“O Lula quebrou o Brasil”
Flávio / PLQuem disse: Flávio Bolsonaro (PL), senador (RJ) e candidato à Presidência· Onde: Campanha de 2026 (declaração repetida; data e local exatos não verificados nas notas)· Quando: data não verificada
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toque em cada etapaNenhum indicador objetivo de colapso (calote, hiperinflação, crise cambial, depressão, rating de default) aparece nos dados de out/2026; o que os números sustentam é uma deterioração fiscal real (dívida bruta em máxima da série e déficits primários) e inflação acima do teto da meta em 2024-2025, ao lado de desemprego mínimo, PIB em máxima e exportações recordes.
“Exagerado” quer dizer: A direção está certa, o tamanho não. Entenda a escala
- Quem disse:

Flávio Bolsonaro
PL · Assistente técnico de gabinete na liderança do PPB na Câmara dos Deputados (nomeado aos 19 anos; R$ 56.548,63 só em 2001; 'quase dois anos' no cargo)
Lado: Oposição (Flávio Bolsonaro / PL)
Ver a ficha de Flávio Bolsonaro → - Onde e quando:
Campanha de 2026 (declaração repetida; data e local exatos não verificados nas notas)
data não verificada
link da declaração ainda não verificado
- O que disse:
“O Lula quebrou o Brasil”
Também circula como: Lula quebrou o país · O Brasil está quebrado · Está todo mundo quebrando
- Veredito: Exagerado
Nenhum indicador objetivo de colapso (calote, hiperinflação, crise cambial, depressão, rating de default) aparece nos dados de out/2026; o que os números sustentam é uma deterioração fiscal real (dívida bruta em máxima da série e déficits primários) e inflação acima do teto da meta em 2024-2025, ao lado de desemprego mínimo, PIB em máxima e exportações recordes.
“Exagerado” quer dizer: A direção está certa, o tamanho não. Entenda a escala
- O dado real:
Dívida bruta do governo geral: 82,9% (ago/2026)
Fonte: Banco Central do Brasil – SGS 13762 (Dívida Bruta do Governo Geral, % PIB)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026 - Quem decide:
Copom / Banco Central autônomo (LC 179/2021) — fixa a Selic; juros são o principal propulsor mecânico da dívida em 2024-2026
Também: Congresso Nacional, Copom / Banco Central autônomo (LC 179/2021), Choques externos (câmbio, commodities, tarifas dos EUA, conflitos)
Ver o mapa de quem decide ↓ - Fontes:
- Banco Central do Brasil – SGS 13762 (Dívida Bruta do Governo Geral, % PIB)
- Banco Central do Brasil – SGS 13522 (IPCA acumulado 12 meses)
- Banco Central do Brasil – SGS 432 (meta Selic)
Nenhum indicador objetivo de colapso (calote, hiperinflação, crise cambial, depressão, rating de default) aparece nos dados de out/2026; o que os números sustentam é uma deterioração fiscal real (dívida bruta em máxima da série e déficits primários) e inflação acima do teto da meta em 2024-2025, ao lado de desemprego mínimo, PIB em máxima e exportações recordes.
Exagerado quer dizer: A direção está certa, o tamanho não. Entenda a escala
Em 3 frases
- 1
Economistas chamam de país quebrado aquele que dá calote, tem hiperinflação, fica sem reservas ou entra em depressão, e nada disso ocorre no Brasil de 2026.
- 2
Os pontos fracos reais do governo Lula 3 são a dívida bruta em 82,9% do PIB, déficits nas contas públicas e inflação acima do teto da meta em 2024 e 2025.
- 3
Ao mesmo tempo, o desemprego está no menor nível da série do IBGE, o PIB está em máxima histórica e as reservas internacionais somam US$ 363 bilhões.
Os números
Como isso evoluiu
Crescimento real do PIB por ano
Quanto a economia brasileira cresceu ou encolheu a cada ano, descontada a inflação.
