“Herdamos uma taxa Selic elevada e uma política econômica equivocada que levaram ao endividamento elevado das famílias”
Lula / PTQuem disse: Programa de governo de Lula 2026 (coligação Brasil Pronto Pra Mais) (PT), documento registrado no TSE· Onde: Programa de governo registrado no TSE (08/08/2026)· Quando: · ver a declaração
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toque em cada etapaA Selic herdada era de fato alta (13,75% em jan/2023) e o endividamento já batia recordes em 2022, mas os indicadores atingiram novos recordes em 2025-2026 — 83,9 milhões de negativados, 81,6% das famílias endividadas, inadimplência de 5,04% — depois que a Selic, sob o BC presidido por indicado de Lula, subiu de 10,5% para 15% em 2024-2025.
“Falta contexto” quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala
- Quem disse:
Programa de governo de Lula 2026 (coligação Brasil Pronto Pra Mais)
Lado: Governo (Lula / PT)
- Onde e quando:
Programa de governo registrado no TSE (08/08/2026)
08/08/2026
Ver a declaração original - O que disse:
“Herdamos uma taxa Selic elevada e uma política econômica equivocada que levaram ao endividamento elevado das famílias”
Também circula como: O endividamento das famílias é culpa da herança de Bolsonaro
- Veredito: Falta contexto
A Selic herdada era de fato alta (13,75% em jan/2023) e o endividamento já batia recordes em 2022, mas os indicadores atingiram novos recordes em 2025-2026 — 83,9 milhões de negativados, 81,6% das famílias endividadas, inadimplência de 5,04% — depois que a Selic, sob o BC presidido por indicado de Lula, subiu de 10,5% para 15% em 2024-2025.
“Falta contexto” quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala
- O dado real:
Meta Selic herdada em jan/2023: 13,8% (ago/2022 a ago/2023)
Fonte: Banco Central do Brasil – SGS 432 (meta Selic)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026 - Quem decide:
Bancos e cartões — rotativo acima de 400% ao ano
Também: Executivo e Congresso (política fiscal 2023-2026), Bancos e cartões, Governo Bolsonaro
Ver o mapa de quem decide ↓ - Fontes:
- Banco Central do Brasil – SGS 432 (meta Selic)
- Banco Central do Brasil – SGS 21082 (inadimplência pessoa física)
- Serasa – Mapa da Inadimplência
A Selic herdada era de fato alta (13,75% em jan/2023) e o endividamento já batia recordes em 2022, mas os indicadores atingiram novos recordes em 2025-2026 — 83,9 milhões de negativados, 81,6% das famílias endividadas, inadimplência de 5,04% — depois que a Selic, sob o BC presidido por indicado de Lula, subiu de 10,5% para 15% em 2024-2025.
Falta contexto quer dizer: Omite informação que muda a leitura. Entenda a escala
Em 3 frases
- 1
O governo Lula 3 começou com Selic de 13,75% e endividamento das famílias já em recorde, o que torna a herança um fato.
- 2
Mas a Selic caiu a 10,5% em 2024 e voltou a subir para 15% em 2025, e foi nesse período que a inadimplência das pessoas físicas saltou de 3,08% para 4,20% em um ano e os negativados passaram de 73,5 para 81,2 milhões.
- 3
O programa também omite que o Banco Central é presidido desde 2025 por Gabriel Galípolo, indicado pelo próprio governo, e que o Copom cita o risco fiscal entre as razões dos juros altos.
Os números
Como isso evoluiu
Meta da taxa Selic no fim de cada ano
Taxa básica de juros definida pelo Copom, vigente no fim do ano (anos em que a nota informa o valor).
Meta da taxa Selic no fim de cada ano, de 2003 a set/2026 (vigente em 21/10/2026) (% ao ano). O menor valor foi 2% em 2020 e o maior, 16,5% em 2003. O dado mais recente é 13,8% em set/2026 (vigente em 21/10/2026). Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 432 (meta Selic, diária).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 432 (meta Selic, diária)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% ao ano) |
|---|---|
| 2003 | 16,5% |
| 2010 | 10,8% |
| 2012 | 7,25% |
| 2015 | 14,3% |
| 2018 | 6,5% |
| 2020 | 2% |
| 2022 | 13,8% |
| 2025 | 15% |
| set/2026 (vigente em 21/10/2026) | 13,8% |
Endividamento das famílias (% da renda acumulada em 12 meses, BCB)
Quanto as dívidas das famílias representam da renda que elas recebem em um ano.
