,4 bilhões de precatórios represados em 2021-2022 tenham inflado 2023.
Falta contexto quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala
Em 3 frases
- 1
A lei de diretrizes orçamentárias de 2023, aprovada em 2022, fixa meta de déficit de R$ 65,9 bilhões, e não de R$ 231 bilhões.
- 2
Os R$ 231 bilhões aparecem depois que a PEC da Transição, aprovada em dezembro de 2022 a pedido do governo eleito, liberou R$ 145 bilhões fora do teto para o Bolsa Família e outras despesas.
- 3
O que de fato veio do governo anterior foram os precatórios represados pela PEC de 2021, que elevaram a despesa de 2023 em R$ 92,4 bilhões, enquanto 2022 fechou com superávit.
Os números
Como isso evoluiu
Resultado primário do governo central (% do PIB, Tesouro)
Receitas menos despesas da União (Tesouro, Previdência e BC), sem juros, no critério 'acima da linha' do Tesouro Nacional.
- Tesouro Nacional, Série Histórica RTN (jul/2026), Tabelas 2.1 e 2.1-A
- parcial
- ⓡ1 Meta 2024 (arcabouço): zero, banda ±0,25 p.p.: 0%
- ⓡ2 Meta 2025: zero, banda ±0,25 p.p. (~R$ 31 bi): 0%
- ⓡ3 Meta 2026: superávit de 0,25% (R$ 34,3 bi), banda 0,25 p.p.: 0,25%
- ⓡ4 Meta 2027: superávit de 0,5% (R$ 73,2 bi): 0,5%
Resultado primário do governo central (% do PIB, Tesouro), de 2003 a 2025 (% do PIB). O menor valor foi -9,77% em 2020 e o maior, 2,52% em 2004. O dado mais recente é -0,48% em 2025. Fonte: Tesouro Nacional, Série Histórica RTN (jul/2026), Tabelas 2.1 e 2.1-A.
Sem valor verificado para: jan–jul/2026.
Fonte: Tesouro Nacional, Série Histórica RTN (jul/2026), Tabelas 2.1 e 2.1-A(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela (com 4 colunas extras)
| Período | Valor (% do PIB) | Valor reais bilhoes | Receita liquida pib | Despesa pib | Comparacao jan jul 2025 reais bilhoes |
|---|---|---|---|---|---|
| 2003 | 2,27% | 39,08 | 17,42 | 15,14 | — |
| 2004 | 2,52% | 49,341 | 18,13 | 15,61 | — |
| 2005 | 2,43% | 52,673 | 18,78 | 16,35 | — |
| 2006 | 2,02% | 48,748 | 18,78 | 16,76 | — |
| 2007 | 2,12% | 57,65 | 18,98 | 16,87 | — |
| 2008 | 2,3% | 71,438 | 18,92 | 16,62 | — |
| 2009 | 1,18% | 39,436 | 18,56 | 17,37 | — |
| 2010 | 2% | 77,891 | 20,21 | 18,2 | — |
| 2011 | 2,1% | 91,891 | 18,86 | 16,76 | — |
| 2012 | 1,77% | 84,988 | 18,71 | 16,95 | — |
| 2013 | 1,35% | 72,159 | 18,7 | 17,35 | — |
| 2014 | -0,41% | -23,482 | 17,7 | 18,11 | — |
| 2015 | -2,01% | -120,502 | 17,42 | 19,43 | — |
| 2016 | -2,57% | -161,276 | 17,37 | 19,95 | — |
| 2017 | -1,89% | -124,261 | 17,54 | 19,43 | — |
| 2018 | -1,72% | -120,221 | 17,59 | 19,31 | — |
| 2019 | -1,29% | -95,065 | 18,23 | 19,52 | — |
| 2020 | -9,77% | -743,255 | 15,83 | 25,59 | — |
| 2021 | -0,39% | -35,068 | 17,52 | 17,91 | — |
| 2022 | 0,46% | 46,408 | 18,41 | 17,95 | — |
| 2023 | -2,09% | -228,499 | 17,38 | 19,46 | — |
| 2024 | -0,36% | -42,924 | 18,35 | 18,72 | — |
| 2025 | -0,48% | -61,694 | 18,31 | 18,8 | — |
| jan–jul/2026(parcial) | sem valor | -81,305 | — | — | -70,347 |
Resultado primário do setor público (% do PIB)
Receitas menos despesas do governo (União, estados, municípios e estatais) sem contar juros; positivo é superávit, negativo é déficit.
- Banco Central do Brasil, SGS 5793 (NFSP primário, 12 meses)
- parcial
- ⓡ1 Projeção IFI (RAF 116) para 2026: -0,5%
- ⓡ2 Projeção IFI para 2027: -0,7%
Resultado primário do setor público (% do PIB), de 2002 a 12 meses até ago/2026 (% do PIB). O menor valor foi -9,24% em 2020 e o maior, 3,74% em 2005. O dado mais recente é -0,62% em 12 meses até ago/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 5793 (NFSP primário, 12 meses).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 5793 (NFSP primário, 12 meses)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% do PIB) |
|---|---|
| 2002 | 3,19% |
| 2003 | 3,24% |
| 2004 | 3,69% |
| 2005 | 3,74% |
| 2006 | 3,15% |
| 2007 | 3,24% |
| 2008 | 3,33% |
| 2009 | 1,94% |
| 2010 | 2,62% |
| 2011 | 2,94% |
| 2012 | 2,18% |
| 2013 | 1,71% |
| 2014 | -0,56% |
| 2015 | -1,86% |
| 2016 | -2,48% |
| 2017 | -1,68% |
| 2018 | -1,55% |
| 2019 | -0,84% |
| 2020 | -9,24% |
| 2021 | 0,72% |
| 2022 | 1,25% |
| 2023 | -2,28% |
| 2024 | -0,4% |
| 2025 | -0,43% |
| 12 meses até ago/2026(parcial) | -0,62% |
O que é verdade e o que não se sustenta
O que é verdade
- A EC 113/2021 (governo Bolsonaro) represou precatórios que foram pagos em 2023 (R$ 92,4 bilhões pelo BCB; R$ 151,0 bilhões no critério SIOP), inflando o déficit do primeiro ano de Lula 3.