Crescimento real do PIB por ano, de 2003 a 2026 (acum. 4 trim. até 2T2026) (% ao ano). O menor valor foi -3,55% em 2015 e o maior, 7,53% em 2010. O dado mais recente é 1,9% em 2026 (acum. 4 trim. até 2T2026). Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 7326 (origem IBGE/Contas Nacionais).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 7326 (origem IBGE/Contas Nacionais)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% ao ano) |
|---|---|
| 2003 | 1,14% |
| 2004 | 5,76% |
| 2005 | 3,2% |
| 2006 | 3,96% |
| 2007 | 6,07% |
| 2008 | 5,09% |
| 2009 | -0,13% |
| 2010 | 7,53% |
| 2011 | 3,97% |
| 2012 | 1,92% |
| 2013 | 3% |
| 2014 | 0,5% |
| 2015 | -3,55% |
| 2016 | -3,28% |
| 2017 | 1,32% |
| 2018 | 1,78% |
| 2019 | 1,22% |
| 2020 | -3,28% |
| 2021 | 4,76% |
| 2022 | 3,02% |
| 2023 | 3,24% |
| 2024 | 3,42% |
| 2025 | 2,29% |
| 2026 (acum. 4 trim. até 2T2026) | 1,9% |
Inflação (IPCA) por ano
Variação dos preços ao consumidor medida pelo IBGE em cada ano (dezembro contra dezembro).
Inflação (IPCA) por ano, de 2003 a 2026 (12 meses até set/2026) (% ao ano). O menor valor foi 2,95% em 2017 e o maior, 10,7% em 2015. O dado mais recente é 4,58% em 2026 (12 meses até set/2026). Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 13522 (IPCA acumulado em 12 meses, valor de dezembro).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 13522 (IPCA acumulado em 12 meses, valor de dezembro)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% ao ano) |
|---|---|
| 2003 | 9,3% |
| 2004 | 7,6% |
| 2005 | 5,69% |
| 2006 | 3,14% |
| 2007 | 4,46% |
| 2008 | 5,9% |
| 2009 | 4,31% |
| 2010 | 5,91% |
| 2011 | 6,5% |
| 2012 | 5,84% |
| 2013 | 5,91% |
| 2014 | 6,41% |
| 2015 | 10,7% |
| 2016 | 6,29% |
| 2017 | 2,95% |
| 2018 | 3,75% |
| 2019 | 4,31% |
| 2020 | 4,52% |
| 2021 | 10,1% |
| 2022 | 5,79% |
| 2023 | 4,62% |
| 2024 | 4,83% |
| 2025 | 4,26% |
| 2026 (12 meses até set/2026) | 4,58% |
Meta da taxa Selic em 31 de dezembro de cada ano
Taxa básica de juros definida pelo Copom, vigente no último dia de cada ano (2003–2025) e em 21/10/2026.
Meta da taxa Selic em 31 de dezembro de cada ano, de 2003 a 2026 (21/10/2026) (% ao ano). O menor valor foi 2% em 2020 e o maior, 18% em 2005. O dado mais recente é 13,8% em 2026 (21/10/2026). Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 432 (meta Selic, diária; janelas de 5 anos) e histórico oficial das reuniões do Copom.
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 432 (meta Selic, diária; janelas de 5 anos) e histórico oficial das reuniões do Copom(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% ao ano) |
|---|---|
| 2003 | 16,5% |
| 2004 | 17,8% |
| 2005 | 18% |
| 2006 | 13,3% |
| 2007 | 11,3% |
| 2008 | 13,8% |
| 2009 | 8,75% |
| 2010 | 10,8% |
| 2011 | 11% |
| 2012 | 7,25% |
| 2013 | 10% |
| 2014 | 11,8% |
| 2015 | 14,3% |
| 2016 | 13,8% |
| 2017 | 7% |
| 2018 | 6,5% |
| 2019 | 4,5% |
| 2020 | 2% |
| 2021 | 9,25% |
| 2022 | 13,8% |
| 2023 | 11,8% |
| 2024 | 12,3% |
| 2025 | 15% |
| 2026 (21/10/2026) | 13,8% |
Dívida bruta do governo geral (% do PIB)
Tudo o que União, estados e municípios devem, em proporção do tamanho da economia, em dezembro de cada ano.