Endividamento das famílias (% da renda acumulada em 12 meses, BCB), de dez/2022 a jul/2026 (% da renda). O menor valor foi 47,8% em dez/2023 e o maior, 49,9% em abr/2026. O dado mais recente é 49,9% em jul/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 29037.
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 29037(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% da renda) |
|---|---|
| dez/2022 | 49,1% |
| dez/2023 | 47,8% |
| dez/2024 | 48,5% |
| dez/2025 | 49,7% |
| abr/2026 | 49,9% |
| jul/2026 | 49,9% |
Inadimplência das pessoas físicas (BCB)
Parcela do crédito às famílias com atraso acima de 90 dias.
Inadimplência das pessoas físicas (BCB), de dez/2022 a ago/2026 (% da carteira). O menor valor foi 3,07% em dez/2022 e o maior, 5,04% em ago/2026. O dado mais recente é 5,04% em ago/2026. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 21082 (total PF) e SGS 21084 (recursos livres PF).
Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 21082 (total PF) e SGS 21084 (recursos livres PF)(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% da carteira) |
|---|---|
| dez/2022 | 3,07% |
| dez/2023 | 3,29% |
| dez/2024 | 3,08% |
| dez/2025 | 4,2% |
| ago/2026 | 5,04% |
Famílias com dívidas (CNC/Peic)
Percentual de famílias que declaram ter dívidas (cartão, carnê, financiamento etc.), segundo a pesquisa da CNC.
Famílias com dívidas (CNC/Peic), de 2021 a mai/2026 (% das famílias). O menor valor foi 76,3% em 2021 e o maior, 81,6% em mai/2026. O dado mais recente é 81,6% em mai/2026. Fonte: CNC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), via CNN Brasil, Senado Notícias, Lupa e imprensa.
Fonte: CNC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), via CNN Brasil, Senado Notícias, Lupa e imprensa(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (% das famílias) |
|---|---|
| 2021 | 76,3% |
| 2022 | 79,3% |
| dez/2022 | 78% |
| mar/2025 | 77,1% |
| fev/2026 | 80,2% |
| mar/2026 | 80,4% |
| abr/2026 | 80,9% |
| mai/2026 | 81,6% |
Pessoas com dívidas em atraso (Serasa)
Quantidade de brasileiros com o nome negativado por dívidas atrasadas.
Pessoas com dívidas em atraso (Serasa), de dez/2021 a jul–ago/2026 (milhões de pessoas). O menor valor foi 64 milhões de pessoas em dez/2021 e o maior, 83,9 milhões de pessoas em jul–ago/2026. O dado mais recente é 83,9 milhões de pessoas em jul–ago/2026. Fonte: Serasa, Mapa da Inadimplência.
Fonte: Serasa, Mapa da Inadimplência(abre em nova aba) · acesso em 21/10/2026Ver tabela
| Período | Valor (milhões de pessoas) |
|---|---|
| dez/2021 | 64 milhões de pessoas |
| dez/2022 | 69,4 milhões de pessoas |
| dez/2023 | 71,1 milhões de pessoas |
| dez/2024 | 73,5 milhões de pessoas |
| dez/2025 | 81,2 milhões de pessoas |
| jan/2026 | 81,3 milhões de pessoas |
| abr/2026 | 83,5 milhões de pessoas |
| jul–ago/2026 | 83,9 milhões de pessoas |
O que é verdade e o que não se sustenta
O que é verdade
- A Selic herdada era de 13,75% e o endividamento das famílias já estava em recorde em 2022 (78% na Peic; 49,14% da renda no BCB).
- Juros do rotativo acima de 400% ao ano e spread bancário de 34,6 pontos são fatores estruturais do endividamento.
O que não se sustenta
- Os recordes atuais (83,9 milhões de negativados; 81,6% endividadas; inadimplência de 5,04%) foram atingidos em 2025-2026, após a Selic subir de 10,5% para 15% já no mandato atual.
