Receitas menos despesas do governo (União, estados, municípios e estatais) sem contar juros; positivo é superávit, negativo é déficit.
Resultado primário do setor público (% do PIB)
Receitas menos despesas do governo (União, estados, municípios e estatais) sem contar juros; positivo é superávit, negativo é déficit.
Resultado primário do setor público (% do PIB), de 2002 a 12 meses até ago/2026 (% do PIB). O menor valor foi -9,24% em 2020 e o maior, 3,74% em 2005. O dado mais recente é -0,62% em 12 meses até ago/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 5793 (NFSP primário, 12 meses).
Resultado primário do setor público (% do PIB) (% do PIB)
Período
Valor (% do PIB)
2002
3,19%
2003
3,24%
2004
3,69%
2005
3,74%
2006
3,15%
2007
3,24%
2008
3,33%
2009
1,94%
2010
2,62%
2011
2,94%
2012
2,18%
2013
1,71%
2014
-0,56%
2015
-1,86%
2016
-2,48%
2017
-1,68%
2018
-1,55%
2019
-0,84%
2020
-9,24%
2021
0,72%
2022
1,25%
2023
-2,28%
2024
-0,4%
2025
-0,43%
12 meses até ago/2026
-0,62%
Notas de método
Sinal invertido em relação à convenção NFSP do BCB (no SGS, negativo = superávit); aqui positivo = superávit.
2014 foi o primeiro déficit da série; 2020 o maior (pandemia).
Em reais: 2021 +R$ 64,7 bi; 2022 +R$ 126,0 bi; 2023 −R$ 249,1 bi (inclui R$ 92,4 bi de precatórios); 2024 −R$ 47,553 bi; 2025 −R$ 55,021 bi; 12 meses até ago/2026 −R$ 82,1 bi.
Para a meta do arcabouço fiscal vale o resultado do governo central (ver resultado-primario-governo-central-pib).
Rodada 2 (21/10/2026): o superávit de 2021 é 0,72% do PIB (R$ 64,7 bi) na série do BCB; algumas fontes citam 0,73%. Detalhamento por esfera em R$: ver resultado-primario-por-esfera.
Execução de 2026 até agosto (BCB, acumulado no ano): déficit consolidado R$ 88,8 bi (0,99% do PIB) x R$ 61,8 bi (0,74%) em jan–ago/2025.
A Dívida Bruta do Governo Geral era de R$ 11,1 trilhões (82,87% do PIB) em ago/2026, segundo o Banco Central; o número está correto, e o contexto é que a alta recente vem sobretudo dos juros e que, em proporção do PIB, o nível ainda está abaixo do pico mensal de out/2020 (87,66%).
O PLOA 2027 projeta superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões (0,13% do PIB) e R$ 83,4 bilhões após deduções de R$ 64,7 bilhões — a Lupa classificou como verdadeiro —, mas a IFI projeta déficit efetivo de R$ 86,1 bilhões (−0,6% do PIB) com as mesmas regras, por premissas de PIB, inflação e massa salarial mais conservadoras, e R$ 42 bilhões da receita dependem de um Imposto Seletivo cujo projeto nem foi enviado.
O Brasil recebeu grau de investimento das três grandes agências em 2008-2009 (S&P e Fitch em 2008; Moody's em 2009), durante o governo Lula 2 — fato classificado como correto pelo Aos Fatos; o país perdeu o grau em 2015-2016 (Dilma) e não o recuperou até out/2026, apesar de upgrades em 2023-2024.
O 'Gastômetro' do Estadão soma R$ 354 bilhões em medidas de 2026, mas inclui R$ 55 bilhões de renúncias fiscais e R$ 34 bilhões fora do orçamento, segundo a Lupa, que classificou a frase como exagerada; o pacote eleitoral existe (reajuste do Bolsa Família, fim da taxa das blusinhas, perdão de dívidas de MEI, Pix MEI), assim como existiu em 2022 (PEC Kamikaze de R$ 41 bilhões).
Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, o governo central teve superávit primário (R$ 46,4 bilhões, 0,46% do PIB, pelo Tesouro; R$ 54,1 bilhões, 0,5%, pela Lupa) e o setor público consolidado superávit de 1,25%; o déficit de cerca de 2% do PIB (R$ 228,5 bilhões) é o de 2023, primeiro ano de Lula 3, inflado por R$ 92,4 bilhões de precatórios.
O setor público consolidado teve superávit primário em todos os anos de 2003 a 2010 — de 4,32% do PIB (R$ 60,9 bilhões) em 2003 a 2,78% (R$ 101,7 bilhões) em 2010, pela Lupa; 3,24% a 2,62% na série do BCB —, com metas de 4,25% a 3,1% do PIB nas LDOs e ajudado pelo ciclo de commodities.
O Brasil teve superávit primário em todos os anos de 2003 a 2010, mas não foi o único do G20: a Argentina também teve, segundo a Lupa, que classificou a frase como falsa.
O programa de Flávio registrado no TSE 'não traz estimativas consolidadas de custos, economia de gastos, perdas de receita ou contribuição de cada medida ao crescimento' (Forbes), e a cifra de R$ 200 bilhões (~1,5% do PIB) não vem acompanhada de lista de despesas; como cerca de metade da despesa federal é indexada ao salário mínimo e a IFI calcula que estabilizar a dívida exige superávit de 2,1% do PIB, a promessa não pode ser verificada com os dados disponíveis.
A meta de 2025 (resultado zero com banda de 0,25 ponto do PIB) foi cumprida no critério legal, mas só porque R$ 48,7 bilhões de despesas foram deduzidos do cálculo: o déficit efetivo foi de R$ 61,7 bilhões (0,48% do PIB) e o resultado para a meta ficou em déficit de R$ 13 bilhões, dentro do piso de R$ 31 bilhões.
Somando os resultados do governo central pelo Tesouro, Bolsonaro acumulou −R$ 827,0 bilhões em 2019-2022 e Lula 3 −R$ 333,1 bilhões em 2023-2025 (−R$ 414 bilhões com jan-jul/2026), mas 90% do déficit de Bolsonaro é o ano da pandemia (2020, −R$ 743,3 bilhões); excluído o choque da Covid, os dois governos ficam próximos, e a dívida bruta subiu 11,2 pontos do PIB sob Lula 3 contra queda de 3,6 pontos sob Bolsonaro.
O texto da LDO 2023 (Lei 14.436/2022) fixa meta de déficit de R$ 65,9 bilhões; os R$ 231,55 bilhões citados correspondem à meta efetiva após as exclusões da PEC da Transição (EC 126/2022), aprovada em dezembro de 2022 com apoio do governo eleito para bancar o Bolsa Família de R$ 600 — ou seja, o 'déficit herdado' foi em grande parte decidido pela transição, embora R$ 92,4 bilhões de precatórios represados em 2021-2022 tenham inflado 2023.
Ambosfrase que circula nas redes·data não verificada
Nenhum indicador objetivo de colapso (calote, hiperinflação, crise cambial, depressão, rating de default) aparece nos dados de out/2026; o que os números sustentam é uma deterioração fiscal real (dívida bruta em máxima da série e déficits primários) e inflação acima do teto da meta em 2024-2025, ao lado de desemprego mínimo, PIB em máxima e exportações recordes.