Dívida bruta do governo geral (% do PIB), de 2006 a ago/2026 (% do PIB). O menor valor foi 51,3% em 2011 e o maior, 86,9% em 2020. O dado mais recente é 82,9% em ago/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 13762 (DBGG, metodologia 2008).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 13762 (DBGG, metodologia 2008)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% do PIB) |
|---|---|
| 2006 | 55,5% |
| 2007 | 56,7% |
| 2008 | 56% |
| 2009 | 59,2% |
| 2010 | 51,8% |
| 2011 | 51,3% |
| 2012 | 53,7% |
| 2013 | 51,5% |
| 2014 | 56,3% |
| 2015 | 65,5% |
| 2016 | 69,8% |
| 2017 | 73,7% |
| 2018 | 75,3% |
| 2019 | 74,4% |
| 2020 | 86,9% |
| 2021 | 77,3% |
| 2022 | 71,7% |
| 2023 | 73,8% |
| 2024 | 76,3% |
| 2025 | 78,6% |
| ago/2026 | 82,9% |
Taxa de desocupação por trimestre (PNAD Contínua)
Desemprego no 4º trimestre de cada ano e em trimestres de destaque (picos e mínimas).
Taxa de desocupação por trimestre (PNAD Contínua), de 4T2012 a 2T2026 (% da força de trabalho). O menor valor foi 5,1% em 4T2025 e o maior, 14,9% em 3T2020. O dado mais recente é 5,4% em 2T2026. Fonte: IBGE/SIDRA, tabela 4099 (variável 4099).
Fonte: IBGE/SIDRA, tabela 4099 (variável 4099)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% da força de trabalho) |
|---|---|
| 4T2012 | 6,9% |
| 4T2013 | 6,2% |
| 4T2014 | 6,6% |
| 4T2015 | 9,1% |
| 2T2016 | 11,4% |
| 4T2016 | 12,1% |
| 1T2017 | 13,9% |
| 4T2017 | 11,9% |
| 4T2018 | 11,7% |
| 4T2019 | 11,1% |
| 3T2020 | 14,9% |
| 4T2020 | 14,2% |
| 1T2021 | 14,9% |
| 4T2021 | 11,1% |
| 4T2022 | 7,9% |
| 4T2023 | 7,4% |
| 4T2024 | 6,2% |
| 1T2025 | 7% |
| 2T2025 | 5,8% |
| 3T2025 | 5,6% |
| 4T2025 | 5,1% |
| 1T2026 | 6,1% |
| 2T2026 | 5,4% |
Reservas internacionais (fim de ano)
Dólares que o Banco Central guarda como colchão de segurança, em dezembro de cada ano.
Reservas internacionais (fim de ano), de 2002 a set/2026 (US$ bilhões). O menor valor foi 37,8 US$ bilhões em 2002 e o maior, 374,7 US$ bilhões em 2018. O dado mais recente é 362,8 US$ bilhões em set/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 3546 (reservas totais, mensal).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 3546 (reservas totais, mensal)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (US$ bilhões) |
|---|---|
| 2002 | 37,8 US$ bilhões |
| 2003 | 49,3 US$ bilhões |
| 2004 | 52,9 US$ bilhões |
| 2005 | 53,8 US$ bilhões |
| 2006 | 85,8 US$ bilhões |
| 2007 | 180,3 US$ bilhões |
| 2008 | 193,8 US$ bilhões |
| 2009 | 238,5 US$ bilhões |
| 2010 | 288,6 US$ bilhões |
| 2011 | 352 US$ bilhões |
| 2012 | 373,1 US$ bilhões |
| 2013 | 358,8 US$ bilhões |
| 2014 | 363,6 US$ bilhões |
| 2015 | 356,5 US$ bilhões |
| 2016 | 365 US$ bilhões |
| 2017 | 374 US$ bilhões |
| 2018 | 374,7 US$ bilhões |
| 2019 | 356,9 US$ bilhões |
| 2020 | 355,6 US$ bilhões |
| 2021 | 362,2 US$ bilhões |
| 2022 | 324,7 US$ bilhões |
| 2023 | 355 US$ bilhões |
| 2024 | 329,7 US$ bilhões |
| 2025 | 358,2 US$ bilhões |
| set/2026 | 362,8 US$ bilhões |
Resultado primário do setor público (% do PIB)
Receitas menos despesas do governo (União, estados, municípios e estatais) sem contar juros; positivo é superávit, negativo é déficit.