- O BC é presidido por indicado do governo desde 2025 e o Copom cita o risco fiscal entre as razões dos juros altos.
- A inflação de 2021 (10,06%) e a Selic de 2022 responderam a choques globais da pandemia e da guerra, não só a 'política equivocada'.
Quem é responsável por isso?
Controla: Selic de 13,75% em 2022 e de 15% em 2025
Quero entender a fundo
A herança
Selic de 13,75% (ago/2022 a ago/2023); Peic de 78% de famílias endividadas e 30% inadimplentes em dez/2022; Serasa com 69,43 milhões de negativados; endividamento de 49,14% da renda (BCB).
O que aconteceu no mandato
- Selic: cortes até 10,50% (mai/2024); altas até 15,00% (jun/2025); 13,75% em set/2026.
- Inadimplência PF (BCB): 3,07% (dez/2022) → 3,29% (dez/2023) → 3,08% (dez/2024) → 4,20% (dez/2025) → 5,04% (ago/2026). O salto coincide com a alta da Selic de 10,5% para 15%.
- Negativados (Serasa): 71,1 mi (2023) → 73,5 mi (2024) → 81,2 mi (2025) → 83,9 mi (ago/2026).
- Endividamento (BCB): 49,90% da renda em fev/2026, acima do pico anterior de 49,88% (jul/2022).
- Rotativo do cartão: 428% a 440% ao ano; o teto de 100% do rotativo (Lei 14.690/2023) não tem efeito medido nas fontes.
Quem decide
A Selic é do Copom (BC autônomo); Galípolo, indicado por Lula, preside o BC desde jan/2025. A ata de set/2026 cita inflação acima da meta, incerteza externa e a política fiscal como fatores. A alta de 2024 teve como gatilho o câmbio recorde (R$ 6,19) após a reação ao pacote fiscal de nov/2024 — responsabilidade compartilhada entre Executivo, Congresso e choques externos.
Perguntas frequentes
O que outras agências disseram
- LupaVeredito original: “FALTA CONTEXTO para '78% da população endividada' (Lula)” · 15/10/2026Ler a checagem
Fontes
- 1Banco Central do Brasil – SGS 432 (meta Selic)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 2Banco Central do Brasil – SGS 21082 (inadimplência pessoa física)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 3Serasa – Mapa da InadimplênciaImprensa · acesso em 21/10/2026
- 4Poder360 – Endividamento das famílias atinge máxima histórica, diz BC (27/04/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 5Diário do Vale – CNC/Serasa: endividamento bate recorde no Brasil (mai/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
- 6Senado Notícias – Dívidas em recorde assombram as famílias brasileiras (mai/2026)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 7Programa de governo Lula 2026 (PDF registrado no TSE, via Congresso em Foco)Fonte partidária · acesso em 21/10/2026
- 8BCB – Ata da 281ª reunião do Copom (16/09/2026)Oficial · acesso em 21/10/2026
- 9Jornal Grande Bahia – Inadimplência atinge 81,7 milhões e cresce 38% em uma década, aponta Serasa (26/03/2026)Imprensa · acesso em 21/10/2026
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A Peic/CNC registrou 78% de famílias com dívidas em dez/2022 (e 30% com contas atrasadas; 69,4 milhões de negativados pela Serasa), mas ter dívida não é estar inadimplente — e, sobretudo, o indicador piorou no governo atual: 81,6% endividadas em mai/2026, 83,9 milhões de negativados e inadimplência da pessoa física de 5,04% em ago/2026, contra 3,07% em dez/2022.
“O saldo de emprego de 2025 é compatível com o maior juro real do mundo”
O juro real brasileiro (Selic de 15% deflacionada pelo IPCA) ficou em torno de 9,3% a 9,7% ao ano em 2025-2026, 'um dos mais altos do mundo' segundo a nota e '2º maior do mundo' segundo o Senado; a Selic de 15% é a maior desde 2006 e foi decidida pelo BC autônomo presidido por Gabriel Galípolo, indicado por Lula, em resposta a inflação acima da meta e ao prêmio de risco fiscal.
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