Desoneração federal dos combustíveis e limite do ICMS em 2022 (LCs 192 e 194)
O que faz
- LC 192: cobrança monofásica do ICMS sobre combustíveis com alíquota fixa por litro (ad rem), igual em todo o país e fixada pelo Confaz (em vigor desde 01/05/2023 no diesel, R$ 0,94/l, e 01/06/2023 na gasolina, R$ 1,22/l); zerou PIS/Cofins do diesel, biodiesel, GLP e QAV.
- LC 194: combustíveis, energia e telecomunicações passaram a ser 'essenciais', com ICMS limitado à alíquota modal (17–18%); zerou Cide/PIS/Cofins de gasolina, etanol e GNV até 31/12/2022 e retirou TUSD/TUST da base do ICMS da energia (depois reincluídas por decisão do STF).
- O pacote previa compensar estados que zerassem o ICMS do diesel e do GLP e reduzissem o do etanol (R$ 29,6 bi, fora do teto de gastos); estimava queda de R$ 0,76/l no diesel e R$ 1,65/l na gasolina.
- A prorrogação da desoneração federal para 2023, proposta no fim de 2022, custaria R$ 52,9 bi; a reoneração ocorreu ao longo de 2023 (gasolina em março; diesel ao longo do ano).
- Médias anuais da ANP: a gasolina passou de R$ 5,781/l (2021) para R$ 6,113 (2022) e R$ 5,504 (2023); o diesel S10 de R$ 4,626 para R$ 6,682 e R$ 5,843; o GLP de R$ 90,51 para R$ 109,86 e R$ 104,22. O Brent médio foi US$ 70,86 (2021), US$ 100,93 (2022) e US$ 82,49 (2023).
Quem ganha e quem paga
Consumidores de combustíveis em 2022 (queda estimada de R$ 1,65/l na gasolina e R$ 0,76/l no diesel) e de energia e telecom (ICMS limitado). · todos os consumidores, com peso maior para quem gasta mais em combustível
A União: R$ 64,8 bi estimados em 2022 (R$ 35,2 bi de renúncia de PIS/Cofins/Cide e R$ 29,6 bi de compensação a estados), mais R$ 27 bi pagos aos estados por acordo homologado pelo STF em 02/06/2023 (repasses de 2023 a 2025). Os estados: perda estimada de cerca de R$ 100 bi/ano (R$ 102–109 bi nos 12 meses pós-lei) e de R$ 45 bi em 2022, segundo o Comsefaz; 12 estados elevaram a alíquota modal para 19–21% em 2023. · contribuintes em geral (via União e estados)
Mitos e fatos
- MitoBolsonaro zerou os impostos dos combustíveis.FatoZerou os tributos federais (PIS/Cofins/Cide) até 31/12/2022 e, com o Congresso, limitou o ICMS a 17–18%; o ICMS não foi zerado e os estados foram compensados com R$ 27 bi.
- MitoO governador aumenta o ICMS da gasolina quando quer.FatoDesde a LC 192 o ICMS dos combustíveis é um valor único nacional por litro, fixado pelo Confaz e reajustado anualmente (R$ 1,57/l na gasolina em 2026).
Fontes
- 1Comsefaz – Nota Técnica 023/2023, impactos das LCs 192 e 194 (PDF)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 2eixos – Corte de impostos dos combustíveis custará R$ 64,8 bi ao governo em ano eleitoral (09/06/2022)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 3novaCana – Impostos federais de combustíveis zerados em 2023 (01/09/2022)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 4Notícias Agrícolas – STF homologa acordo de R$ 27 bi entre União e estados (06/06/2023)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 5Acordo União–estados sobre ICMS, dez/2022 (PDF via Poder360)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 6Diário do Comércio – ICMS da gasolina e do diesel sobe em 2026Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 7ANP – Série histórica do levantamento de preços (médias mensais Brasil)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 8EIA – Europe Brent Spot Price FOB, média anual (xls)Oficial · acesso em 21/10/2026
Medidas relacionadas
Auxílio Brasil (nov/2021 a dez/2022): piso de R$ 400 e R$ 600 temporários de agosto a dezembro de 2022
Substituiu o Bolsa Família (que pagava em média ~R$ 190: R$ 187,91 em jan/2019 e R$ 191,86 até mar/2020) por um benefício com piso de R$ 400 a partir de nov/2021 (14,5 milhões de famílias no 1º mês; previsão de R$ 89 bi em 2022).
20,2 milhões de famílias em ago/2022 (benefício médio R$ 607,88), fortemente pró-pobre (décimos 1 a 4, inferência da nota). O salto de ~R$ 190 para R$ 400 no benefício médio ocorreu nesta medida. · Famílias em pobreza e extrema pobreza; décimos 1 a 4
União: previsão de R$ 89 bilhões em 2022 (dentro de R$ 453 bi de transferências em 2020-2022 somando Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil); os R$ 600 foram viabilizados por emenda constitucional fora do teto de gastos; tomadores de crédito pagaram IOF maior no fim de 2021 (R$ 2,14 bi). · Não se aplica (Tesouro)
Auxílio Emergencial da pandemia (abr/2020 a out/2021): R$ 600, depois R$ 300 e R$ 150-375
Pagou R$ 600 por mês (R$ 1.200 para mães solo) por 3 meses a informais, desempregados e famílias de baixa renda durante a pandemia; prorrogado por mais 2 meses (Decreto 10.412/2020, crédito de R$ 101,6 bi) e depois 4 parcelas de R$ 300 (set-dez/2020). Em 2021, parcelas de R$ 150, R$ 250 ou R$ 375 (MP 1.039/2021, teto de R$ 44 bi).
68,2 milhões de pessoas em 2020 (FGV; ~68,3 milhões elegíveis segundo a UFRJ); 45,6 milhões de famílias em 2021. Fortemente pró-pobre: efeito nos décimos 1 a 4 (inferência da nota). · Informais, desempregados e famílias de baixa renda; décimos 1 a 4
União, com crédito extraordinário fora do teto de gastos: R$ 322 bi autorizados e R$ 293,34 bi pagos em 2020; R$ 56,89 bi em 2021 e R$ 3,37 bi residuais em 2022 (Portal da Transparência) — total ≈ R$ 353,6 bi. TCU: ~R$ 45 bi pagos indevidamente. · Não se aplica (Tesouro/dívida pública)
Tributação das apostas de quota fixa (bets): 12% a 15% sobre a receita das casas e 15% de IR sobre prêmios (Lei 14.790/2023 e LC 224/2025)
As casas de apostas pagam uma contribuição sobre o GGR (receita após o pagamento dos prêmios): 12% pela Lei 14.790/2023; a LC 224/2025 escalonou para 13% a partir de abr/2026, 14% em 2027 e 15% a partir de 2028.
União (arrecadação): o setor recolheu R$ 9,953 bi em tributos federais em 2025 (R$ 91 mi em 2024) e R$ 9,914 bi em jan-ago/2026 (+69,25% real). · Não se aplica
Casas de apostas (contribuição sobre o GGR) e apostadores (15% de IR sobre prêmios líquidos). O perfil de renda dos apostadores não consta das notas. · Não informado nas notas