Resultado primário do setor público (% do PIB), de 2002 a 12 meses até ago/2026 (% do PIB). O menor valor foi -9,24% em 2020 e o maior, 3,74% em 2005. O dado mais recente é -0,62% em 12 meses até ago/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 5793 (NFSP primário, 12 meses).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 5793 (NFSP primário, 12 meses)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% do PIB) |
|---|---|
| 2002 | 3,19% |
| 2003 | 3,24% |
| 2004 | 3,69% |
| 2005 | 3,74% |
| 2006 | 3,15% |
| 2007 | 3,24% |
| 2008 | 3,33% |
| 2009 | 1,94% |
| 2010 | 2,62% |
| 2011 | 2,94% |
| 2012 | 2,18% |
| 2013 | 1,71% |
| 2014 | -0,56% |
| 2015 | -1,86% |
| 2016 | -2,48% |
| 2017 | -1,68% |
| 2018 | -1,55% |
| 2019 | -0,84% |
| 2020 | -9,24% |
| 2021 | 0,72% |
| 2022 | 1,25% |
| 2023 | -2,28% |
| 2024 | -0,4% |
| 2025 | -0,43% |
| 12 meses até ago/2026 | -0,62% |
Ibovespa no último pregão de cada ano
Pontuação do principal índice da bolsa brasileira no fechamento do ano (valores nominais).
Ibovespa no último pregão de cada ano, de 2002 a 20/10/2026 (pontos). O menor valor foi 11.268 pontos em 2002 e o maior, 208.296 pontos em 20/10/2026. O dado mais recente é 208.296 pontos em 20/10/2026. Fonte: Ipeadata, série GM366_IBVSP366.
Fonte: Ipeadata, série GM366_IBVSP366(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (pontos) |
|---|---|
| 2002 | 11.268 pontos |
| 2003 | 22.236 pontos |
| 2004 | 26.196 pontos |
| 2005 | 33.456 pontos |
| 2006 | 44.474 pontos |
| 2007 | 63.886 pontos |
| 2008 | 37.550 pontos |
| 2009 | 68.588 pontos |
| 2010 | 69.305 pontos |
| 2011 | 56.754 pontos |
| 2012 | 60.952 pontos |
| 2013 | 51.507 pontos |
| 2014 | 50.007 pontos |
| 2015 | 43.350 pontos |
| 2016 | 60.227 pontos |
| 2017 | 76.402 pontos |
| 2018 | 87.887 pontos |
| 2019 | 115.964 pontos |
| 2020 | 119.306 pontos |
| 2021 | 104.822 pontos |
| 2022 | 110.031 pontos |
| 2023 | 134.185 pontos |
| 2024 | 120.283 pontos |
| 2025 | 161.125 pontos |
| 19/10/2026 | 205.079 pontos |
| 20/10/2026 | 208.296 pontos |
Risco-país (EMBI+ Brasil) no fim de cada ano
Prêmio de risco cobrado dos títulos brasileiros, em pontos-base; quanto maior, mais desconfiança.
Risco-país (EMBI+ Brasil) no fim de cada ano, de 2002 a 2024 (até 30/07/2024) (pontos-base). O menor valor foi 142 pontos-base em 2012 e o maior, 1.445 pontos-base em 2002. O dado mais recente é 228 pontos-base em 2024 (até 30/07/2024). Fonte: Ipeadata, série JPM366_EMBI366 (JP Morgan).
