Tabela do Imposto de Renda congelada (2016-2022): isenção parada em R$ 1.903,98 e 'imposto inflacionário'
O que faz
- Entre 2016 e 2022 a tabela do IRPF não foi corrigida: a faixa de isenção ficou em R$ 1.903,98. Com a inflação, salários nominais subiram e mais trabalhadores passaram a pagar imposto ou subiram de faixa sem ganho real — o chamado 'imposto inflacionário'.
- Defasagem (Sindifisco): 44,11% só no período 2016-2022; 26,25% em 2018-2022, 'a maior já registrada num ciclo de governo'; 24,0% em 2019-2021, com projeção de 28% nos quatro anos de Bolsonaro. Acumulada desde 1996: 157,22% (cálculo de 2026, base 2025) — se integralmente corrigida, a isenção seria R$ 6.694,37/mês e a alíquota de 27,5% só a partir de R$ 12.374,74.
- Efeito ilustrativo (Sindifisco, 2026): para renda bruta de R$ 6.500/mês, a não correção integral desde 1996 implica imposto extra de R$ 535,04/mês; para renda tributável de R$ 10.000, R$ 1.186,87/mês a mais (371,8% do devido com tabela corrigida). O Sindifisco afirma que o congelamento 'retira da faixa de isenção mais de oito milhões de assalariados' (fonte sindical).
- Em 2021 o governo Bolsonaro aprovou na Câmara o PL 2.337/2021 (reforma do IR com tributação de dividendos a 15%), que não foi votado no Senado. A correção da tabela veio em 2023 (Lula: +10,93%) e em 2025 (MP 1.294: isenção até 2 salários mínimos).
Quem ganha e quem paga
União (arrecadação adicional do IRPF por efeito da inflação). Valor não quantificado nas notas. · Não se aplica (Tesouro)
Trabalhadores de renda média-baixa que entraram na base do IR ou subiram de faixa por causa da inflação — entre ~1,5 e 5 salários mínimos, segundo inferência da nota; Sindifisco fala em mais de 8 milhões de assalariados retirados da faixa de isenção (estimativa sindical, não verificada em fonte oficial). · ≈1,5 a 5 salários mínimos
Mitos e fatos
- MitoO governo Bolsonaro não mexeu no Imposto de Renda, então ninguém passou a pagar mais.FatoNão corrigir a tabela equivale a aumento real de imposto: a defasagem acumulou 26,25% entre 2018 e 2022 (Sindifisco), fazendo trabalhadores de renda média-baixa entrarem na base ou subirem de faixa apenas por inflação. O governo Bolsonaro aprovou na Câmara uma reforma do IR (PL 2.337/2021), parada no Senado.
- MitoO governo Lula corrigiu toda a defasagem da tabela do IR.FatoHouve correções em 2023 (+10,93%) e 2025 (isenção até R$ 3.036), e a Lei 15.270/2025 criou redução para quem ganha até R$ 7.350, mas a tabela progressiva em si não foi alterada e o Sindifisco calcula defasagem acumulada de 157,22% desde 1996.
Fontes
- 1Contabilidade.com — histórico da tabela IRPF 2016-2026 e defasagemImprensa · acesso em 21/10/2026
- 2Sindifisco — Nota Técnica 284 sobre defasagem da tabela do IR (PDF via Sindipetro-NF)Fonte partidária · acesso em 21/10/2026
- 3UFPel — defasagem do Imposto de Renda é a maior desde o início do Plano Real (20/04/2022)Instituto de pesquisa · acesso em 21/10/2026
- 4Money Times/Sindifisco — defasagem da tabela do IR chega a 157% (2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 5Monitor Mercantil/Sindifisco — defasagem 2018-2022 e assalariados na base do IRImprensa · acesso em 21/10/2026
- 6Congresso em Foco — Lula ajusta tabela do IR para manter isento quem ganha até 2 saláriosImprensa · acesso em 21/10/2026
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