- A meta efetiva de 2023 após as exclusões da EC 126 é citada pela imprensa como déficit de R$ 231,55 bilhões.
O que não se sustenta
- O texto da LDO 2023 fixa déficit de R$ 65,9 bilhões; os R$ 231 bilhões decorrem da PEC da Transição, aprovada em dez/2022 a pedido do governo eleito.
- O governo anterior entregou superávit em 2022 (R$ 54,9 bilhões pelo BCB), não déficit.
Quem é responsável por isso?
Controla: R$ 145 bilhões fora do teto e exclusão da meta
Quero entender a fundo
O que diz a lei
A Lei 14.436/2022 (LDO 2023), art. 2º, fixa meta de déficit primário de R$ 65.905.760.000,00 para os Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social e de R$ 3,0 bilhões para as estatais; o § 2º exclui da meta o impacto dos precatórios regulados pela EC 113/2021. O texto compilado no Planalto não traz o valor de R$ 231,55 bilhões, que a imprensa cita como meta após as exclusões da EC 126/2022.
O que aconteceu
- 2022: superávit primário do governo central de R$ 54,9 bilhões (BCB) ou R$ 46,4 bilhões (Tesouro).
- dez/2022: EC 126 (PEC da Transição) autorizou R$ 145 bilhões fora do teto por um ano (R$ 70 bilhões para o Bolsa Família de R$ 600 mais R$ 150 por criança) e excluiu esses valores da meta.
- 2023: déficit do governo central de R$ 228,5 bilhões (Tesouro) ou R$ 264,5 bilhões (BCB), com R$ 92,4 bilhões de precatórios pagos após decisão do STF (R$ 151,0 bilhões no critério SIOP, incluindo R$ 32,2 bilhões antecipados de 2024).
Leitura
A 'herança' tem dois componentes distintos: precatórios represados pelo governo anterior (herança real) e despesas novas autorizadas pela transição com apoio do governo eleito (escolha). Apresentar os R$ 231 bilhões como déficit deixado pelo antecessor omite a segunda parte; a Lupa classificou como FALSO a versão 'peguei déficit de 2,8% do PIB'.
Perguntas frequentes
O que outras agências disseram
- LupaVeredito original: “FALSO para 'peguei déficit de 2,8% do PIB' (Lula): 2022 teve superávit de R$ 54,1 bi” · 15/10/2026Ler a checagem
Fontes
- 1Planalto – Lei 14.436/2022 (LDO 2023)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 2Agência Brasil – Congresso promulga PEC da Transição (21/12/2022)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 3Banco Central do Brasil – SGS 4639 (resultado primário do governo central, R$ milhões, critério BCB)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 4Tesouro Nacional – Série Histórica RTN (planilha jul/2026)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 5Agência Brasil – Setor público registra déficit de 0,4% do PIB em 2024 (31/01/2025)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 6IFI – Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 116 (set/2026)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 7Lupa – Checagem ao vivo da entrevista de Lula na TV Globo (15/10/2026)Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
Para ir além
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Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, o governo central teve superávit primário (R$ 46,4 bilhões, 0,46% do PIB, pelo Tesouro; R$ 54,1 bilhões, 0,5%, pela Lupa) e o setor público consolidado superávit de 1,25%; o déficit de cerca de 2% do PIB (R$ 228,5 bilhões) é o de 2023, primeiro ano de Lula 3, inflado por R$ 92,4 bilhões de precatórios.
“A meta fiscal de 2025 foi cumprida; o resultado é muito satisfatório”
A meta de 2025 (resultado zero com banda de 0,25 ponto do PIB) foi cumprida no critério legal, mas só porque R$ 48,7 bilhões de despesas foram deduzidos do cálculo: o déficit efetivo foi de R$ 61,7 bilhões (0,48% do PIB) e o resultado para a meta ficou em déficit de R$ 13 bilhões, dentro do piso de R$ 31 bilhões.
“O déficit primário acumulado do governo Lula 3 será 70% menor que o do governo Bolsonaro”
Somando os resultados do governo central pelo Tesouro, Bolsonaro acumulou −R$ 827,0 bilhões em 2019-2022 e Lula 3 −R$ 333,1 bilhões em 2023-2025 (−R$ 414 bilhões com jan-jul/2026), mas 90% do déficit de Bolsonaro é o ano da pandemia (2020, −R$ 743,3 bilhões); excluído o choque da Covid, os dois governos ficam próximos, e a dívida bruta subiu 11,2 pontos do PIB sob Lula 3 contra queda de 3,6 pontos sob Bolsonaro.
“Bolsonaro elevou o Bolsa Família para R$ 600”
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O que ainda não conseguimos confirmar1abrir
Isto é transparência, não erro: são pontos que a pesquisa procurou e ainda não achou em fonte primária.
- O detalhamento oficial da meta de R$ 231,55 bilhões (após EC 126) não foi localizado em texto legal; a cifra vem da imprensa.
Histórico de atualizações
21/10/2026
publicação