Fonte: Ipeadata, série JPM366_EMBI366 (JP Morgan)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (pontos-base) |
|---|---|
| 2002 | 1.445 pontos-base |
| 2003 | 463 pontos-base |
| 2004 | 382 pontos-base |
| 2005 | 311 pontos-base |
| 2006 | 192 pontos-base |
| 2007 | 221 pontos-base |
| 2008 | 428 pontos-base |
| 2009 | 192 pontos-base |
| 2010 | 189 pontos-base |
| 2011 | 223 pontos-base |
| 2012 | 142 pontos-base |
| 2013 | 224 pontos-base |
| 2014 | 259 pontos-base |
| 2015 | 523 pontos-base |
| 2016 | 328 pontos-base |
| 2017 | 240 pontos-base |
| 2018 | 276 pontos-base |
| 2019 | 214 pontos-base |
| 2020 | 260 pontos-base |
| 2021 | 326 pontos-base |
| 2022 | 256 pontos-base |
| 2023 | 195 pontos-base |
| 2024 (até 30/07/2024) | 228 pontos-base |
O que é verdade e o que não se sustenta
O que é verdade
- A dívida bruta do governo geral está em 82,87% do PIB (ago/2026), acima de todos os fechamentos de dezembro da série iniciada em 2006.
- O setor público teve déficit primário em 2023 (2,28% do PIB), 2024 (0,40%) e 2025 (0,43%), e o déficit em 12 meses voltou a subir em 2026 (0,62%).
- O IPCA estourou o teto da meta em 2024 (4,83%) e a meta contínua foi formalmente descumprida em 2025; o Focus projeta 5,22% para 2026, acima do teto.
- A Selic chegou a 15% em jun/2025, maior desde 2006, e o juro real está em torno de 9,5% ao ano.
O que não se sustenta
- Não há calote, hiperinflação, crise cambial, depressão nem rating de default — os critérios objetivos de 'quebra'.
- O PIB real está em máxima histórica (2T2026) e cresceu em média 3,0% ao ano em 2023-2025, segunda melhor média desde 2003.
- O desemprego está na mínima da série da PNAD Contínua (5,3%) e o Ibovespa bateu recorde nominal em 20/10/2026 (208.296 pontos).
- As reservas internacionais (US$ 362,8 bilhões) estão estáveis e as exportações bateram recorde em 2025.
- Pela datação oficial do CODACE/FGV, o Brasil está em expansão desde o 3T2020 e nenhuma recessão foi datada em Lula 3; o PIB per capita real só superou o nível de 2013 em 2024.
Quem é responsável por isso?
Controla: propõe orçamento, metas fiscais e deduções; política de gasto e desonerações
Quero entender a fundo
O que significa 'quebrar' um país
Os critérios usados por economistas são objetivos: suspensão de pagamentos da dívida (o Brasil deu moratória em 1987 e recorreu ao FMI em 2002-2005), hiperinflação (acima de 50% ao mês, como em 1989-1994), esgotamento das reservas, depressão prolongada e rating soberano em faixa de default.
O que os dados de outubro de 2026 mostram
- Dívida bruta: 82,87% do PIB em ago/2026 (R$ 11,1 trilhões), máxima para o mês na série do BCB iniciada em 2006, mas abaixo do pico mensal de 86,94% em dez/2020. A alta de 2026 veio sobretudo de juros (+6,5 pontos percentuais no ano).
- Inflação: IPCA de 4,58% em 12 meses até set/2026, acima do teto de 4,5%; a meta contínua foi formalmente descumprida em 2025. Nenhum ano desde 2003 chegou perto de hiperinflação; o pior foi 2015 (10,67%).
- Juros: Selic em 13,75% após pico de 15% (maior desde 2006); juro real de cerca de 9,5% ao ano, um dos mais altos do mundo — custo relevante, mas o oposto do que ocorre em colapsos monetários.
- Atividade e emprego: PIB em máxima histórica no 2T2026; desocupação de 5,3% (jun-ago/2026), mínima da PNAD Contínua.
- Setor externo: reservas de US$ 362,8 bilhões, exportações recordes em 2025 (US$ 350,5 bilhões), saldo comercial positivo.
- Rating: grau especulativo desde 2015-16 (perdido sob Dilma), com upgrades em 2023-2024 e nenhum rebaixamento identificado em Lula 3 (dado a confirmar nas agências).
