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“A carga tributária bateu recorde no governo Lula”

AmbosQuem disse: frase que circula nas redes· Onde: Redes sociais e debate público após a divulgação do Tesouro (abr/2026)· Quando: data não verificada

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4. Veredito
Verdadeiro, mas…

A carga tributária bruta do governo geral foi de 32,40% do PIB em 2025, o maior valor da série do Tesouro iniciada em 2010 (puxado por IRRF, IOF e contribuições federais); a ressalva é que a série foi revista em 2025-2026 (saíram FGTS e Sistema S) e a metodologia antiga da Receita já apurava 32-33% em 2010-2017.

“Verdadeiro, mas…” quer dizer: O número está certo, mas a conclusão ou a culpa atribuída não se sustenta sem contexto. Entenda a escala

  1. Quem disse:

    frase que circula nas redes

    Lado: Os dois lados

  2. Onde e quando:

    Redes sociais e debate público após a divulgação do Tesouro (abr/2026)

    data não verificada

    link da declaração ainda não verificado

  3. O que disse:

    “A carga tributária bateu recorde no governo Lula”

    Também circula como: Nunca se pagou tanto imposto no Brasil · Carga tributária de 32,4% do PIB é recorde

  4. Veredito: Verdadeiro, mas…

    A carga tributária bruta do governo geral foi de 32,40% do PIB em 2025, o maior valor da série do Tesouro iniciada em 2010 (puxado por IRRF, IOF e contribuições federais); a ressalva é que a série foi revista em 2025-2026 (saíram FGTS e Sistema S) e a metodologia antiga da Receita já apurava 32-33% em 2010-2017.

    “Verdadeiro, mas…” quer dizer: O número está certo, mas a conclusão ou a culpa atribuída não se sustenta sem contexto. Entenda a escala

  5. O dado real:

    Carga tributária bruta do governo geral: 32,4% (2025)

    Fonte: Tesouro Nacional – Carga Tributária do Governo Geral 2025 (10/04/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
  6. Quem decide:

    Congresso Nacional — aprovou leis tributárias (Lei 14.754/2023, 15.079/2024, 15.270/2025) e derrubou parte do IOF em 2025

    Também: Congresso Nacional, STF, Governo Bolsonaro (2022)

    Ver o mapa de quem decide ↓
  7. Fontes: Ver todas as fontes ↓
Veredito
Verdadeiro, mas…

A carga tributária bruta do governo geral foi de 32,40% do PIB em 2025, o maior valor da série do Tesouro iniciada em 2010 (puxado por IRRF, IOF e contribuições federais); a ressalva é que a série foi revista em 2025-2026 (saíram FGTS e Sistema S) e a metodologia antiga da Receita já apurava 32-33% em 2010-2017.

Verdadeiro, mas… quer dizer: O número está certo, mas a conclusão ou a culpa atribuída não se sustenta sem contexto. Entenda a escala

Em 3 frases

  1. 1

    Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária foi de 32,40% do PIB em 2025, acima dos 32,22% de 2024 e o maior valor da série iniciada em 2010.

  2. 2

    A alta veio do governo federal, com imposto de renda retido na fonte em 5% do PIB, IOF e contribuições previdenciárias, enquanto o ICMS dos estados recuou.

  3. 3

    A comparação com anos anteriores exige cuidado porque a série foi revista em 2025 e a metodologia antiga da Receita já mostrava 32% a 33% entre 2010 e 2017.

Os números

Carga tributária bruta do governo geral
32,4%
% do PIB · referente a 2025
+0,18 p.p.em relação a 2024 (32,2%)
Fonte: Tesouro Nacional – Carga Tributária do Governo Geral 2025 (10/04/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga tributária em 2023
30,3%
% do PIB · referente a 2023
+1,11 p.p.em relação a 2020 (mínimo da série) (29,2%)
Fonte: Tesouro Nacional – Carga Tributária do Governo Geral 2025 (10/04/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga tributária em 2010 (início da série)
30,3%
% do PIB · referente a 2010
−0,92 p.p.em relação a 2022 (31,2%)
Fonte: Tesouro Nacional – planilha 'Base CTB GG.xlsx' (Carga Tributária do Governo Geral, Tabela 1)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga do governo central
21,6%
% do PIB · referente a 2025
+0,26 p.p.em relação a 2024 (21,3%)
Fonte: Tesouro Nacional – Carga Tributária do Governo Geral 2025 (10/04/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
IRRF
5%
% do PIB · referente a 2025 (maior da série)
Fonte: Contábeis – Carga tributária do Brasil atinge recorde de 32,4% do PIB em 2025 (23/04/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Crescimento da arrecadação de IOF
15,4 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
−5,9 R$ bilhõesem relação a Variação (21,3 R$ bilhões)
Fonte: Agência Brasil – Déficit primário do governo central totaliza R$ 61,7 bilhões em 2025 (29/01/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga de 2024 divulgada antes da revisão metodológica (não comparável)
34,2%
% do PIB · referente a mar/2025
Fonte: Impostômetro – Carga tributária no Brasil (nota sobre revisão metodológica)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga tributária em 2022 (série revisada do Tesouro)
31,2%
% do PIB · referente a 2022
−1,83 p.p.em relação a Valor citado em algumas fontes, inexistente na série do Tesouro (33,1%)
Fonte: Tesouro Nacional – planilha 'Base CTB GG.xlsx' (Carga Tributária do Governo Geral, Tabela 1)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Carga tributária bruta do governo geral
4.127,2 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
+4.122,9 R$ bilhõesem relação a Variação real sobre 2024 (%) (4,3 R$ bilhões)
Fonte: Tesouro Nacional – planilha 'Base CTB GG.xlsx' (Carga Tributária do Governo Geral, Tabela 1)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
IOF arrecadado (Tesouro, Tabela 3)
86,2 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
+18,7 R$ bilhõesem relação a 2024 (67,5 R$ bilhões)
Fonte: Tesouro Nacional – planilha 'Base CTB GG.xlsx' (Carga Tributária do Governo Geral, Tabela 1)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
IRRF arrecadado (Tesouro, Tabela 3)
637,5 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
Fonte: Tesouro Nacional – planilha 'Base CTB GG.xlsx' (Carga Tributária do Governo Geral, Tabela 1)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Contribuições ao RGPS
687,4 R$ bilhões
R$ bilhões · referente a 2025
Fonte: Tesouro Nacional – planilha 'Base CTB GG.xlsx' (Carga Tributária do Governo Geral, Tabela 1)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026