Leitura
A frase atribui ao presidente variáveis que ele controla só em parte (a Selic é do BC autônomo; câmbio e commodities são externos) e ignora os indicadores positivos. A crítica factual que os dados sustentam é fiscal: dívida crescente, déficits primários de 2023 a 2026 e metas cumpridas apenas com deduções.
Perguntas frequentes
O que outras agências disseram
- Aos FatosVeredito original: “Afirmações de Flávio no debate da Band: dívida de R$ 11 tri = correto; recorde de empresas fechadas = falso; juros caíram 2% = incorreto (não há checagem da frase literal)” · 18/10/2026Ler a checagem
- Aos FatosVeredito original: “FALSO para 'recorde de empresas fechadas'” · 20/10/2026Ler a checagem
- Aos FatosVeredito original: “Contextualizou 'está todo mundo quebrando' (Renan Santos) com dados da Serasa, sem rótulo” · 23/08/2026Ler a checagem
- Estadão VerificaVeredito original: “25 checagens do debate da Band, nenhuma sobre a frase 'quebrou o Brasil'; itens correlatos: 'recorde de empresas fechando' (Flávio) = falta contexto; grau de investimento e FMI (Lula) = verdadeiro” · 18/10/2026Ler a checagem
- Aos FatosVeredito original: “FALSO para '8.000 empresas faliram em junho' (post compartilhado pelo senador Márcio Bittar, PL-AC)” · 24/08/2026Ler a checagem
Fontes
- 1Banco Central do Brasil – SGS 13762 (Dívida Bruta do Governo Geral, % PIB)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 2Banco Central do Brasil – SGS 13522 (IPCA acumulado 12 meses)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 3Banco Central do Brasil – SGS 432 (meta Selic)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 4Banco Central do Brasil – SGS 24369 (taxa de desocupação, trimestre móvel, origem IBGE)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 5Banco Central do Brasil – SGS 3546 (reservas internacionais)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 6IBGE – SIDRA tabela 1621 (índice de volume do PIB dessazonalizado)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 7Banco Central do Brasil – SGS 5793 (resultado primário do setor público, 12 meses, % PIB)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 8Ipeadata – Ibovespa fechamento (GM366_IBVSP366)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 9Banco Central do Brasil – SGS 4390 (Selic acumulada no mês)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 10Aos Fatos – Checamos Lula x Flávio Bolsonaro no debate da Band (18/10/2026)Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
- 11FMI – DataMapper GGXWDG_NGDP (dívida bruta do governo geral)Multilateral · acesso em 21/10/2026
- 12BCB – Ata da 281ª reunião do Copom (16/09/2026)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 13CODACE/FGV IBRE – Comunicado de datação de ciclos econômicos (02/02/2023, PDF)Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
- 14IBGE – Contas Nacionais Trimestrais, 4º trimestre de 2025 (PDF)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 15Banco Central do Brasil – SGS 4537 (DBGG % PIB, metodologia antiga até 2007)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 16Estadão Verifica – Checamos o debate entre Lula e Flávio na Band (18/10/2026)Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
- 17Aos Fatos – É falso que 8.000 empresas faliram no Brasil em junho (24/08/2026)Agência de checagem · acesso em 21/10/2026
- 18FX Empire – histórico de ratings soberanos do Brasil (agregador, 2017-2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 19IBGE – Contas Nacionais Trimestrais, 4º trimestre de 2024 (PDF)Oficial · acesso em 21/10/2026
Para ir além
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“O atual governo deixa uma dívida de R$ 11 trilhões”
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“O Brasil tem recorde de empresas fechadas”
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O juro real brasileiro (Selic de 15% deflacionada pelo IPCA) ficou em torno de 9,3% a 9,7% ao ano em 2025-2026, 'um dos mais altos do mundo' segundo a nota e '2º maior do mundo' segundo o Senado; a Selic de 15% é a maior desde 2006 e foi decidida pelo BC autônomo presidido por Gabriel Galípolo, indicado por Lula, em resposta a inflação acima da meta e ao prêmio de risco fiscal.