Como isso evoluiu

Carga tributária bruta do governo geral (% do PIB)

Soma de todos os impostos e contribuições cobrados por União, estados e municípios, em proporção do PIB.

Carga tributária bruta do governo geral (% do PIB), de 2010 a 2025 (% do PIB). O menor valor foi 29,2% em 2020 e o maior, 32,4% em 2025. O dado mais recente é 32,4% em 2025. Fonte: Tesouro Nacional, Carga Tributária Bruta do Governo Geral 2025 (dados preliminares, 10/04/2026).

Fonte: Tesouro Nacional, Carga Tributária Bruta do Governo Geral 2025 (dados preliminares, 10/04/2026)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026
Ver tabela
Carga tributária bruta do governo geral (% do PIB) (% do PIB)
PeríodoValor (% do PIB)
201030,3%
201131%
201230,6%
201330,3%
201429,5%
201529,7%
201629,8%
201729,9%
201830,4%
201930,4%
202029,2%
202130,9%
202231,2%
202330,3%
202432,2%
202532,4%

O que é verdade e o que não se sustenta

O que é verdade

  • 32,40% do PIB em 2025 é o maior valor da série do Tesouro iniciada em 2010; 2024 (32,22%) já era recorde.
  • A alta é federal: a carga do governo central subiu de 21,34% para 21,60% do PIB, com IRRF em 5% do PIB e IOF em alta.
  • A carga subiu 2,1 pontos do PIB entre 2023 (30,26%) e 2025, sob o governo Lula 3.

O que não se sustenta

  • Não é possível afirmar 'maior da história' além de 2010: a série revisada do Tesouro começa em 2010, e a metodologia antiga da Receita já apurava 32-33% em 2010-2017.
  • Comparar os 34,2% divulgados para 2024 em mar/2025 com os 32,4% de 2025 mistura metodologias diferentes.
  • Parte da alta reflete crescimento da massa salarial e do emprego (mais IRRF), não só novas alíquotas.

Quem é responsável por isso?

Impostos
  • Controla: decretos de IOF, reoneração de combustíveis, tributação de fundos exclusivos e offshores

Quero entender a fundo

A série do Tesouro (% do PIB)

2010 30,32 | 2011 31,00 | 2014 29,53 | 2016 29,79 | 2018 30,40 | 2019 30,39 | 2020 29,15 | 2021 30,88 | 2022 31,24 | 2023 30,26 | 2024 32,22 | 2025 32,40. Em 2025: governo central 21,60%, estados 8,38%, municípios 2,42%.

Por que subiu

O Tesouro atribui o recorde de 2025 ao IRRF (que atingiu 5% do PIB, maior da série, com o crescimento da massa salarial), ao IOF (que cresceu R$ 15,4 bilhões, +21,3%) e às contribuições previdenciárias; a alta de 2024 veio em parte da reoneração dos combustíveis. A estratégia de Lula 3 foi reequilibrar as contas pelo lado da receita (IOF, fim de benefícios, tributação de fundos exclusivos e offshores), o que a IFI considera insuficiente para estabilizar a dívida.

Ressalvas

  • A revisão metodológica retirou FGTS e Sistema S da série; o número de 34,2% para 2024 divulgado em mar/2025 é anterior à revisão e não deve ser comparado com os 32,4% de 2025.
  • Na metodologia da Receita Federal, 2010-2017 já apareciam com 32-33%; portanto 'recorde' vale para a série revisada do Tesouro.
  • A carga caiu durante Dilma 2, Temer e na pandemia (29,15% em 2020) e subiu sob Lula 3 (de 30,26% em 2023 para 32,40% em 2025).
  • O governo Bolsonaro cortou tributos sobretudo em 2022 (IPI, PIS/Cofins de combustíveis, teto de ICMS), o que reduziu a base de comparação de 2022-2023.

Perguntas frequentes

Congresso e Executivo criam e alteram tributos federais; estados (ICMS) e municípios (ISS) têm seus próprios. Em 2025 a carga federal subiu e a estadual caiu.

Os tributos sobre consumo pesam mais nos pobres: os 10% mais pobres gastam cerca de 27% da renda com PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, contra 10% dos 10% mais ricos (Fazenda, 2024).

A EC 132/2023 e a LC 214/2025 substituem cinco tributos por IBS, CBS e Imposto Seletivo, com transição de 2026 a 2033; as alíquotas de referência ainda não estavam fixadas em out/2026.

Entre 29,15% (2020, pandemia) e 31,24% (2022); em 2022 houve cortes de IPI, PIS/Cofins de combustíveis e teto de ICMS em ano eleitoral.

O que outras agências disseram

Nenhuma checagem de outra agência registrada ainda.

Fontes

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
  6. 6
Ver a nota bruta da pesquisa no GitHub

Para ir além

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Atualizado em

Histórico de alterações
  • — publicação
  • — enriquecimento rodada 2: 2022 = 31,24% confirmado na planilha oficial; valores em R$ e componentes de 2025; boletim de mar/2025 com a série revisada
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